Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

1492 A Conquista do Paraiso
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[Terça-feira, Março 29, 2005]


Catarse
Luiz Maia

Suavemente frágil, fielmente amorosa, capaz de sonhar delicados amores como impossíveis e chorar os limites tênues da vida.
Foi assim quando olhei em ti e notei a rigidez de tua face...

Vi lágrimas a encobrir tua ternura, como um sopro a espantar tal desventura.
Sopro purificador de almas, momento de purgação de um sofrimento atroz.
Instante pungente daquela que expõe a sua dor, sem medo de mostrar-se ao mundo.

Percebo em teus gestos cansados um jeito de quem não crê mais na vida. Falas de amores vividos, de laços desfeitos e da vida por refazer.
Há gritos que falam pela alma dorida, de desencantos que são teus e meus...

Há momentos de belezas infindas, em cada gesto teu, quando choras a pedir carinho que as mãos do mundo te negaram um dia...

Existem pessoas que, ao falarem de suas vidas, não só nos encantam como nos possibilitam a chance de poder rever conceitos e caminhos outros nunca antes imaginados. Suas palavras parecem um raio de luz que acende o escuro das almas daqueles que enxergam mas não entendem o que seja ver.





por Andarilha descalça * 10:04 PM

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[Domingo, Março 27, 2005]


Amor é um carpinteiro
Adelaide de Castro Alves Guimarães

Amor é um carpinteiro
Que ri com ar de matreiro,
Cerrando forte e ligeiro
Na tenda do coração...
Com toda a proficiência
Põe pregos de resistência,
Ferrolhos na consciência,
Tranca as portas da razão.




por Andarilha descalça * 10:05 PM

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[Quinta-feira, Março 24, 2005]


Que este amor não me cegue nem me siga.

Que este amor não me cegue nem me siga.
E de mim mesma nunca se aperceba.
Que me exclua de estar sendo perseguida
E do tormento
De só por ele me saber estar sendo.
Que o olhar não se perca nas tulipas
Pois formas tão perfeitas de beleza
Vêm do fulgor das trevas.
E o meu Senhor habita o rutilante escuro
De um suposto de heras em alto muro.
Que este amor só me faça descontente
E farta de fadigas. E de fragilidades tantas
Eu me faça pequena. E diminuta e tenra
Como só soem ser aranhas e formigas.
Que este amor só me veja de partida.

Hilda Hilst



por Andarilha descalça * 4:08 PM

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[Segunda-feira, Março 21, 2005]


Caos
(Cláudia Marczak)

Nascemos do caos,
de um delírio de corpos se amando,
misto de paixão, suor e prazer.
Nascemos com a imensa necessidade de vida
e o incontrolável desejo da morte,
que ronda nossos passos,
sombra negra
a certeza de partir.
Somos animais hipócritas vestidos de razão,
ocultando em nossas veias o sangue vermelho do instinto.
Cai a minha máscara
e sei que preciso viver a intensidade de cada desejo.
Sentir sem medo de sentir,
caminhar sem medo de errar,
errar sem medo de acertar.
Meu coração adormece sozinho
a chama daquilo que um dia poderia ter sido.
Minha vida espreita o dia de poder
explodir em riso e festa
aquilo que ainda guardo para viver.



por Andarilha descalça * 12:06 AM

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[Domingo, Março 20, 2005]


Vertente
Dalva Agne Lynch

Em desafio eu indago

por que alguns nascem lago

e eu nasço vertente?

Há plantas e gente

na tranqüilidade do lago...

Eu sei que há, sim!

Mas não para mim.

Por destino carrasco

Nasci do penhasco.

E minha água de vida

verte, sofrida

da aridez...



por Andarilha descalça * 12:31 AM

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[Sexta-feira, Março 18, 2005]


A simples verdade é que
eu queria apenas um abraço
um abraço que não justificasse alguma coisa ...
Existem coisas que não precisam ser justificadas
precisam apenas serem sentidas.
Então eu queria
um abraço que transmitisse o simples
o bom verdadeiro....
que não falasse de saudade
mas de verdade..
que não fosse lembranças
mas que fotografasse o momento.
Eu queria um abraço
que dissipasse qualquer mal entendido..
Eu queria um abraço assim
do tamanho do infinito
e que me fizesse voar....voar...voar....

Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 10:20 PM

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Sinto falta das coisas que íamos fazer

Foram tantos os sonhos,
Tantos quereres,
Findaram sem acontecer.
Sinto falta das coisas
Que íamos fazer...

O verão se tornou inverno.
A primavera não floriu.
Outonaram-se o tempo e o espaço.
E o dia e a noite, solidários,
Não amanheceu, nem anoiteceu,
E fico sem ter para onde ir, acompanhada,
Nas noites frias ¿ das brumas e de tua ausência!

