Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

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Cláudia Pit

1492 A Conquista do Paraiso

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[Sexta-feira, Junho 30, 2006]


Antropologia
Nuno Júdice

como a pedra, não nasceu de um vulcão,
não formou uma ilha,
não ferveu o mar em jactos ansiosos
de céu.
O homem, como a planta,
dobra-se à passagem do ciclone,
estremece com as mutações do
tempo¿como agora,
em que as nuvens trazem já
um arrepio de outono.
Este homem tem o fundo cinzento
dessas nuvens, o seu olhar de ameaça,
a insistência em ficar¿embora
saiba que o primeiro sopro
o levará do horizonte.




por Andarilha descalça * 9:12 AM

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[Terça-feira, Junho 27, 2006]


POEMA DO RETORNO
Francisco Carvalho


a terra cobra
o que do homem
nada sobra

cobra o ouro
cobra a prata
cobra o cobre

cobra o vento
cobra o evento
cobra o invento

cobra o osso
cobra a carne
cobra o remorso.

cobra o sonho
cobra a raiva
cobra a calva.

cobra o cio
cobra o aço
cobra o ócio.

cobra a escória
cobra a cárie
cobra a memória.

cobra o modo
cobra o medo
cobra o arremedo.

cobra a febre
cobra a fibra
cobra a vida.




por Andarilha descalça * 10:43 AM

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[Segunda-feira, Junho 26, 2006]


sobre amores
esther lucio bittencourt

Que do amor sejamos
a fala doce, o inteiro
o divisível o que permeia
até o que aflige e dói.


mesmo cravados de
espanto, companheiros
na incerteza, certos de
que tudo supera a nós.


este quente que ousa a
frio insistir nesta vertente
a duvidar do existente.


eu sou amor. o seu, amado.
não há razão ou senso
que nos consinta calados
eu sou amor e seu. mais nada.




por Andarilha descalça * 2:39 PM

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[Quinta-feira, Junho 22, 2006]


Nas ruas estreitas de Minas

Nas ruas estreitas de Minas
as lembranças
se escorrem.

São casas de pau - a - pique
chão de tijolo batido
é presépio iluminado
e um cheiro de pó de café.

É andorinha barulhenta
é silêncio de fiéis
é força
é coreto
é cultura
é barroco e folia de reis.

É fogão à lenha
é goiabada com queijo
pé-de-moleque e licor
gato andando nos telhados
e jardins tão bem cuidados.

É mesa farta todo dia
é rio São Francisco
quadro de santo nas paredes
o terço das quinze horas
e os casos de assombração.

É benzedeira cortando quebranto
é poesia de Drummond
é Tiradentes e JK
Alvarenga Peixoto
e minério que não tem fim.

Nas ruas estreitas
de Minas
há pedras e pés de Josés
e em cada caminhada
sente-se o cheiro da oração
e quase sempre falta rima
mas o que importa?
Se nas ruas estreitas
de Minas
encontra-se a solução.

Andarilha descalça (Cláudia)
direitos autorais reservados





por Andarilha descalça * 10:08 AM

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[Quarta-feira, Junho 21, 2006]


Palavra

Esta palavra-tijolo
que baila na minha mente
como se eu fosse pedreiro
ou um poeta-tolo
mais parece uma gaivota
a fugir no horizonte

este cimento que escapa
da colher de um poeta
não passa de uma chapa
de gravura incompleta

esta folha-palavra
umas vezes tão verde
outras tantas seca
entra em mim
em mim cai
como pedra obsoleta

esta fogueira-poesia
feita de troncos de nada
acesa em qualquer dia
em qualquer dia se apaga

Adriano Pinho


Para ti, para Beethoven



sabes?
Ontem
isolei-me
Ouvi a oitava.
era alegre
sendo triste;
meiga,
vagarosa,
mansa
e imponente;
delicada
e fremente
corredoira,
maviosa,
harmoniosa;
forte
ou fraca;
moderada,
andante,
ondulante.
depois...depois...
quieta,
afastada
acercada,
envolvente;
calada
e falante,
doce
e violenta;
suavíssima.
partida, depois...
segura
e medrosa,
imponente
ou comovente.
vulgar...
piano
pianíssimo
refulgente.
era a oitava.
milésima a nota da partitura.
chorei.
compus
a nota
que transformaste.
é plágio!
gritei.
disseste:
não!
quem ama a oitava
não ouve
a sexta
poderosa
a nona
arrepiante!


Adriano Pinho



por Andarilha descalça * 12:13 PM

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[Terça-feira, Junho 20, 2006]


Tenta Esquecer-me
Mário Quintana

Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como evocar
Um fantasma... Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
é não poder parar!






por Andarilha descalça * 1:40 PM

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[Segunda-feira, Junho 19, 2006]


Ampulheta
Jorge Fernando dos Santos



Cai a areia
grão a grão
gota a
gota
vai
a
vida
ávida de
vinho e pão
escoa, esvai .





por Andarilha descalça * 2:50 PM

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[Terça-feira, Junho 13, 2006]




por Andarilha descalça * 9:17 AM

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[Segunda-feira, Junho 12, 2006]


Soneto da Fidelidade
Vinicius de Moraes


De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zêlo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e darramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contetentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, pôsto que e chama
Mas que seja infinito enquanto dure.




por Andarilha descalça * 4:40 PM

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[Sábado, Junho 10, 2006]


Definição de infinito:
Elíude Viana

O que dois pontos humanos

podem ser no universo dos Desejos?

Podem ser estrelas...

Podem ser bichos...

Podem ser areia...

Ou podem ser nada

- o que pode ser tudo.




por Andarilha descalça * 6:35 PM

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[Sexta-feira, Junho 09, 2006]


Renúncia
Cecília Meireles

Sê o que renuncia
Altamente:
Sem tristeza da tua renúncia!
Sem orgulho da tua renúncia!
Abre a tua alma nas tuas mãos
E abre as tuas mãos sobre o infinito.
E não deixes ficar de ti
Nesse último gesto!




por Andarilha descalça * 9:50 PM

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[Segunda-feira, Junho 05, 2006]

Visitem meu novo blog.
Comentem...

http://www.andarilhaartdesign.blogger.com.br/

por Andarilha descalça * 4:45 PM

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[Sexta-feira, Junho 02, 2006]


Em meus momentos escuros
Em que em mim não há ninguém,
E tudo é névoas e muros
Quanto a vida dá ou tem,

Se, um instante, erguendo a fronte
De onde em mim sou aterrado,
Vejo o longínquo horizonte
Cheio de sol posto ou nado

Revivo, existo, conheço,
E, ainda que seja ilusão
O exterior em que me esqueço,
Nada mais quero nem peço.
Entrego-lhe o coração.

Fernando Pessoa




por Andarilha descalça * 12:23 PM

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[Quinta-feira, Junho 01, 2006]


Não sou a areia
onde se desenha um par de asas
ou grades diante de uma janela.
Não sou apenas a pedra que rola
nas marés do mundo,
em cada praia renascendo outra.
Sou a orelha encostada na concha
da vida, sou construção e desmoronamento,
servo e senhor, e sou
mistério.

A quatro mãos escrevemos o roteiro
para o palco de meu tempo:
o meu destino e eu.
Nem sempre estamos afinados,
nem sempre nos levamos
a sério.


Lya Luft,
em "Perdas e Ganhos"




por Andarilha descalça * 5:02 PM

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