Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

NANA MOUSKOURI _ berceuse_de_brahms



Blogs Amigos


VERSOS E PROSA


Cláudia Pit


Regina Bee



Escrevinhando com o coração


Os Uivos da Loba

Horário mundial

MEUS OUTROS BLOGS

(Essência do olhar)

(Artes e magia)

Selo amizade


CONTADOR : Nº de visitantes






Meu award


online



Comments:

12:19 AM





O DESERTO



O deserto

É um imenso oceano,

Estéril…

Sem água…

Que cada um de nós tem de cruzar

Para descobrir

O oásis da vida!


Rui Pais





Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

11:13 PM





LAMENTO PELA PAZ!
Delasnieve Daspet

Guerra é Guerra.
Não importa a sua violência,
ou a sua virulência...
Não existe desculpa para o descalabro...
As nossas guerras de todos os dias,
As nossas picuinhas,
As nossas maldades internas,
Nascem do rancor,
da mágoa, do recalque que é o homem...


É o homem mata!
Suas bombas cruzam o anil dos céus,
Toldam de cinza as tardes do mediterrâneo,
Pontes, casas, castelos,
crianças esparramadas pelos chãos,
quais bonecos jogados, esquecidos,
sonhos destruidos...
Elos que se quebram,
e que não serão recompostos!

Não interessa quem esteja certo,
quem esteja errado...
Nossa consciência nos cobra:
Não se cale!
Não permita que o amordacem,
que lhes toldem o sol,
que lhes matem o ar,
que lhes escureçam a lua!
Poeta, não permita
que o privem da liberdade!

E, é pelo Homem, o meu lamento!
Que o farfalhar das folhas leve meu soluço,
E abrace a imensidão azul de nossos sonhos
De Paz que ouso cantar,
Neste canto de recriação
que entrego ao vento!

Recriar... Reciclar... Novos horizontes...
Assumir decisões a cada dia, a cada instante,
Pois não existem estradas fáceis,
Mas a que esta adiante,
Construindo um caminhar...

É pelo homem, este solitário animal,
O meu lamento de Paz!




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

2:52 PM





O MAR DE MONET


Sou como o mar de Monet, tão pequeno!
Calmo ou violento,
Não vou além dos rochedos,
Além do horizonte.
Mãos invisíveis prendem-me.
A liberdade é um sonho cercado por montanhas,
Barcos ou pessoas que não me deixam voar.
Sou como a gaivota estática,
O barco pintado em suas telas,
Ou o Sol que nunca se põe.
O meu grito é sufocado
Pelo eterno silêncio do óleo,
Sou talvez uma das velas
Dessas suas telas,
Mas a vela quer sair,
Andar por aí,
Navegar por altas ondas
Que me transportem ao céu,
Quero colher estrelas cadentes
Para uma jóia fazer
E dar de presente ao vento
Que o meu rosto vem lamber.


(Hull de La Fuente)




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

9:47 AM





A PANTERA
TOMÁS SEIXAS

“A incessante notícia de uma luta
com as panteras bruscas do invisível.”
[Paulo Mendes Campos]

Tudo é assim
Acontece

Acontece uma coisa e depois outra
Acontece o dia primeiro da Criação
Acontece o primeiro homem e acontece a primeira mulher
Acontece depois Caim


Acontece o tempo
Acontece o medo e acontece a esperança
Acontece o que em ti, e em mim, é receio
Acontece uma lua nova, uma flor, um morto pela madrugada
Em cada fração de um segundo acontecem séculos, milênios
Acontece uma luta, permanente e invisível contra o invisível
Acontece.




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

9:38 PM





AVE PEREGRINA e O LIVRO


Perdi toda a beleza da poesia.

Perdi a luz, o sonho, a fantasia.

Perdi o encanto que habitava em mim.

E tudo mais que eu vislumbrava, enfim.

Ao compreender aqui, agora, além,

que não sou nada. Que não sou ninguém.

Que a geografia é um mero conceito.

É a maldição, a praga, o bem desfeito,

que estraçalha a terra em mil pedaços.

Que amarra a gente em infinitos laços,

e que esses laços transformam-se em nós,

dos quais, virei escrava, algoz, refém.

