Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

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VERSOS E PROSA


Cláudia Pit

Pelos ares-Adriana_ Calcanhoto









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9:36 PM


Coisa tua

assim que vi você
logo vi que ia dar coisa
coisa feita pra durar,
batendo duro no peito
até eu acabar virando
alguma coisa parecida com você
parecia ter saído
de alguma lembrança antiga
que eu nunca tinha vivido,
mas ia viver um dia
alguma coisa perdida
que eu nunca tinha tido
alguma voz amiga
esquecida no meu ouvido
agora não tem mais jeito,
carrego você no peito
poema na camiseta
com a tua assinatura
já nem sei se é você mesmo
ou se sou eu
que virei alguma coisa
tua
(Alice Ruiz)





Rabiscado por Andarilha descalça

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7:39 PM

domingo - 30/07/2006




MEU BARCO DE SONHOS


Meu barco de sonhos tu andas perdido
na bruma do tempo que tanto me foge...
Porque é que te enchi? Para teres sumido?
Não me restam sonhos para os dias d'hoje?

Eu queria agarrar-te, fazer repescagem
escolher entre todos algum que me desse
mais força na vida para a tal viagem
e que fosse em sonho que então a fizesse.

Joaquim Sustelo




Rabiscado por Andarilha descalça

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8:21 PM


O GALO FAVELADO
Osório Peixoto Silva


Nos becos bêbados
A fé sem rumo,
No tronco trêmulo,
Sem sombra e prumo,
Findou-se o fruto .
O fogo inútil
Perdeu a chama.

No estrado cama
O amor foi fúria
Porque desespero.
No quarto abrigo
O calor amigo
fugiu nas frestas.

Só tu, cantor em festa,
Cantas o dia , mesmo sendo escuro,
A rubra crista é leme erguido
Buscando sempre o nascente
Em fogo.

Em teu capote de luz e plumas,
Sobre a flor sem pétalas
E a esperança morta,
Teu canto é chama,
Chamado e brado,
Teu canto é trado
Furando escuros.

Ensinou-te o tempo
Pelo tempo a fora
Que toda noite
Tem uma aurora.
Que todo pranto
Vai regar o riso.

Ensinou-te a vida
Pela vida a fora
Que em toda treva
Há um esperar de luz,
Que em toda semente morta
Há sempre um tronco
A renascer no chão.

Por isso cantas
E teu canto explode
Sobre a flor sem pétalas
E o riso decepado,
As pústulas sangrentas,
Os pulmões brocados,
Sobre a fome e a lama.
Teu canto é chama
Queimando trevas.




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:26 PM


PRÓLOGO

Jorge Ventura

( Alguma Coisa )
Dedos: dez afiam o corpo sem censuras
Dedos desafiam o corpo: cem censuras
(Coisa Alguma)

Último toque de cor e pranto
¿ tinas inteiras.
Último toque e pronto
¿ de cortinas inteiras.
¿ antes dele rompido
ou corrompido ?

Acena a platéia em delírio.
À cena a platéia em delírio

¿ Eis o artista doido !
¿ Eis o artista doido !

Uma luz ...
sobre o palco convida a fazer teatro
Com vida a fazer teatro sobre o palco
... uma luz




Rabiscado por Andarilha descalça

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8:18 PM


Crespúsculo
David Mourão Ferreira

É quando um espelho, no quarto,
se enfastia;
Quando a noite se destaca
da cortina;
Quando a carne tem o travo
da saliva,
e a saliva sabe a carne
dissolvida;
Quando a força de vontade
ressuscita;
Quando o pé sobre o sapato
se equilibra...
E quando às sete da tarde
morre o dia
- que dentro de nossas almas
se ilumina,
com luz lívida, a palavra
despedida.




Rabiscado por Andarilha descalça

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8:30 PM


Agora Cínica

Ergue um pouco a saia.
Ajeita a blusa pro ombro ficar à mostra.

Na bolsa, o necessário:
Batom, delineador, o velho pente desdentado,
Um OB para a emergência,
O celular descarregado
Em chamadas não atendidas.

Na cabeça leve demência
Estanca qualquer pensamento.

No coração a ausência
De antiga e remota repulsa.

É só ventre.
Este sim pulsa tomado pela urgência.

Respira fundo,
Ensaia,
Chacoalha as ancas,
Sorri.

