Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.
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(Essência do olhar)
Selo amizade

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10:27 PM
Como em um sonho
Enquanto você dorme, eu roubo a sua alma e
entre telhados e montanhas,
juntas,
olhamos a lua.
Enquanto você dorme, passeio com sua alma
entre grilos, suspiros, gemidos e
uivos do vento,
entre o breve e o semi-tempo,
entre o espaço entre você e eu.
Enquanto você dorme, não sabe,
mas alcança estrelas comigo,
assim, como quem olha para o céu.
Ana Peluso
Rabiscado por Andarilha descalça
8:50 PM
Rebeldia
(Maria Seixas)
(manifesto contra o imperativo não categórico)
Odeio o uso do modo imperativo.
Se me dizem, cala-te!, eu canto.
Se me dizem esconde-te!, eu exponho-me.
Quando me ordenam que me vista, me desnudo.
Se me mandam expor, vou pró meu canto.
Quando me querem falante, eu sou muda.
Se me fazem gritar, eu silencio.
Se me tentam excitar eu fico queda,
Se me querem gelada, fico em cio.
Sou égua de raça pura e alma leda,
Crinas ao vento e ventas de fome,
À espera de um jokey que me dome.
Quem julga que me domou, bem se engana.
Rabiscado por Andarilha descalça
8:19 PM
Esse olhar
Eugênia Tabosa
Esse olhar parado
sem hoje nem passado
Esse olhar sem espera
como canto preso
em boca entreaberta
Esse olhar cansado
desfeito
sem jeito
não grita
não chora
Esse olhar desarmado
como barco sem leme
Existe
Não posso ignorá-lo!
Rabiscado por Andarilha descalça
6:31 PM
Quase
Quase
Ontem quase
Quase minhas mãos em seus cabelos
Quase teus lábios nos meus
Quase felicidade plena
Quase
Quase
Ontem quase
Quase seu cheiro em minha memória
Quase eu e você fomos nós
Quase romance
Quase
Armando Roda
Rabiscado por Andarilha descalça
11:59 PM
Raizes
As nuvens são nuvens.
Pairam sobre nós.
Quando nascemos
As nossas raízes ficaram viradas para o céu
Que nos fecunda
O nosso ser criou a diáspora
Não conhece imperadores ou imperatrizes
Reconhece-nos uns com os outros
Apenas num simples fogacho de luz
E... nós,
Com a nossa cara à chuva
Prevemos o nascimento do sol e da vida
As sementes caem das árvores do céu
Em nós
Como o sal recolhido nas mãos do mendigo.
Os ramos das nossas raízes
São os nossos anjos da guarda.
Fernando Pascoa
Rabiscado por Andarilha descalça
8:18 PM
Anjo de Outrora
Ribeiro Couto
O anjo de outrora, adormecido na minha alma,
Acordou esta noite e espiou nos meus olhos:
A lágrima caída ainda há pouco era dele.
Foi ele que a esqueceu à porta dos meus olhos,
Com o discreto pudor com que à porta da igreja
Deixamos cair a esmola na mão de um pobre.
Rabiscado por Andarilha descalça
8:02 PM
Poema I
Francisco Orban
Se ser do mar é destino
o que dizer da jangada
de toda jangada do mundo
que faz do vento jornada?
A jangada ja trançada
na salinidade da orla
pousa no mar silenciosa
para do mar ser levada
Mas o mar que a nomeia
com o vento a devora
e a insere em seu horizonte
de acaso e vôo sem hora
E entre tantos movimentos
de outros seres de água
a jangada, ja desperta,
cria novo paradeiro,
agora de ave do mar
assentada no destino
que o mar lhe trouxe de volta.
Rabiscado por Andarilha descalça
9:25 PM

Rabiscado por Andarilha descalça
6:34 PM
Falas de civilização...
Falas de civilização, e de não dever ser,
Ou de não dever ser assim.
Dizes que todos sofrem, ou a maioria de todos,
Com as coisas humanas postas desta maneira,
Dizes que se fossem diferentes, sofreriam menos.
Dizes que se fossem como tu queres, seriam melhor.
Escuto sem te ouvir.
Para que te quereria eu ouvir?
Ouvindo-te nada ficaria sabendo.
Se as coisas fossem diferentes, seriam diferentes: eis tudo.
Se as coisas fossem como tu queres, seriam só como tu queres.
Ai de ti e de todos que levam a vida
A querer inventar a máquina de fazer felicidade!
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Rabiscado por Andarilha descalça
1:34 PM
Mulheres
Mulheres benditas,
guerreiras,
corajosas tripulantes
que atravessam a vida
essa imensa nau errante
sentindo-se presente
quando seus corpos
se fazem ausentes.
Mulheres benditas,
guerreiras,
este ser humano
sensível, urbano.
esta alma
calma
que assanha e sonha
sem arranhar o tempo.
Mulheres benditas,
guerreiras,
que brindam e buscam
o espaço perfeito
para sua liberdade
nesse poço profundo
que é o mundo.
Mulheres benditas,
guerreiras,
de corpo oculto
e mente transparente.
Olhar diurno e
andar insolente.
Mulheres benditas,
guerreiras,
que libertam o Ícaro
que nelas habitam
e sorvem a poesia
que as fortificam.
Mulheres benditas,
guerreiras,
indisfarçáveis lobas,
famintas de coração,
mutáveis, questionáveis,
vaidosas e amorosas,
cérebro e emoção,
pernas e sentidos,
sons e desejos.
Mulheres benditas,
guerreiras,
que esperam no frágil momento
o desabrochar do vinho
para tingir a imagem
de uma nova
mulher.
Andarilha descalça (Cláudia)

Cool Slideshows
Rabiscado por Andarilha descalça
8:52 PM
Lágrimas
caíram lágrimas dos meus olhos
no teu corpo desnudado
corpo-rio, corpo molhado
esfusiante em seus olhos
afinal não eras rio
eras apenas regato
em tresloucado desacato
buscando margens de brio
eras barco, eras remo
o teu corpo de feno
bebendo minh,alma salgada
numa noite enluarada
ficou por te dar
o colar de estrelas
uma torre de coral
dentro das tuas janelas
que vão dar ao mar
adriano pinho
membro da SPA
Rabiscado por Andarilha descalça
8:33 PM
Coração cativo
Niles Bond
(tradução de Guilherme de Almeida)
Os prisioneiros adormecidos sonham
E, sonhando,
Deixam suas cadeias
Para vaguear livres
Pelas estreladas pastagens
Do universo.
Este cativo coração
Também sonha,
Desatando os frágeis laços da consciência
Para voar,
Como uma flecha
Arremessada do arco teso e trêmulo
Da sua mais profunda necessidade,
Rumo a ti.
Rabiscado por Andarilha descalça