Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.
Clique aqui para ver meu outro blogger
(Essência do olhar)
Selo amizade

CONTADOR : Nº de visitantes
Meu award

9:05 AM
Musa
Um dia,
Colocarei asas
E, como um colibri
Flutuarei no espaço,
Bordejando por aí...
Penetrarei no teu quarto,
Pousarei sobre o teu corpo desnudo
Germinando-o de pólen e desejos.
Oh, sim... Sugarás dos meus lábios
Todo néctar do amor nos meus beijos!
A noite se revelará sobre a tua cama!
E andará no frescor e na forma da libido
Sob a penumbra do teu rosto escarlate
Na doçura primitiva do teu sorriso...
E, das minhas mãos recorrentes
Deslizando sobre o teu ventre,
Decifrarei os teus secretos labirintos.
Rocha e mar! E o amor nas tensões
Das curvas delirantes do infinito...
Partirei, rirá a lua em fino bordado.
Depois nada... Um céu de cobre,
As minhas asas recolhidas ao alforje.
É... Na embriaguez de uma canção banal,
A noite foge...
O Sibarita
Rabiscado por Andarilha descalça
8:26 AM
Epigrama no.8
Cecília Meireles
Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo que eras nuvem, depus a minha vida em ti.
Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar quando caí.
Rabiscado por Andarilha descalça
7:16 PM
Antecipação
Clauky Saba
se todo momento fosse primeiro
não haveria derradeiro
se cada instante fosse quando
não haveria durante
sendo cada tempo agora
essa é a melhor hora
para subir arrepios
dos pés à cabeça
nesse quando quase indo
quero esse instante sustenido
obtuso e infinito
enquanto for.
Rabiscado por Andarilha descalça
12:19 AM

Cool Slideshows
Rabiscado por Andarilha descalça
9:53 AM
CONFISSÃO
Aqui estou
Presente e ausente do mundo
A confessar-se dos pecados mortais
A confessar-se dos pecados nenhuns
Aqui estou eu
Mulher diante das mulheres
A confessar-se mulher mortal
A confessar-se mulher nenhuma
Aqui estou eu
Cotidianamente eu
Uma mulher presente e ausente do mundo
A confessar-se contrito
Das coisas nenhumas
Aqui estou eu
Mulher de boa vontade
Que percorreu toda a gama
Das situações humanas
A confessar-se dos pecados futuros
Contritamente.
AIRLIZ PINHEIRO
Rabiscado por Andarilha descalça
8:43 AM
Certas coisas
Affonso Romano de Sant'Anna
Certas coisas
não se podem deixar para depois.
Muitos poemas perdi
pensando: "depois escrevo",
"agora estou almoçando"
ou "consertando a porta".
Assim, adiei - perdi
o melhor de mim.
Certas coisas
não podem deixar para depois,
e nisto incluo; frutos no galho,
mudanças sociais,
certas coxas e bocas
e esta manhã que se esvai.
Certas coisas
não podem deixar para depois
o amor não se adia
como se adiam o imposto, a viagem, a utopia.
o desejo sabe o que quer,
detesta burocracia
Feito depois, o amor
é murcha lembrança
do que, não - sendo, seria
Certas coisas
não podem deixar para depois,
Como o amor e as pessoas,
não se pode recuperar
a poesia.
Rabiscado por Andarilha descalça
12:08 AM

Rabiscado por Andarilha descalça
8:57 AM
CISMO...
António Castel-Branco
Cismo...
Minha mente se liberta
das grilhetas do meu corpo
e de pronto se eleva,
buscando sem razão
o alvo desta paixão
que me inunda o coração.
Cismo...
E meu ser se empertiga
num afã de encontrar
a emoção da partilha,
evitando o abismo
que se abre nessa ilha
de profundas emoções .
Cismo...
Vogando nesse leito
de águas cristalinas
ou alvas de pureza,
qual almas que irradiam
brilhantes auras que aliam
sabedoria e beleza.
Cismo...
Com o sublime instante
em que te faço minha,
e, qual gentil amante,
te torno radiante,
o corpo de amor contente,
coração de ardor fremente.
Cismo...
Com a felicidade suprema,
o infinito momento
em que domino o vento...
em que a paisagem presente
no tempo se suspende,
congelando o firmamento.
Sintra, 18/01/2005

