Caminhos onde meu olhar pousa,
minha mente habita...
Caminhos de imagens,
palavras,
sentimentos...
Caminhos por onde transita
minha alma andarilha.
[Sábado, Abril 30, 2005]
Somos pessoas estranhas
Rodrigo Garcia Lopes
Somos
pessoas
estranhas
nem sabemos
que sonhos
que somos
esses
olhos
poucos
essas
folhas
secas?
esqueçam
fiquem
calados
somos
estranhos
no entanto
esta noite
dormiremos
lado a lado.
por Andarilha descalça * 12:00 AM
[Sexta-feira, Abril 29, 2005]
Encanta-te o diálogo, Andarilha
A mim também me encanta, me seduz
Pois é através dele que vem luz
E a luz alumiando é maravilha
Reforça a amizade e em nós brilha
Todo esse sentimento que é sincero
Que é já deste diálogo o que espero
Amizade entre nós ela fervilha
Juntaste-te, inda bem, e todos nós
Distantes uns dos outros damos voz
A tudo o que na alma cá nos vai
Um beijo daqui mando com carinho
Ao dedicar-te este poemazinho
Que não queria fazer... mas ele sai.
Joaquim Sustelo
por Andarilha descalça * 12:16 AM
[Quinta-feira, Abril 28, 2005]
A CANÇÃO DO ACASO
EVILAZIO VITOR
Soluça
Trêmulo
O pingo,
Sexta, Sábado,
Domingo...
Soluça com força
Como um espirro
Espalhando tempestade
Depois vento frio.
A flor do verão
Está triste,
O vento a levou
Pelos ares,
Como nuvens
E olhares
Levam silenciosamente
Palavras.
Soluça,
Tremula
Bandeira
De glórias perdidas
E vitórias inalcançadas,
Faz vendaval
Levando
Meu pensamento,
Que se espalha,
Com luminosa alma
Para o infinito.
Até que sendo chuva,
Partirá com a saudade
Por mil lugares,
Mil conhecerão
Tua majestade.
E quando
As flores
De tuas gotas
Estiverem abertas,
Finja que isto é
Felicidade...
por Andarilha descalça * 12:06 AM
[Quarta-feira, Abril 27, 2005]
Nunca ninguém sabe
Mário Quintana
Nunca ninguém sabe se estou louco para rir ou para chorar.
Por isso o meu verso tem esse quase imperceptível tremor...
A vida é louca, o mundo é triste:
Vale a pena matar-se por isso?
Nem por ninguém!
Só se deve morrer de puro amor...
por Andarilha descalça * 12:25 AM
[Terça-feira, Abril 26, 2005]
Ontem
Euclides Cavaco
Ontem, foi apenas mais um dia que passou,
Sem dar por isso, se dele não há lembrança,
Mas se dele, alguma coisa nos ficou,
Que ela seja, o alimentar duma esperança.
Ontem foi apenas, mais uma pétala caída ¿
Que mal caiu, foi levada pelo vento,
Dessa flor, que retrata a nossa vida,
No seu mais permanente movimento.
Para onde foi cada pétala desfolhada?
Da frágil flor, que ainda tem perfume ¿
Porquê? O vento as levou sem dizer nada! ¿
Bem sei que nada vale o meu queixume,
Porque cada ontem, é memória mitigada ¿
Do breve tempo ¿ A que a vida se resume! ¿
por Andarilha descalça * 12:03 AM
[Segunda-feira, Abril 25, 2005]
O CRIADOR SABE O QUE FAZ
Creio no amor,
que ele é capaz de muito;
creio no homem,
que ele seja capaz de mudar para melhor sempre;
creio no amigo,
tomara que ele seja capaz de suportar minhas michelas;
creio nos bons filhos
que eles acompanhem seus pais até o término dos dias;
creio nos dias idos e vividos
como aprendizagem constante nessa vida;
creio no vai-e-vém da natureza
aceitando, ou dando o troco que o homem merece quando a agride;
creio que Deus seja uma energia!
que pena não saber explicá-la.
Creio que a bondade seja a salvação dos homens
e afirmo:
seja bom sempre mas se não quiser sê-lo, seja assim mesmo!
Só a bondade evita os males humanos!