Sem casa, sem família, sem ninguém.

Um espécie de ave peregrina,

que rotineiramente cumpre a sina.

Que migra do inverno pro verão,

como se a vida fosse uma estação

que espera o passageiro a cada trem,

indiferente a esse vai-e-vem.



Pária sem pátria, vivo em terra alheia.

Aranha sem tecer a própria teia.

Videira sem frutificar na vinha,

em terra que não foi nem será minha.



Quero ficar… mas tenho que partir.

Quero voltar… não tenho pra onde ir.



Camões, abre-me a porta do teu verso,

pois Deus me expulsou do Universo!


Katia Drummond




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

4:47 PM





Eternamente Tu


O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem princípio nem fim
Meu amor, huuum, tu cabes dentro de mim

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Eternamente tu

Jorge Palma




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

8:22 PM





"São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida
E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher..."

Vinicius de Moraes




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

11:44 AM





INSTANTÂNEO DE SEMÁFORO

Olho e sorrio
E assobio…
É bonita,
Ela olha e fita
Zombateira
E gosta da brincadeira

Olho e aprecio
E elogio
Que belezura
Ela olha a procura
Está interessada
Está caída!

Olho e gosto
Que rosto
É o máximo
Ela olha e chega próximo
Que encanto
Que momento!

Olho e aposto
E conquisto
Quero-te filha
É amor à primeira vista
Ela olha e brilha
Não estás na lista!

Olho e vibro
E sou outro
É ela
A minha estrela
Ela sorri, como te chamas
E diz se me amas

Olho e insisto
Não desisto
Digo-lhe o nome
E peço-lhe o telefone
O verde acendeu
E o carro dela arrancou, desapareceu!


Décio Bettencourt Mateus
in "Os Meus Pés Descalços"




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

9:19 PM





Há doenças piores que as doenças

Há doenças piores que as doenças,
Há dores que não doem, nem na alma
Mas que são dolorosas mais que as outras.
Há angústias sonhadas mais reais
Que as que a vida nos traz, há sensações
Sentidas só com imaginá-las
Que são mais nossas do que a própria vida.
Há tanta cousa que, sem existir,
Existe, existe demoradamente,
E demoradamente é nossa e nós...
Por sobre o verde turvo do amplo rio
Os circunflexos brancos das gaivotas...
Por sobre a alma o adejar inútil
Do que não foi, nem pôde ser, e é tudo.

Dá-me mais vinho, porque a vida é nada.

Fernando Pessoa




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

2:31 PM





" Uma Ilha é Um Barco "
JOSÉ ANDRADE



Uma ilha é um barco
Ancorado
Que estremece ardentemente
Nas tempestades da vida.

Uma ilha é um barco
Ancorado
Na espera desesperante
De um destino esquecido.

Uma ilha é um barco
Ancorado
Onde o Mundo Moderno
Descansa, fatigado.

Uma ilha é um barco
Somente
Mas um barco celeste
Que com o mundo equilibra
O sentido da vida
E a vida sentida.

Uma ilha é um barco
Uma ilha é um mundo.




Rabiscado por Andarilha descalça

Comments:

9:45 PM





A TRILOGIA DO BEIJA-FLOR

1. TODO BEIJA-FLOR quando nasce é imperceptível, e ao nascer é do tamanho de outro beija-flor. Todo beija-flor aprende a eternidade das flores. É breve o seu beijo, é breve o seu desejo, é intenso o seu vôo. Todo beija-flor tem asas invisíveis para não tocar o vento. Todo beija-flor vive em êxtase: não canta.


2. TODO BEIJA-FLOR quando encontra outro beija-flor não reparte a mesma flor. O vôo não é lugar para nada cuidar, o vôo é o nada vacilante no ar. Toda flor é um convite e todo beija-flor traz no peito um emblema de um reino feliz. Todo beija-flor é de utilidade pública, é patrimônio universal da poesia.


3. TODO BEIJA-FLOR quando morre não vai para o céu dos beija-flores. Todo beija-flor quando morre se transforma numa coisinha leve e sem osso que a terra não consegue fincar. Todo beija-flor quando morre vai para a letra de um poema.

Benilton Cruz




Rabiscado por Andarilha descalça