Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

1492 A Conquista do Paraiso
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[Terça-feira, Maio 30, 2006]


POÉTICA I
Vinicius de Moraes

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.





por Andarilha descalça * 4:58 PM

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[Segunda-feira, Maio 29, 2006]


Dona do Mar...

Teus cabelos louros...
São redes lançadas
Onde me colhes

Teus doces lábios...
Sopram as ondas
Que me vão banhar

Teus olhos são...
Lampadas do farol
Que ilumina a enseada

Teus seios...
Velas enfunadas
Abertas ao vento

Tuas mãos...
Amarras fortes
Que seguram meus cais

Teu ventre...
Porão que abriga
O nosso Amor!


Jorge Assunção
2006/05/26




por Andarilha descalça * 3:07 PM

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[Sexta-feira, Maio 26, 2006]


Quase


Ontem quase
Quase minhas mãos em seus cabelos
Quase teus lábios nos meus
Quase felicidade plena
Quase
Quase
Ontem quase
Quase seu cheiro em minha memória
Quase eu e você fomos nós
Quase romance
Quase

Armando Roda



por Andarilha descalça * 11:52 AM

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[Quinta-feira, Maio 25, 2006]


Sua vida
Iara Brandão


Por que você trava o seu sentimento?

Desejando apenas sofrer?

Se a vida é vivida em momentos

Porque se fechar para as alegrias que ela tem a lhe oferecer?



Pare de lutar contra você próprio.

Perceba que tem tudo que necessita.

A vida não é perfeita, eu sei.

Mas pode ser mais colorida, basta que você permita.



Seja mais calmo e tente entender esta estrada

Os doces caminhos que cada um tem que escolher

Pare de sofrer por antecipação

Confie mais em você



E chega de venerar suas amarguras

Fatos passados não podem mudar o rumo que está.

Mas ainda há o presente e futuro

Caminhos que pode melhorar, se você acreditar.




por Andarilha descalça * 8:19 AM

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[Terça-feira, Maio 23, 2006]


Amanhã

Amanhã! - é o sol que desponta,
É a aurora de róseo fulgor,
É a pomba que passa e que estampa
Leve sombra de um lago na flor.

Amanhã! - é a folha orvalhada,
É a rola a carpir-se de dor,
É da brisa o suspiro, - é das aves
Ledo canto, - é da fonte - o frescor.

Amanhã! - são acasos da sorte;
O queixume, o prazer, o amor,
O triunfo que a vida nos doura,
Ou a morte de baço palor.

Amanhã! - é o vento que ruge,
A procela d'horrendo fragor,
É a vida no peito mirrada,
Mal soltando um alento de dor.

Amanhã! - é a folha pendida.
É a fonte sem meigo frescor,
São as aves sem canto, são bosques
Já sem folhas, e o sol sem calor.

Amanhã! - são acasos da sorte!
É a vida no seu amargor,
Amanhã! - o triunfo, ou a morte;
Amanhã! - o prazer, ou a dor!

Amanhã! - o que val', se hoje existes!
Folga e ri de prazer e de amor;
Hoje o dia nos cabe e nos toca,
De amanhã Deus somente é Senhor!

(Gonçalves Dias)




por Andarilha descalça * 9:50 AM

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[Segunda-feira, Maio 22, 2006]


TOC-TALK

Falar é se livrar de sons
Como ensinar é aceitar fingir
Como temer é se iludir
Mostrar é presentear números

Falar é motivar um fogo
Como o amor é a danação do ódio
Como esperar é querer o jogo
Como viver é representar o óbvio

Falar é avisar ouvidos
Como ouvir é retocar silêncios
E cheirar é enxergar o nojo
Repousar é ruminar cansaços

Falar é pintar significados
Como a mente que discursa pensamentos
Como os olhos que conceituam fatos
E a alma que canta pausas.

Falar é exalar palavras
Como as flores que dizem cheiros
Os alimentos que contam sabores
E as mãos que pronunciam carícias.

César Miranda




por Andarilha descalça * 2:05 PM

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[Domingo, Maio 21, 2006]


Para os meus irmãos Brasileiros...
Ferdinando



Criemos outro mundo!

Onde a verdade não seja intangível,

E sem o ditar dos flagelos,

Nas noites de ventos insondáveis!...



Na versatilidade dos nossos sentidos...

Há diafragmas de medo...

No coração mais triste dos mendigos!

A quem o homem conta facetas coloridas...

Devemos juntar o nosso grito, na haste

Mais alta da humanidade...



Que o olhar fulgurante das crianças,

Sejam estrelas não vendáveis!...

Nascem asas nas palavras liquefeitas

Como sustos de navios naufragados,

Para engordar os medos...



Com a foça destes versos...

Erguidos na procela dos meus dedos...

