Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

1492 A Conquista do Paraiso
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[Quarta-feira, Novembro 30, 2005]


OS POETAS DE SIDNEY
AG Jacobsen


Penso frequentemente
nos poetas de Sidney, Austrália.
Não naqueles que saem nos jornais,
dão entrevistas, publicam livros,
são respeitados e citados;
Mas naqueles que acordam pela manhã,
incertos de si mesmos.
E que, quando caminham pela rua,
não são cumprimentados ou reconhecidos;
são transeuntes quaisquer.
Penso frequentemente
nos poetas de Sidney, Austrália.
Nos milhares de obscura existência,
que se perdem em quartos esquecidos,
nos seus empregos monótonos
e com suas mulheres cotidianas,
cujos versos sem sentido
e de dúbia qualidade,
nunca são lidos.
Suas palavras me corroem o espírito,
nessa mágica universal
que é ser poeta, desconhecido,
de Sidney,
na Austrália.




por Andarilha descalça * 12:15 AM

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[Segunda-feira, Novembro 28, 2005]


"Todos os poemas são um só poema/todos os porres são um mesmo
porre/não é de uma vez que se morre/ todas as horas são extremas."

Mário Quintana




por Andarilha descalça * 1:35 AM

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[Domingo, Novembro 27, 2005]


"Se nos encontrarmos
outra vez no crepúsculo da
memória, conversaremos
de novo e cantareis para
mim uma canção mais profunda.
E se nossas mãos se encon-
trarem noutro sonho, construiremos
mais uma torre no céu."
Khalil Gibran


por Andarilha descalça * 10:35 PM

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[Sábado, Novembro 26, 2005]




por Andarilha descalça * 1:30 AM

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[Quinta-feira, Novembro 24, 2005]


A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como
sou - eu não aceito.
Não agüento ser apenas um
sujeito que abre
portas, que puxa válvulas,
que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora,
que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.
Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem
usando borboletas.

(Biografia do orvalho / Manoel de Barros)




por Andarilha descalça * 1:16 AM

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[Terça-feira, Novembro 22, 2005]


Inventário


Poucos versos,
Algumas dores,
Bombons no fundo da bolsa,
Papeis de balas e chicletes,
Recortes,
Pente,
Analgésico.

Levo comigo no ombro
Pedaços incertos de nada
Carteira
Documento,
Moedas,
Novena de santo,
Esmalte.

Misturo bagunça e perfume
Enderereço e telefone
Em guardanapo perdido
Miçanga,colar partido,
Relógio velho,
Gravura.

Lá no fundo,
Bem no canto,
Resto de sonho escondido,
Uma foto já amassada,
Com manchas escuras incertas,
Tempo, baton, esperança.

Perola Mares





por Andarilha descalça * 11:04 PM

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[Sexta-feira, Novembro 18, 2005]



Clarice por Drummond
MARIO FAUSTINO



O poeta Eucanãa Ferraz lendo o poema "Visões de Clarice", de Carlos Drummond de Andrade:

Clarice,veio de um mistério, partiu para outro.

Ficamos sem saber a essência do mistério.
Ou o mistério não era essencial,
era Clarice viajando nele.

Era Clarice bulindo no fundo mais fundo,
onde a palavra parece encontrar
sua razão de ser, e retratar o homem.

O que Clarice disse, o que Clarice
viveu por nós em forma de história
em forma de sonho de história
em forma de sonho de sonho de história
(no meio havia uma barata
ou um anjo?)
não sabemos repetir nem inventar.
São coisas, são jóias particulares de Clarice
que usamos de empréstimo, ela dona de tudo.

Clarice não foi um lugar-comum,
carteira de identidade, retrato.
De Chirico a pintou? Pois sim.

O mais puro retrato de Clarice
só se pode encontrá-lo atrás da nuvem
que o avião cortou, não se percebe mais.

De Clarice guardamos gestos. Gestos,
tentativas de Clarice sair de Clarice
para ser igual a nós todos
em cortesia, cuidados, providências.
Clarice não saiu, mesmo sorrindo.
Dentro dela
o que havia de salões, escadarias,
tetos fosforescentes, longas estepes,
zimbórios, pontes do Recife em bruma envoltas,
formava um país, o país onde Clarice
vivia, só e ardente, construindo fábulas.

Não podíamos reter Clarice em nosso chão
salpicado de compromissos. Os papéis,
os cumprimentos falavam em agora,
edições, possíveis coquetéis
à beira do abismo.
Levitando acima do abismo Clarice riscava
um sulco rubro e cinza no ar e fascinava.

Fascinava-nos, apenas.
Deixamos para compreendê-la mais tarde.
Mais tarde, um dia... saberemos amar Clarice.




por Andarilha descalça * 8:48 PM

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[Quarta-feira, Novembro 16, 2005]


O Amor em Pouso de Ave
Jaime Vaz Brasil


Eis que eu te queria plena,
mas não com ares de entrega.