Tenho dúvidas:
sobre vida após a morte,
sobre o caráter humano,
sobre nosso grau de intelectualidade,
sobre religiosidade,
sobre a necessidade de estarmos aqui,
sobre a bondade,
sobre muitos casos de amor...
sobre a lealdade!
Porém,
o Criador sabe o que faz!
Sabe que o animal é mais amigo que o homem!
Sabe que precisamos evoluir!
Que somos uma poerinha cósmica diante do Universo
que enquanto não formos humildes de fato,
seu ato Criador está falho!
Portanto colaboremos com o Pai,
e caminhemos, trôpegos ou firmes,
fortes ou fracos, mas vamos!
Contornando os problemas...mas vamos!
Sempre em frente...
porque atrás...vem mais gente!
Margaret Pelicano
por Andarilha descalça * 12:12 AM
[Quarta-feira, Abril 20, 2005]
E por vezes...
David Mourão-Ferreira
E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
encontramos de nós em poucos meses
o que a noite fez em tantos anos.
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes...Ah! Por vezes
num segundo se evolam tantos anos...
por Andarilha descalça * 12:11 AM
[Terça-feira, Abril 19, 2005]
Seus Olhos
Gonçalves Dias
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
Estrelas incertas, que as águas dormentes
Do mar vão ferir;
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Têm meiga expressão,
Mais doce que a brisa, - mais doce que o nauta
De noite cantando, - mais doce que a frauta
Quebrando a solidão,
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
De vivo luzir,
São meigos infantes, gentis, engraçados
Brincando a sorrir.
São meigos infantes, brincando, saltando
Em jogo infantil,
Inquietos, travessos; - causando tormento,
Com beijos nos pagam a dor de um momento,
Com modo gentil.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Às vezes luzindo, serenos, tranqüilos,
Às vezes vulcão!
Às vezes, oh! sim, derramam tão fraco,
Tão frouxo brilhar,
Que a mim me parece que o ar lhes falece,
E os olhos tão meigos, que o pranto umedece
Me fazem chorar.
Assim lindo infante, que dorme tranqüilo,
Desperta a chorar;
E mudo e sisudo, cismando mil coisas,
Não pensa - a pensar.
Nas almas tão puras da virgem, do infante,
Às vezes do céu
Cai doce harmonia duma Harpa celeste,
Um vago desejo; e a mente se veste
De pranto co`um véu.
Quer sejam saudades, quer sejam desejos
Da pátria melhor;
Eu amo seus olhos que choram em causa
Um pranto sem dor.
Eu amo seus olhos tão negros, tão puros,
De vivo fulgor;
Seus olhos que exprimem tão doce harmonia,
Que falam de amores com tanta poesia,
Com tanto pudor.
Seus olhos tão negros, tão belos, tão puros,
Assim é que são;
Eu amo esses olhos que falam de amores
Com tanta paixão.
por Andarilha descalça * 12:02 AM
[Domingo, Abril 17, 2005]
ERRÁTICO
Paul Celan
As noites se fixam
sob teu olho. As sílabas re-
colhidas pelos lábios ¿ belo,
silencioso círculo ¿
ajudam a estrela rastejante
em seu centro. A pedra,
um dia perto da fronte, abre-se aqui:
ante todos os
espalhados
sóis, alma,
estavas, no éter.
( tradução: Claudia Cavalcanti )
por Andarilha descalça * 12:09 AM
[Sábado, Abril 16, 2005]
Cancioneiro"
Fernando Pessoa
Ó Nau Felizes, que do mar vago
Volveis enfim ao silêncio do porto
Depois de tanto noturno mal -
Meu coração é um morto lago,
E à margem triste do lago morto
Sonha um castelo medieval...
E nesse, onde sonha, castelo triste,
Nem sabe saber a, de mãos formosas
Sem gesto ou cor, triste castelã
Que um porto além rumoroso existe,
Donde as naus negras e silenciosas
Se partem quando é no mar amanhã...
Nem sequer sabe que há o, onde sonha,
Castelo triste... Seu spírito monge
Para nada externo é perto e real...
