Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.
(Essência do olhar)
Selo amizade

Meu award


8:11 PM
Soneto imperfeito da caminhada perfeita
Já não há mordaças, nem ameaças, nem algemas,
que possam perturbar a nossa caminhada,
em que os poetas são os próprios versos dos poemas
e onde cada poema é uma bandeira desfraldada.
Ninguém fala em parar ou regressar.
Ninguém teme as mordaças ou algemas.
- O braço que bater há-de cansar
e os poetas são os próprios versos dos poemas.
Versos brandos... Ninguém mos peça agora.
Eu já não me pertenço: Sou da hora.
E não há mordaças, nem ameaças, nem algemas
que possam perturbar a nossa caminhada,
onde cada poema é uma bandeira desfraldada
e os poetas são os próprios versos dos poemas.
(Sidónio Muralha
Poeta: 1920 - 1982 in "A Argamassa dos Poemas")
Rabiscado por Andarilha descalça
7:05 PM
Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e
desmoronamento,
servo e senhor, e sou mistério.
A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos a sério.
Lia Luft
Rabiscado por Andarilha descalça
10:58 PM
Aprendizado
Mercêdes Pordeus
Recife/PE
Ah! Das rosas e cravos que perdi na vida...
Seus perfumes permaneceram em mim
Permaneceram, para lembrar entristecida
Dos que foram, e a essência não tem fim
Pois, foram eles quem amei,mas partiram
Deixando o tempo, a dor da partida fluir.
Ah!Das lágrimas que derramei na vida...
Essas, cristalizaram-se em minha face
As dores, fazem lembrar os desenlaces
Que o tempo minimizou, mas não apagou
Tornaram-se cristais que o tempo renovou
Que cintilam a cada nascer de um novo dia.
Ah! Das experiências que adquiri na vida...
Muita coisa aprendi, aprendizagem dolorida!
Quis parar no meio da estrada, sem guarida
Mas a vida não pára, e isso também aprendi
Tive que continuar vivendo, é... pois percebi
O mundo muda e a vida tem que ser vivida.
Assim, aprendi a conviver com minhas dores
Aceitar as ausências físicas como belas flores
Que, a cada novo dia desabrocham e murcham
Mas, nem por isso de mim, elas se apagaram
Lembranças compartilhadas por seus amores.
Ah! Suas presenças em mim se eternizaram.
Em 29.05.2005
Rabiscado por Andarilha descalça
9:16 PM
Paulo Mendes Campos sabia que dentro e fora do homem há um tempo eterno de solidão. E que o tempo é audível, também se pode ouvir a eternidade.
A gaivota determinada mergulha na água
Verde. Há um tempo para o peixe
E um tempo para o pássaro
E dentro e fora do homem
Um tempo eterno de solidão.
Muitas vezes, fixando o meu olhar no morto,
Vi espaços claros, bosques, igapós,
O sumidouro de um tempo subterrâneo
(Patético, mesmo às almas menos presentes)
Vi, como se vê de um avião,
Cidades conjugadas pelo sopro do homem,
A estrada amarela, o rio barrento e torturado,
Tudo tempos de homem, vibrações de tempo, vertigens.
Senti o hálito do tempo doando melancolia
Aos que envelhecem no escuro das boîtes,
Vi máscaras tendidas para o copo e para o tempo.
Com uma tensão de nervos feridos
E corações espedaçados.
Se acordamos, e ainda não é madrugada,
Sentimos o invisível fender do silêncio,
Um tempo que se ergue ríspido na escuridão.
Cascos leves de cavalos cruzam a aurora.
O tempo goteja
Como o sangue.
Os cães discursam nos quintais, e o vento,
Grande cão infeliz,
Investe contra a sombra.
O tempo é audível; também se pode ouvir a eternidade.
Paulo Mendes Campos
Rabiscado por Andarilha descalça
10:43 AM
Paravivendo
Versos pendidos na frase angular da existência,
Quem sou... no altar do meu espelho, na pedra tímida
Que o meu novelo de purezas vai sentindo.... vai lembrando...
Nesse Todo amigo que a alma vai explicando...
Vês como a música das tuas odes de intuição
Se veste de palavras e no carnaval do Céu o milagre se espalha,
Pelas escadas dos não-acasos, pelo mar dos salvados ecos...
Oh, princípio do sopro que te transmudas em lago de versos,
És o melódico renascer dos alfas, dos betas, dos livros irisados!
Se o mistério é continuar "paravivendo" eis-me poesia em Tudo!
Eis-me irmão do irmão, sol da lua, luz da sombra, verso sempre!
Se a musa me quiser sentido, sou água,
Se me vestir de raiz, sou verso de terra, clamando sementes,
Se me quiser sopro sublime, sou cana de nuvem no violino da metáfora,
Se me quiser Ser na eternidade, sou simples pensamento...
Se me quiser poesia, sou Amor!!........
Edmundo Luís
Rabiscado por Andarilha descalça
11:43 PM
Coisas de Mulher
Ilka Vieira
Há dias em que acordo
de caso comigo mesma;
faço da janela fechada
um belo horizonte...
da cara feia, a simpatia...
e da jarra vazia,
flores saltitantes.
Há dias em que sou
meu próprio nutrimento...
Sirvo-me de coisas que gosto,
enfeito-me de arte e movimentos...
esbanjo línguas e temas...
recebo visitas e dou telefonemas...
apago as luzes e me sinto iluminada.
Há dias em que assino o divórcio,
fecho-me em copas e dou murro em facas,
brigo com o sol e expulso a lua,
cubro-me e me sinto completamente nua;
embarco a tristeza na esperança do dia seguinte...
Rabiscado por Andarilha descalça
11:28 PM
FAZE DE MIM O SENTINELA DE TEUS LONGES
Rainer Maria Rilke
Faze de mim o sentinela de teus longes,
faze de mim o ouvidor do rochedo;
da'-me que os olhos meus eu arregale
por sobre a solitude de teus mares;
deixa-me ser o leito de teus rios,
infenso ao grito de qualquer das margens,
bem longe, para alem do som das noites!
Danca-me por tuas vazias terras
pelas quais os mais largos ventos passam
e onde claustros, como muros enormes,
encerram tantas vidas nao vividas.
La' ficarei eu entre os peregrinos,
das vozes e das atitudes deles
isolado nao mais por mentira nenhuma
e atras de idosos cegos
seguindo a senda que nenhum conhece.
Rabiscado por Andarilha descalça