Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.
(Essência do olhar)
Selo amizade

Meu award


11:41 PM
Não fossem as manhãs
odeteronchibaltazar
Não fossem as janelas
que se abrem preguiçosas ao sol
eu nem veria esse céu
que anuncia
o que faço todo dia...
Não fossem os pardais intrometidos
eu não sentiria esse ar de casa de campo
com chocolate quente à minha espera
em mesa na varanda
com toalha de rendas
e porcelana branca...
Não fossem os meus gestos em rotinas
não haveria mais uma poesia
a sair de meu peito
com esse tum tum tum
a compassar com minha agonia.
Não fossem as buganvílias em flor
seria apenas mais um dia,
um dia qualquer
a se prolongar entre as sombras
onde a luz só rimaria com essa dor sem jeito.
Não fossem as borboletas
beijando cristais em pétalas,
eu estaria assim,
em vôo solo,
abraçando nuvens
mas querendo estar aninhada
em teu colo...
Não fossem estes versos,
nunca saberias
que nas manhãs grávidas de desejos,
eu me visto inteira
de nuances da tua lembrança...
Não fossem estas manhãs
eu nunca saberia
que na tua vida,
inteirinha,
eu caberia...
Rabiscado por Andarilha descalça
6:26 PM
NOSSO PLANETA
Sá de Freitas
Está nosso Planeta agonizante!
Seu fim à todos nós causa ansiedade,
Pois pode estar bem perto ou bem distante,
Dependendo do agir da humanidade.
E o homem, inconseqüente, continua,
Sua devasta por ganância cega,
E, quando advertido, ainda nega,
Que deixa a Terra, de recursos, nua.
Ah! Vasta ignorância que perdura!
Que falta de consciência e de cultura!
Que ausência de amor ao próprio lar!
E logo a sede se fará presente...
Virão doenças, fome e, de repente,
Nem ar teremos para respirar.
Rabiscado por Andarilha descalça
11:07 PM
A paz sem vencedor e sem vencidos
Sophia de Mello B. Andresen
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Que o tempo que nos deste seja um novo
Recomeço de esperança e de justiça.
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência
Para podermos ler melhor a vida
Para entendermos vosso mandamento
Para que venha a nós o vosso reino
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Fazei Senhor que a paz seja de todos
Dai-nos a paz que nasce da verdade
Dai-nos a paz que nasce da justiça
Dai-nos a paz chamada liberdade
Dai-nos Senhor paz que vos pedimos
A paz sem vencedor e sem vencidos
Rabiscado por Andarilha descalça
11:15 PM
Nós, os outros
Nós, os outros, habitamos a textura
aquosa e impura da cidade adormecida
quando o negro nela se abate
Nós, os outros, abrigamos o frio
nos jornais remexidos,
aninhados no vazio dos recantos
que o cimento e a pedra calam
Somos gente sem nome nem destino
em tempo indeterminado;
andarilhos na mão que se estende,
vestidos de invisibilidade
Nós, os outros, também sonhamos
a metáfora ténue dos papeis gastos,
da vida a essência dos dias plenos
entre a existência dos muros lentos
levantados pela hibridez da hora em viragem
Assim caminhamos o esquecimento
sob a trama da luz baça da cidade
(Poema da Amita in Branco e Preto)
Rabiscado por Andarilha descalça
11:15 PM
POR VEZES
por vezes transformas-te
na árvore da vida
e cresces, cresces
por vezes os teus ramos
baloiçam ao vento
que tu mesma não sopras
uma vez vestiste-te de poema
e vê lá, quase choraste!
todos os dias me visto de poeta
e, vê lá, choro a palavra em fuga
que corre numa rua sem fim!
hoje mesmo vesti-me de autocarro
e levei-te sentada no colo cansado
amanhã serei roda corrida
perseguindo-te na vida
quinta feira serei homem-feira
e espero-te no passeio sem tenda
vai alta outra noite de desengano
a palavra vai morrer
a tua imagem vai ficar
adriano pinho
membro da SPA

Rabiscado por Andarilha descalça