De lirismo nem lembra mais.
Aprendeu a ser arguta.

Doravante só busca o prazer.
Desce a rua resoluta
e
Se ao voltar trouxer revide
Terá sido absoluta.

Adélia Theresa Campos




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9:35 PM


Rallentando
CYANA LEAHY


Na parte mais alta fritificam

plantas quase soltas no ar esguio e ensolarado

e pelas flores e suas frutas que abundam

hei de me prostar no solo e agradecer

hei de me deitar no chão ardente

olhando de baixo e à frente

para os frutos das flores que pendem

dos galhos frágeis que aprendi



a alimentar e podar o tempo

e a regar com calma e observar o tempo

o tempo que caminha sozinho e me precede

inda que eu não esteja por perto



sem minhas mãos o tempo continuará seu rumo

e outras mãos virão cuidar e colher flores e frutos

na parte mais alta em repouso (às vezes)

em tempos mal guardados da calma e descanso



nada mudará e nada passará

e breve

o espanto de meus passos

se aquietará.




Rabiscado por Andarilha descalça

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7:05 PM


Quadrilha
(Alguma poesia)
Carlos Drummond de Andrade

João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria
que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
.



Rabiscado por Andarilha descalça

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9:23 PM


( POEMAS SECRETOS I , II e III )
Flávia Savary

I

Que se distraiam teus pés
Em mil passeios .
E tuas mãos despenteiem águas
E tranças de heras .
Mas teus olhos , não .
Teus olhos estão
Sigilados em meus tesouros .

II

O segredo voa
Nas volutas
Do hálito do amado .
Estou presa
Da cadeia de seus lábios .
Mas ainda que se abrissem
Para dizer : ¿És livre¿,
Escolheria ser triturada
Entre seus dentes.

III

Feito de madeiras nobres,
Recende a canela a incenso.
Sua cabeleira de cobre ,
Elmo de comandante ,
Cavaleiro andante ,
Errante guerreiro
Lacrado
Em secretas fontes .




Rabiscado por Andarilha descalça

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8:55 PM



Conceição Albuquerque

Atrás de mim seguem coisas que não fiz ,
Papéis guardados, marcados de tempo e saudade.

À beira do cais espero .
Não há pés que me alcancem a solidão.

Ao dobrar a esquina cortei laços , me arrependi .
Os vestígios ficaram nas nódoas do lenço
Nas dobras da dor .

Esse nó tão apertado rouba-me o ar .
Quem terá a delicadeza de desatá-lo ?




Rabiscado por Andarilha descalça

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7:44 PM


CARTA AO AMIGO
Nei Duclós


Embora não acredites
estou tão habitado
que pareço um mar

Não só pelos peixes que possuo
das mais variadas espécies
não só pelas aves que me sobrevoam

Mas também pelas ilhas de corais
pelos arrecifes, pelos icebergs que em silêncio
navegam seus volumes submersos

E principalmente
pela quantidade de rios
que deságuam em mim

Estás longe
e lembrei teus olhos
cheios de medo e desconfiança
Hoje está chovendo

Quando chover
sei que vais sentar um pouco
reler teus manuscritos do tempo do colégio
e tentar fazer coisa nova
ou pior, sonhar com eles
até que um vazio incômodo
te derrube por terra

Quando chover, em vez de chorar
lembra de mim
que não cedi um palmo .




Rabiscado por Andarilha descalça

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8:32 PM




Rabiscado por Andarilha descalça

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7:19 PM


A HORA DO AMANTE
Célia Jardim


Depois do ato eu te amo,

depois de tudo eu te chamo,

depois de cada depois,

vivo a espera de nós dois...

Mas depois de nós dois,

outra saudade, outro depois,

e novamente eu te chamo,

porque só em você eu amo...

E depois que te amo,

é terrível o depois,

porque o outro depois,

não é feito de nós dois,

quero sempre só nós dois,

sem espera dos depois...




Rabiscado por Andarilha descalça

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7:03 PM


O ROSTO
Ronaldo Costa Fernandes


Na sombra, os rostos têm todas as feições
porque nela cabe a imaginação
cuja cara é uma deusa sem rosto.

Por isso te vejo em todas as sombras ¿
sombras do quarto e da noite.
Por isso estás também
em minha mente
que vive em permanente sombra.