Rabiscado por Andarilha descalça
10:14 AM
ALBEDO
Fernando Páscoa
Metamorfoseia-te
Torna-te pedra,
Não subas ao Éden.
Reflecte antes em mim,
Os teus segredos como Phedra.
Conta-me aqui neste Jardim¿
Viste seres andantes, errantes?
Pede-lhes que devolvam o Sol à calçada¿
Que tragam a claridade em frenesim,
Que tornem a noite em madrugada.
Ah! quanta saudade¿
Legibilidade,
Dilúvio de fraternidade,
De cores desobrigadas.
Por ti vagueia o mareante,
As meretrizes luxuriantes,
Até os pedantes deambulantes,
Desviados das raízes de sol e da luz.
Pela madrugada de pedantes,
Moribundos,
Também amantes.
Perdidos na pedra dalva
Deixam a sua história
Como larva..
Sempre na tua alçada.
És amada
Tens vida¿
És da minha calçada.
Serás uma estrada¿
A devida
Correrá por ti desfiada.
Toda a vida¿
Rabiscado por Andarilha descalça
8:14 AM
Rastros
LAURA ESTEVES
Perguntas tanto...
Queres me conhecer inteira.
Impossível! Impossível!
Existem apenas vestígios.
Em meus andares, vou deixando rastros.
Pegadas que sinalizam quem sou.
É só ficares atento
ao vestido sobre a cadeira,
às dobras do meu casaco,
às sobras do meu sorriso,
ao meu olhar triste e opaco.
É só prestares atenção
ao meu resto de bebida,
intacto, no fundo do copo;
ao que desenho no papel
quando estou bem distraída;
ao jeito como fecho a porta
e como toco a campainha.
Repara aquela natureza morta
junto ao degrau da escada,
meu belo bule de barro,
a colcha de barra bordada
e a flor que murcha no jarro.
Poemas também deixam vestígios.
Metáforas, alegorias.
Por eles, se chega a atalhos,
retalhos de toda uma vida.
Se queres um pouco de mim,
procura em minha poesia.
Rabiscado por Andarilha descalça
12:17 AM
O Guardador de Rebanhos XXXIX
O mistério das cousas, onde está ele?
Onde está ele que não aparece
Pelo menos a mostrar-nos que é mistério?
Que sabe o rio disso e que sabe a árvore?
E eu, que não sou mais do que eles, que sei disso?
Sempre que olho para as cousas e penso no que os homens
pensam delas,
Rio como um regato que soa fresco numa pedra.
Porque o único sentido oculto das cousas
É elas não terem sentido oculto nenhum.
É mais estranho do que todas as estranhezas
E do que os sonhos de todos os poetas
E os pensamentos de todos os filósofos,
Que as cousas sejam realmente o que parecem ser
E não haja nada que compreender.
Sim, eis o que os meus sentidos aprenderam sozinhos: ¿
As cousas não têm significação: têm existência.
As cousas são o único sentido oculto das cousas.
Alberto Caeiro (Fernando Pessoa)
Rabiscado por Andarilha descalça
3:14 PM
O Homem; As viagens
Carlos Drummond de Andrade
O homem, bicho da Terra tão pequeno
chateia-se na Terra
lugar de muita miséria e pouca diversão.
Faz um foguete, uma cápsula, um módulo
toca para o Lua
desce cauteloso na Lua
Pisa na Lua
planta bandeirola na Lua
experimenta a Lua
civiliza a Lua
humaniza a Lua.Lua humanizada: tão igual à Terra.
O homem vhateia-se na Lua.
Vamos para Marte - ordena a suas máquinas.
Elas obedecem, o homem desce em Marte
pisa em Marte
experimenta
coloniza
civiliza
humaniza Marte com engenho e arte.Marte humanizado, que lugar quadrado.
Vamos a outra parte?
Claro - diz o engenho
sofisticado e dócil.
Vamos a Vênus.
O homem põe o pé em Vênus
vê o visto - é isto?
idem
idem
idemO homem funde a cuca se não for a Júpiter
proclamar justiça junto com infustiça
repetir a fossa
repetir o inquieto
repetitório.
Outros planetas restam para outras colônias.
O espaço todo vira Terra-a-terra.
O homem chega ao Sol ou dá uma volta
só pra tever?
Não -vê que ele inventa
roupa insiderável de viver no Sol.
Põe o pé e:
mas que chato é o Sol, falso touro
espanhol domado.Restam outros sistemas fora
do solar a col-
onizar.
Ao acabarem todos
só resta ao homem
( estará equipado?)
a difísil dangerosíssima viagem
de si a si mesmo:
pôr o pé no chão
do seu coração
experimentar
colonizar
humanizar
o homem
descobrindo em suas próprias inexploradas entranhas
a perene, insuspeitada alegria
de conviver.
Rabiscado por Andarilha descalça
2:41 PM
COMO QUEM LÊ
Frederico Barbosa
Virar a chave,
como quem lê uma página:
abrir por dentro,
libertar-se sendo.
Como quem se envolve na personagem,
lento.
.
Descobrir o além do sonho,
o impensado, o certo,
o mais que imaginado.
O que os olhos buscam cobrir
no sono.
.
Ver em você, minha cara,
minha cara interpretada:
metade minha, metade clara.
Rabiscado por Andarilha descalça
11:43 AM
de pássaros e de homens
Jiddu Saldanha
singrando o céu, cavando a terra
o homem e o pássaro se dissecam
o grito é solto a asa é plena
manhãs e auroras completam a voz
o pássaro canta o homem briga
alado em seu medo de poeta
o homem traveste sua destreza
o pássaro fecha o bico em seta
o pássaro plumagem abre o olhar
seu vôo rasante afaga nuvens
o homem inventa vôo de ave
dançando na mata doce luar
vazio e incerto caminha descalço
buscando sentido no pleno sonhar
as coisas do pássaro se fazem sozinhas
as coisas do homem se erguem do chão
o homem poeta traz vôo na alma
o pássaro, atleta, faz trama no ar
Rabiscado por Andarilha descalça
8:06 AM
Poema de pedra
Angel Cabeza
Os homens sofrem como as pedras:
cheios de musgo verde
e caras feias.

