Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.
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(Essência do olhar)
Selo amizade

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Meu award

10:22 PM
Tenha Cuidado com Seus Desejos
Roberto Carlos Pontes
Ela sorri sozinha
E caminha nas ruas
Com sua loucura
Tem o brilho das santas
E o divino das bailarinas
É a mulher que ama
Sua pele tem perfume
Todo o seu ser se une
Para embriagar o seu homem
Todo o mundo se resume
Em ser feliz hoje
Amanhã, pode ser diferente
Rabiscado por Andarilha descalça
10:22 PM
Mas que sei eu
Mas que sei eu das folhas no outono
ao vento vorazmente arremessadas
quando eu passo pelas madrugadas
tal como passaria qualquer dono?
Eu sei que é vão o vento e lento o sono
e acabam coisas mal principiadas
no ínvio precipício das geadas
que pressinto no meu fundo abandono
Nenhum súbito súbdito lamenta
a dor de assim passar que me atormenta
e me ergue no ar como outra folha
qualquer. Mas eu que sei destas manhãs?
As coisas vêm vão e são tão vãs
como este olhar que ignoro que me olha
Ruy Belo
Rabiscado por Andarilha descalça
10:36 PM
Prece
Que nenhuma estrela queime o teu perfil
Que nenhum deus se lembre do teu nome
Que nem o vento passe onde tu passas.
Para ti criarei um dia puro
Livre como o vento e repetido
Como o florir das ondas ordenadas.
Sophia de Mello Breyner Andresen
Rabiscado por Andarilha descalça
8:26 AM
AULA DE DESENHO
Maria Esther Maciel
Estou lá onde me invento e me faço:
De giz é meu traço. De aço, o papel.
Esboço uma face a régua e compasso:
É falsa. Desfaço o que fiz.
Retraço o retrato. Evoco o abstrato
Faço da sombra minha raiz.
Farta de mim, afasto-me
e constato: na arte ou na vida,
em carne, osso, lápis ou giz
onde estou não é sempre
e o que sou é por um triz.
Rabiscado por Andarilha descalça
8:27 AM
Motivo da rosa
Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.
Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.
Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.
E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.
Cecília Meireles
Rabiscado por Andarilha descalça
8:10 PM
Então é você
(Estrela Ruiz Leminski e Alice Ruiz)
Então é você
que bem antes de mim
diz o que eu queria dizer
tão bem quanto eu diria.
E quem diria?
ainda melhor
Acho que teu nome é poesia
e por isso todos te chamam
Então é você
tua simples presença
preenche a minha existência
me faz ver o que eu não via.
E quem diria?
ainda melhor
Acho que teu nome é vida
e por isso todos te querem
Então é você
que quando fala
instala a compreensão
de tudo que eu seria.
E quem diria?
Ainda melhor
Acho que teu nome é amor
e por isso todos te amam
E quando todos te chamam
quem sou eu pra não chamar?
E quando todos te querem
quem sou eu pra não querer?
E porque todos te amam
¿eu sei que vou te amar¿
Rabiscado por Andarilha descalça
5:47 PM
ONDE ANDO TODOS ME CONHECEM
André Luiz Pinto
onde ando todos me conhecem:
¿ lá vai o homem da flor.
Ninguém sabe dos meus pecados com Deus.
sou um homem para menos.
meu contar escorre ladeira.
Não creio em azar. Não por ser otimista
Por saber que a sorte é rara.
sempre ando pela direita.
todos os livros abrem apócrifos.
sou imagem e semelhança do desacontecido.
A pessoa que procuro não sou eu.
Rabiscado por Andarilha descalça
3:01 PM
Lembro um menino repetindo as tardes naquele
quintal.
(O livro das Ignorãças - Manoel de Barros)
lembro um menino repetindo as tardes naquele quintal...
sou aquele menino repetindo as tardes
sou a tarde repetindo aquele menino
naquele quintal
quando criança, tinha fazenda de gado
a cerca era feita de palitos de fósforo
tinha também um forte apache
naquele quintal
o quintal
quintessência do menino
repetindo as tardes .
Rabiscado por Andarilha descalça
2:47 PM
O POEMA É UM INSETO
QUE SOBE PELAS PERNAS
DO LEITOR DISTRAÍDO
GILBERT DANIEL

Rabiscado por Andarilha descalça
9:40 AM
Rio
Agostina Akemi Sasaoka
Eis que a pele,
undívaga e verde,
range entre meus dedos.
O lábio
incrustado de musgo
oprime minha boca.
Neste beijo tosco
imploro
a eternidade da morte...
No caule do olho,
a fenda hostil
dos meus silêncios.
Sob as escamas em sono,
a cartilagem da inocência.
O suor,
pelas curvas imprecisas,
não é mais que minha sede.
Peço,
a cada estrela trêmula,
o tormento de sua presença...
Sob a placenta fria da correnteza
peixes bioluminescentes
(de uma ternura ambígua)
desovam do seu corpo
em meu húmus insano.
Desaguar é apenas
uma súplica do amor.
Afora o mar,
nada me comove
como sua imensidão...
Rabiscado por Andarilha descalça
10:02 AM
O MEU AMOR EXISTE
O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina
O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito
O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.
O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.
Jorge Palma
Rabiscado por Andarilha descalça
8:51 AM
colhi a lua
e a luz da lua
na flor
que me deste.
plantei um poema
onde havia a lua
e a luz da lua
pelo o amor
que persiste.
mas tu foste
embora
deixando a metáfora
no escuro.
hoje, a flor
morre triste
e o poema
anoitece
incompleto...
MARCOS CAIADO
Rabiscado por Andarilha descalça
8:23 AM
Ilha
Deitada és uma ilha e raramente
surgem ilhas no mar tão alongadas
com tão prometedoras enseadas
um só bosque no meio florescente
promontórios a pique e de repente
na luz de duas gémeas madrugadas
o fulgor das colinas acordadas
o pasmo da planície adolescente
Deitada és uma ilha que percorro
descobrindo-lhe as zonas mais sombrias
Mas nem sabes se grito por socorro
ou se te mostro só que me inebrias
Amiga amor amante amada eu morro
da vida que me dás todos os dias
David Mourão-Ferreira
Rabiscado por Andarilha descalça