Cheios de luz e de sonho!

Serei um bradar amigo e sem medos...

E aos deserdados da sorte, darei o meu alento,

E o meu grito, na ambição ridente...

Da vossa liberdade desejada .





por Andarilha descalça * 9:35 PM

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[Sexta-feira, Maio 19, 2006]


CAOS DO SILÊNCIO


¿Cavar em cérebros rotos
De buracos sem fundo
Caminhar em areias movediças
Da metafísica tridimensional (¿),
Navegam barcos dogmáticos
Ornamentados pela bandeira da loucura
Nos oceanos decapitados da razão¿
Armas tranchantes de todos os sentimentos
Erram na obsessão depressional
De todas as vítimas deste caos.
GRITO
GRITO! GRITO!
Ninguém ouve
Deixo-me escorregar
Na teia deste caos
E sufoco
Sufoco mesmo o meu grito¿
Um silêncio impiedoso
Apodera-se de todo o horizonte
De todos os mares, de todos os desejos
De todas as vozes
De todos os gritos
É O CAOS DO SILÊNCIO !¿

Manuela Pittet (do livro: "Cartas da minha Alma")




por Andarilha descalça * 4:12 PM

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[Quarta-feira, Maio 10, 2006]


DE PAPEL PASSADO
Elza Beatriz

Certidão de amor
te dou
quando prender
no papel
um pássaro de nuvem
que gorjeie.




por Andarilha descalça * 9:36 PM

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[Segunda-feira, Maio 08, 2006]


Oceanografia do rosto
Eduardo Martins



Transparente, o rosto
Também é água
Fora de seus domínios

Tenta ser olho apenas
Para evadir-se
Como parte de rio

Em seu tempo sereno
As ondas são inimigas
Deste mar equilibrado.

Como concha, ainda
Revela-se o rosto
Pacífico e Atlântico

Índico em seu idílio
De remontar outro mar

Ártico em seu desejo
De querer-se íntimo

Glacial, Antártico
Em desejo de se revelar.





por Andarilha descalça * 9:30 PM

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[Domingo, Maio 07, 2006]



Pai Nosso
Wanderlino Arruda


A ti, Senhor, que és
pleno de luz e de amor,
e estás nos céus e em toda parte,
onde o teu nome é sempre bendito e santificado.
em constante e eterna bondade.


A ti, Senhor, apresentamos nosso pedido:
dá-nos o teu reino
de alegria, de compreensão;
a tua vontade e não a nossa seja feita,
aqui, onde estamos, aí onde estás e estaremos um dia;
o pão da saúde, da disposição ao trabalho,
do entender e ser entendido,
do amar e ser amado,
dá-nos hoje, dá-nos sempre, Senhor.


Ainda caminhantes no erro,
dá-nos o teu perdão e o ensinamento
de como devemos perdoar.
À criança que existe ainda em cada um
dá, Senhor, a tua proteção.


Liberta-nos do mal,
ampara-nos no caminho do bem,
pois teu, Senhor, somente teu,
é o poder, o reino e a glória
para sempre,
para todo o sempre.





por Andarilha descalça * 4:22 PM

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[Sábado, Maio 06, 2006]


A todas as Mães...


A todas as Mães,
com alma e coração
A todas as Mães,
sem exceção...

De todas as raças e cores
De todos os credos e sabores
A todas as Mães ricas
A todas as Mães pobres.

Obrigado...
Por mais um ano
Obrigado...
Por mais uma criança
Obrigado...
Por mais uma espiga
Obrigado...
Por mais uma codea
Obrigado...
Por mais um choro
Obrigado...
Por mais um sorriso
Obrigado...
Por mais um dia de Paz.

A todas as Mães...
Com a alma e o coração
A todas... sem exceção.
Muito Obrigado!


Jorge Assunção
2006 / 05 / 02




por Andarilha descalça * 9:31 PM

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[Sexta-feira, Maio 05, 2006]


Poeta, Não

Não sou poeta... Não. Poeta? Não!
Sentindo tudo o que sonhei desfeito,
Despacho aquilo que me vem do peito,
Num gemido de dor nocoração.

O ser poeta é algo mais perfeito:
É cantar o amor com vibração;
É chorar rindo, a morte da ilusão;
É ter, de pronto, para tudo, um jeito.

O ser poeta é ter o dom da lira;
A predestinação de quem vê tudo...
É ter na vida, sempre a luz na mira.

O ser poeta é ter a divina meta;
Transpor a amplidão num grito mudo...
O ser poeta... é mesmo SER POETA!!

Milton de Sá Cavalcante




por Andarilha descalça * 10:34 PM

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[Quarta-feira, Maio 03, 2006]


Os versos que te fiz
Florbela Espanca

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!




por Andarilha descalça * 10:48 PM

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