E enquanto ela assim se esquece, tristonha,
Regressam, velas no mar ao longe,
As naus ao porto medieval...
por Andarilha descalça * 12:14 AM
[Sexta-feira, Abril 15, 2005]
Esta dor
Esta dor que me atravessa o peito
Que me enlouquece de amor ferido
Eu queria que fosse apenas despeito
Mas é a tormenta que tenho sentido
Eu queria ser a rocha que de tão forte
Resiste à tempestade, vil tão intensa
Aquela que não ama e que não pensa
A árvore sempre de pé após a morte
Mas a rocha também chora de tristeza
A tempestade é fraca e como quem reza
Pedindo aos céus um pouco de calmaria
O sol ardente a seu tempo numa prece
Pede que não chore por quem não merece
Eu só peço a Deus menos penar... um dia...
Marta Lima
3/10/2003
por Andarilha descalça * 12:05 AM
[Quinta-feira, Abril 14, 2005]
Cálice cibernético
@to ¿ I
Oh...
Telepática Apática Cibernética.
Procura-se um único Ser constante
neste universo de Informação-Transformação.
No visor... Vejo um Computador.
Processando dados...
A boca molhada beija a tela fria...
Em frente da mente que...mente descrente.
Mãos... suadas teclam botões
ao invés de um corpo.
Um certo Corpo...distante.
No exato momento declarado presente...
Online...Offline.
Formato...
Perdido de frente ao nada...
Tudo Observo...
@to ¿ II
Brincas com vidas
Depois esquecidas
Em tempo Cibernético.
Mente. Navegas em naus
Diferentes... Qual mente
Em mentes. Inventas ilusões
Presentes. Criança perdida
Bastarda num mundo Ser
¿Salvas¿Emoções. Te vejo
Em espaço e tempo
De antíteses
¿Só mente¿
antíteses
Universo
Inverso
De um
Verso.
C @ lice
C @ lido
...Verso...
..Calado..
No Espaço
E eu @ ...........
Observo Uma ilha...
@to ¿ III
Ilha... Navegas sob pressão.
Paixão...
Sem tempo descobre que o instante
é pura ilusão de SERES E SERES.
Em busca de perfeição.
Telepática. Apática. Cibernética.
Na mente que mente Ilusão.
Procuras em vão. Antíteses...
...e eu. Em Constante...
Contraste... Com tudo...
Neste Mundo Encontro...
O nada. Procuro...
Perdidas Ilusões...
Não existe mais um único SER constante
neste imenso universo
Online... Offline
Só... Observo...
Ilhas...que navegam...
[ Maria Inês Simões ]
1º Lugar - Concurso de Poesias - Correios - ECT - 1998
por Andarilha descalça * 12:21 AM
[Quarta-feira, Abril 13, 2005]
Plenitude
Hélio Pellegrino
A pedra, o vento,
a luz alteada,
o salso mar eterno,
o grito do mergulhão,
sob o infinito azul:
¿ Deus não me deve nada.
por Andarilha descalça * 12:08 AM
[Terça-feira, Abril 12, 2005]
Águas necessárias
(Anamerij)
não sei se o tempo me acontece, ou se aconteço no tempo.
em noites de lua cheia costumo uivar, junto-me aos lobos.
nas manhãs de abril, visto-me em contrições, ungida por resguardos de quaresma ando nos roxos-paixão, viuvando conformidades em respeitoso pranto, por cada cristão, dentro de mim - morto.
nunca sei minha meteorologia, mesmo em dias solares....dou de chover.
dizem :
- melancolia...emoções instáveis.
desdigo:
-descarrego de fardos ,cumulação de nuvens, sofrimento de densidades.
chovo :
por desalegrias
por desempatias
pode ser...
pode até nem ser.
não me importam as causas, não busco saber verdades.
simplesmente chovo.
chovo-me por desesperada necessidade.
por Andarilha descalça * 11:36 PM
[Sexta-feira, Abril 08, 2005]
A pena do poeta
OlgaMatos
Não haverá outras saídas,
estas serão vedadas aos poetas
atrevidos, ladrões do Universo,
espertos rufiões na lida da poesia!
A estes a pena máxima,
o cárcere úmido das lágrimas
da natureza sensibilizada,
em cuja urna geraram-se!
Dos teus versos, poeta , és cativo!
Flechas a poesia e a eternizas,
à revelia dos ecos fugitivos!