Rabiscado por Andarilha descalça

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3:22 PM


"Águas da Serra"


Águas que correm,
claras,
do escuro dos morros,
cantando nas pedras a canção do mais-adiante,
vivendo no lodo a verdade do sempre-descendo...
Águas soltas entre os dedos da montanha,
noite e dia,
na fluência eterna do ímpeto da vida...
Qual terá sido a hora da vossa fuga,
quando as formas e as vidas se desprenderam
das mãos de Deus,
talvez enquanto o próprio Deus dormia?...
E então, do semi-sono dos paraísos perfeitos,
os diques se romperam,
forças livres rolaram,
e veio a ânsia que redobra ao se fartar,
e os pensamentos que ninguém pode deter,
e novos amores em busca de caminhos,
e as águas e as lágrimas sempre correndo,
e Deus talvez ainda dormindo,
e a luz a avançar, sempre mais longe,
nos milênios de treva do sem-fim...

Guimarães Rosa




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:10 PM


Mulher,
vou dizer quanto eu te amo


Mulher,
vou dizer quanto eu te amo
Cantando a flor
que nós plantamos
que veio a tempo
nesse tempo que carece
dum carinho, duma prece
dum sorriso, dum encanto

Mulher, imagina o nosso espanto
Ao ver a flor que cresceu tanto
Pois no silêncio mentiroso
tão zeloso dos enganos
há de ser pura
como o grito mais profano
como a graça do perdão
E que ela faça vir o dia
dia a dia mais feliz
e seja da alegria
sempre uma aprendiz

Eu te repito
esse meu canto de louvor
ao fruto mais bendito
desse nosso amor

( Chico Buarque de Holanda )




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:38 PM


Mulher...
Antonio Zumaia

Queria... algo de muito lindo compor,
Com a calma e beleza do campo...
Que te falasse de dilúvio de amor,
O estético da serra coberta de branco.

Tudo de belo da mãe natureza,
Queria colocar neste poema.
Expressar da tua alma a beleza,
Como a serra linda e serena.

Amaria assim mais a vida,
De mim tudo teria dado,
Para que não fosses esquecida.

Se neste poema... que é fado
Poderes ver quanto és querida,
E quanto te tenho amado...




Rabiscado por Andarilha descalça

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10:36 PM


Esta Mulher
Paulo Leal da Silva


Esta mulher,
amiga, envolvente,
faz-me homem-criança,
alijando-me das carências,
tornando-me seu dependente
Seu amor transborda-me de energia,
revitalizando-me, dando-me esperança

Esta mulher,
inteligente, dengosa,
deixa-me orgulhoso,
todo prosa

Esta mulher fantástica,
faz-me acordar para a realidade
e assim,
feliz com ela,
enfrento a sociedade
que com discriminação,
comporta-se com mórbida falsidade

Esta mulher,
tão forte,
tão poderosa,
é um misto de força e meiguice,
um cheiro de rosa

Esta mulher,
quando toca meu corpo,
com amor, com experiência,
com sabedoria,
deixa-me sob intenso frenesi
e ao mesmo tempo,
induz-me à calmaria

Esta mulher,
não é utopia,
é veracidade,
não é fantasia.




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:25 AM


Desvenda-me
Iara Brandão


Tente desvendar os meus anseios
Meus delírios, meus desejos,
O que passa em meu pensamento
Tudo aquilo que o meu olhar quer lhe falar.

Quero tuas mãos lendo-me com atenção
E o meu corpo aberto como um livro
Mostrando com interesse
Qual é minha intenção.

Que eu seja para voce um mistério
Sempre procurado
Nunca encontrando
E que assim, siga-me sempre tentando me desvendar.

Sem perder a calma nem a paixão
Pois o corpo de uma mulher
É mapa que não tem fim
Pode levar a ruína ou a sua libertação.




Rabiscado por Andarilha descalça

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10:27 AM


"Já não"

Já não vejo cores...
Por beleza ou ilusão!...

Já não rezo terços...
Por acaso ou sedução!...

Já não faço versos...
Por capricho ou devoção!...

Já não meço dores...
Por carinho ou comoção!...

Já não crio cobras...
Por cuidado ou percepção!...

Já não tenho humor...
Por vaidade ou condição!...

Já não leio obras...
Por conceito ou expressão!...

Já não sinto amor...
Por fantasia ou tentação!...