(Antes, o olho invasivo
da paixão aguda e cega).



Eis que eu te queria inteira
mas não assim, repentina.



(Antes, o corpo que aos poucos
é entregue a quem se destina).

Eu te queria fechada


sem janelas e postigos.

(Mas chave pronta em segredo


ao que não penso ou não digo).

Eu te queria nos ventos:


só por ver-te, me consolo.

Tu, o meu pássaro doido.


Eu, tua sombra no solo


Eis que eu te queria calma
mas não constante e tão quieta

.

(Antes, o denso imprevisto
de uma tela incompleta).



Eis que eu te queria louca
mas não assim, em conflito.



(Antes, linha que me solta
preso ao timbre do teu grito).



Eu não queria um amor
quee sangra em beijo partido.



(Mas alma em pouso de ave
ao colo dos meus sentidos).



Eu aprendi que o teu nome
me liberta e me vigia.

Por isso te quero minha.
Para sempre. Ou por um dia.





por Andarilha descalça * 1:10 AM

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[Domingo, Novembro 13, 2005]




por Andarilha descalça * 7:39 PM

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[Sábado, Novembro 12, 2005]


Espelhos das águas
odeteronchibaltazar

Assusto-me
com os tantos caminhos
que a vida delineou em minha boca,
em meus olhos,
em meus dias.
Não me dei conta dos traçados
inúteis
que deixei vingar.
Nem me preocupei
em construir pontes,
demarcar fontes
onde, mais tarde,
eu pudesse me refrescar
e conseguisse reerguer minhas fantasias.
Agora,
miro este corpo marcado,
este chão quebrado e
corro feito louca
contra o tempo.
Mas ficou tarde
para
retomar verdades.
Inútil querer voltar ao passado.




por Andarilha descalça * 9:06 PM

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[Quinta-feira, Novembro 10, 2005]


Antonio Brasileiro
POEMETO

Não há o que temer
nem aplaudir.

O que somos é só
este fremir.

Parte de mim é bela.
Parte é aquela

vontade de fugir.




por Andarilha descalça * 11:35 PM

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O vento

sente-se
não se vê
canta
sem garganta
encanta
desencanta
aquece
arrefece
emudece

o vento
solta os cabelos
empurra areia
dos cabedelos
assobia
atrofia
leva a semente
e não mente

o vento
traz xaile de mulher
chora e ri
por um motivo qualquer
que a gente sente
mas não conhece
nem de onde é proveniente

o vento é como a mulher?


adriano pinho





por Andarilha descalça * 1:16 AM

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[Domingo, Novembro 06, 2005]



Negro olhar

De tão profunda
noite eram
teus
olhos que
ao
acaricia-los
colhi
estrelas.

Graça Carpes




por Andarilha descalça * 8:30 PM

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[Sábado, Novembro 05, 2005]




por Andarilha descalça * 1:07 AM

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[Quinta-feira, Novembro 03, 2005]


Sempre havera poesia

Não digais que, esgotado seu tesouro,
Por falta de assuntos emudeceu a lira;

Poderá não haver poetas; porém sempre
Haverá poesia!

Enquanto as ondas da luz ao beijo
Palpitem acendidas,
Enquanto o sol as desgarradas nuvens
De fogo e ouro vista,

Enquanto o ar em seu seio leve
Perfumes e harmonias,
Enquanto exista no mundo primavera,
Haverá poesia!


Enquanto a ciência humana não descubra
A origem da vida,
E entre o mar e o céu exista um abismo
Que ao cálculo resista,

Enquanto a humanidade, sempre avançando,
Não saiba para onde caminha,
Enquanto exista um mistério para o homem,
Haverá poesia!


Enquanto sentirmos que a alma rí,
Sem que os lábios ríam;
Enquanto choremos, sem que o pranto acuda
A nublar a pupila;

Enquanto o coração e a cabeça
Batalhando prossigam,
Enquanto existam lembranças e esperança,
Haverá poesia!


Enquanto existam olhos que refletem
Outros olhos que os miram,
Enquanto responda o lábio suspirando
A outro lábio que suspira,

Enquanto sentir-se possam num beijo
Duas almas confundidas,
Enquanto exista uma mulher formosa,
Haverá poesia!

G.A.Bécquer





por Andarilha descalça * 12:04 AM

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[Quarta-feira, Novembro 02, 2005]


Sémen

trazias nos olhos
o sémen duma flor
e o teu corpo fechado
quase livre e desnudado
movia-se como um rio

dos teus lábios sequiosos
saíam palavras escondidas
como se a tua boca fosse
uma fonte, um roseiral

respiravas poesia, dormente
como gaivota de espuma
a cruzar céus e bruma
nos olhos vazios da gente

fugiste de Neptuno conhecida
voando no Olimpo da vida

adriano pinho




por Andarilha descalça * 12:24 AM

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