Pena, no verdadeiro vate, anda farta,
jamais o dó de seu refrão, há de apagar-se,
mesmo após traçar o próprio epitáfio!!
por Andarilha descalça * 12:51 PM
[Quarta-feira, Abril 06, 2005]
DE MISTICA
O SILÊNCIO E O RISO
Vivendo o Silêncio
Que antecede a palavra.
O Riso é como pedra numerada
Mesmo antes da morte.
No Silêncio, no Riso,
Somos corpos indefesos¿
O Silêncio diz: Eu Sou¿
O Riso diz: Em ti me incluí¿
Juntos podemos até dançar com o Sol e a Lua
E esmagarmos de Silêncio e Riso as pedras da
rua,
Estrelas e planetas neste principio de criação.
Seremos fogo sem fim¿
A Rir e em Silêncio caímos como ondas
Mas, nos corações.
Em Silêncio e Riso
Chegaremos na maré alta¿
Em Silêncio e Riso caímos
Como vagas
Encontramos os vossos peitos
Beijando-vos os corações.
Fernando Pascoa
por Andarilha descalça * 11:39 AM
[Terça-feira, Abril 05, 2005]
MUSA
Roubada no instante de um verbo
Beleza num momento adorado
Sereia que te apaga o fogo do inferno
E faz do arco-íris um olhar dourado...
Chamas-me, gritas-me, imploras-me
De desespero, coração destroçado
Colocas as mãos em reza e choras-me
Sentes-te na solidão , desgraçado...
Musa...
Tráz-me o teu mundo encantado
Canta-me o amor abençoado
Deixa-me sentir que sou amado
Senta-te um instante a meu lado
Musa, conta-me o teu mundo
Em quantas estrelas moras
Qual o teu mistério profundo
Onde vagueias e porque demoras
A musa ouve o pedido
Não conseguindo ser indiferente
Á dor de um pássaro ferido
E olha suas asas com forma de gente...
Que tristeza em seu olhar...
Levo-te água benta e talismã
P'ra te proteger o acordar
E saboreares a magia da manhã
Olhou-me, sorriu, descansou
Cubri-o então com os meus cabelos
Para que ao recordar o que sonhou
Não entre na memória, os pesadelos...
Musa!
Estou ferido de solidão
Ilumina-me pelo teu amor sagrado
Pois que minh'alma e coração
Só pede o teu agrado!
E a musa sem verso
Lhe sopra o seu murmúrio:
_Dá-me o nome de uma estrela
E sempre que em mim pensares
Me sentirás em ti brilhando...
Manuela Pittet
Atlantis
por Andarilha descalça * 1:30 PM
[Domingo, Abril 03, 2005]
Nossa homenagem a este notável ser humano
que de todas as formas
nos ensinou a procurar o caminho da paz.
PAPA JOÃO PAULO II
João Paulo II faz Oração de Gratidão no Jubileu
A Ti, Senhor Jesus Cristo,
único Pastor da Igreja,
ofereço os frutos destes
vinte e cinco anos de ministério
ao serviço do povo que me confiaste.
Perdoa o mal feito
e multiplica o bem:
tudo é obra tua e unicamente a ti
é devida a glória.
Com plena confiança
na tua misericórdia,
apresento-te de novo, hoje,
aqueles que há anos confiaste
aos meus cuidados pastorais.
Preserva-os no amor,
reúne-os no teu redil, carrega
sobre os teus ombros os débeis,
cura os feridos,
sê solícito com os fortes.
Sê o seu Pastor,
para que não se percam.
Protege a amada Igreja
que está em Roma e as Igrejas
de todo o mundo.
Enche com a luz e com o poder
do teu Espírito
todos os que destinaste
como chefes do teu rebanho:
cumpram com arrebatamento
a sua missão de guias,
mestres e santificadores,
na expectativa da tua vinda gloriosa.
Renovo-te, pelas mãos de Maria,
Mãe amada, o dom de mim próprio,
do presente e do futuro:
tudo se realize segundo
a tua vontade.
Pastor Supremo, permanece
entre nós, para que possamos
caminhar contigo firmes,
rumo à casa do Pai. Amém!
por Andarilha descalça * 10:33 PM