Rabiscado por Andarilha descalça
9:11 AM
Labirinto
Cairo de Assis Trindade
preso a meu corpo preso a meu peso
preso a meu porto - meu endereço
preso a meu nome preso ao presente
a meu telefone - meu desespero
preso a meu ego preso a meu preço
ao que carrego e ao que careço
preso ao pesares preso aos prazeres
preso ao prosaico a pressões preconceitos
preso a prazos horários agenda
conta bancária - quanta corrente
preso a números e documentos
preso ao desprezo que sinto por eles
detento de tantos, exilado em mim mesmo
sou refém e carcereiro
tenho as chaves e as algemas
e entre grades que eu invento
me liberto
no poema.
Rabiscado por Andarilha descalça
10:25 PM
Ação de Graças do Poeta
de Bastos Tigre
Graças a vós Senhor, pela ventura
De poder isolar-me na Poesia,
Ter nela o alívio à provação mais dura,
E, no Sonho, o meu pão de cada dia.
Sentir albor de luar na noite escura,
Achar descanso e paz na nostalgia
E ver, até no pranto da amargura,
Um consolo vizinho da alegria.
Graças a vós por este dom divino
Que me defende do destino adverso,
Tornando-me senhor do meu destino.
E se em mim próprio, ruge o mal perverso,
Puro, alegre, feliz, o mal domino
E alo-me ao Céu nas asas do meu verso.

Rabiscado por Andarilha descalça
11:35 AM
Tudo
Tudo aquilo que é forte é para se respeitar.
Tudo aquilo que é bom é para se escutar.
Tudo aquilo que é lindo é para se elogiar.
Tudo aquilo que é belo é para se encantar.
Tudo aquilo que é justo é para se admirar.
Tudo aquilo que é falso é para se contestar.
E enfim, tudo aquilo que é verdadeiro
E realmente puro, é feito para se amar.
Davi Mourão Motta Drummond
Rabiscado por Andarilha descalça