António Prates




Rabiscado por Andarilha descalça

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12:41 AM


IMENSO, INTENSO


Algum imenso mar acolhe o rio,
Alguma encosta ou monte acolhe o vento,
Algum intenso inverno acolhe o frio,
Teus braços dão-me o seu acolhimento.

Algum imenso sol derrete a neve
E faz que a árvore seque ou se desfolhe;
Algum intenso amor, foi noutros, breve
Em ti, a tua alma, inda me acolhe!

Alguns intensos (?) anos me dirão
Que a vida me venceu e já não presto;
Terei o teu imenso coração
Que dele vem amor, em qualquer gesto.

E ante imensa paz que - sei- me espera,
Contraste com as guerras que há no mundo,
Sorrindo à derradeira Primavera,
Irei num sono intenso e bem profundo!

Joaquim Sustelo
(em "RAIOS DE LUZ")




Rabiscado por Andarilha descalça

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3:17 PM


O amor é o amor

O amor é o amor - e depois?!
Vamos ficar os dois
a imaginar, a imaginar?..

O meu peito contra o teu peito,
cortando o mar, cortando o ar.
Num leito
há todo o espaço para amar!

Na nossa carne estamos
sem destino, sem medo, sem pudor,
e trocamos - somos um? somos dois? -
espírito e calor!
O amor é o amor - e depois?!

Alexandre O´Neil




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:07 AM


INSENSATEZ

Ah, insensatez que você fez
Coração mais sem cuidado
Fez chorar de dor o seu amor
Um amor tão delicado
Ah, por que você foi tão fraco assim
Assim tão desalmado
Ah, meu coração, quem nunca amou
Não merece ser amado
Vai, meu coração, ouve a razão
Usa só sinceridade
Quem semeia vento, diz a razão
Colhe sempre tempestade
Vai, meu coração, pede perdão
Perdão apaixonado
Vai, porque quem não pede perdão
Não é nunca perdoado .

Vinícius de Morais




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10:12 AM


PARA SER FELIZ
Graciette Salmon

...nada saber de Geografia
ignorando, assim, a semelhança
entre a ilha perdida no oceano
e o sozinho em meio à multidão.
...não conhecer História Natural,
imaginando integram um só reino
os animais e os minerais,
não havendo surpresa ao defrontar,
a cada passo, corações de pedra.
...nunca ter aprendido Matemática
e não poder, então, somar angústias,
multiplicar tristezas e desgostos,
contar e recontar horas vazias.
...desconhecer Astronomia,
posição e distância das estrelas
supondo ser possível alcançá-las,
traze-las aos punhados, faiscantes,
para o enlevo dos olhos bem amados.
...não ter qualquer noção de Geometria,
de ângulos, triângulos, polígonos;
não entender de círculos e retas,
porque só é feliz quem nada sabe,
nem percebe que o Sonho e a Realidade
fazem jornada em ruas paralelas.




Rabiscado por Andarilha descalça

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9:03 AM


Eternamente Tu

O tempo não sabe nada, o tempo não tem razão
O tempo nunca existiu, o tempo é nossa invenção
Se abandonarmos as horas não nos sentimos sós
Meu amor, o tempo somos nós

O espaço tem o volume da imaginação
Além do nosso horizonte existe outra dimensão
O espaço foi construído sem princípio nem fim
Meu amor, huuum, tu cabes dentro de mim

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

A nossa história começa na total escuridão
Onde o mistério ultrapassa a nossa compreensão
A nossa história é o esforço para alcançar a luz
Meu amor, o impossível seduz

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Não há passos divergentes para quem se quer
Encontrar

O meu tesouro és tu
Eternamente tu
Eternamente tu

Copyright ©Jorge Palma




Rabiscado por Andarilha descalça

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11:58 AM


NÃO SE MATE

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê,
pra quê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém, ninguém sabe nem saberá.

Carlos Drummond de Andrade



Rabiscado por Andarilha descalça

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6:39 PM


"Eis o que eu aprendi
nesses vales
onde se afundam os poentes:
afinal, tudo são luzes
e a gente se acende é nos outros.
A vida é um fogo,
nós somos suas breves incandescências"
Mia Couto
(Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra)





Rabiscado por Andarilha descalça

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10:42 PM




Rabiscado por Andarilha descalça



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