Faço parte da escuridão,
Faço parte da luz,
Da amargura que a palavra não expressa,
Do lamento o que a garganta não chora,
Da lágrima que não rola,
Da prisão que enquadra a vida,
Da liberdade do ser e do sentir,
Paradoxos de mim!

DELASNIEVE DASPET




por Andarilha descalça * 12:03 AM

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[Quinta-feira, Março 17, 2005]

Para Cláudia

Ferreira Gullar


Nova Canção do Exílio


Minha amada tem palmeiras
Onde cantam passarinhos
e as aves que ali gorjeiam
em seus seios fazem ninhos
Ao brincarmos sós à noite
nem me dou conta de mim:
seu corpo branco na noite
luze mais do que o jasmim
Minha amada tem palmeiras
tem regatos tem cascata
e as aves que ali gorjeiam
são como flautas de prata
Não permita Deus que eu viva
perdido noutros caminhos
sem gozar das alegrias
que se escondem em seus carinhos
sem me perder nas palmeiras
onde cantam os passarinhos.

por Andarilha descalça * 12:45 AM

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[Quarta-feira, Março 16, 2005]



LAMENTO DA PERDIÇÃO DE ENONE
GODOFREDO FILHO


Quero fugir e não posso
Quero correr e me sinto
colado no chão da esquina.

Se a noite ao menos pudesse
fazer com que me esquecesse
da fria luz que, no quarto,
sobre o teu corpo morria.

Gargantilhas de espanto
na esconsa rua perdida!

Se a noite ao menos pudesse
apagar o riso insano
que deste para outros homens,
a equimose do teu riso
na carne dos transeuntes.

Taça esgalga (negra rosa!)
taça esbelta onde anoitece
o vinho que me delira,
tormento,
lunar delícia
de tantas bocas viciadas
na polpa nutriz dos mundos.

Não dormias, que eu só sei
da luz verde que escorria
sobre os teus seios imersos
no mar moreno dopeito.
Girafa que me alucina,
cobra, cobra
cobra, cobra,
doida mula sem cabeça
batendo os cascos de vidro
no rosto do meu desejo...

Quero gritar e não posso.
Quero correr e me sinto
colado no chão da esquina.

Se a noite ao menos pudesse,
na sombra do mar do tempo,
perder o lume trigueiro,
mas tão frio, de teus olhos.

Na relva negra do púbis,
de teu púbis - horto exíguo,
quisera pascer cuidados,
ternuras, canções de lua,
ou bem, anseios magoados
do riço mau das bromélias.

Quisera pascer cuidados...
ou, esgueirado pelas bordas
do poço do mundo estéril,
fecundar óvulos mortos.

Enone,
a aurora surgia
das dobras do teu silêncio.

Vinho, aromas, luzes cruas,
e essas pupilas boiando
num charco azul de atropina.

Enone,
a aurora dançava
na festa dos teus cabelos.

Quero fugir e não posso.
Quero correr e me sinto
colado no chão da esquina.



por Andarilha descalça * 12:06 AM

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[Segunda-feira, Março 14, 2005]


No dia da poesia
minha homenagem ao grande Poeta:

Autopsicografia
Fernando Pessoa

O Poeta é um fingidor
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.




por Andarilha descalça * 8:55 PM

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[Domingo, Março 13, 2005]


Chico e Pessoa...algo de mim



Construção que eu nao fiz,

(nao houve cimento preciso dentro de mim)

Construção fez o Chico

(que roubou as melodias que habitavam em mim)

Poemas escreveu o Pessoa,

(todos os poemas levados de mim)

Agora canto ao som do Chico,

(ressoa dentro de mim)

Agora fico mais no verso de Pessoa,

(poetiza em mim)

E tudo se concentra afinado

(sei um pouco mais de mim)

Encolho-me no mundo dos dois,

(no tom da cor em mim)

Celebro deuses nesses santos,

(milagres em mim)

Sorrio nas entrelinhas de cada um,

(percebo a mim)

Amo se eles pecam,

(peco mais pura em mim)

Sorvo suas genialidades,

(cresço em mim)

Vivo no êxtase da criação,

(eu em mim)

Durmo nos sonhos afoitos

(arcanjos em mim)

Olhos azuis do Chico,

(azulando em mim)

Tremor de Pessoa,

(espasmos em mim)

Nós e o Todo,

(em mim)

Luz

(em mim)

Suficiente


kk





por Andarilha descalça * 5:07 PM

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[Sábado, Março 12, 2005]


NOTURNO
Tasso Azevedo da Silveira

Veleiro ao cais amarrado
em vago balouço, dorme?
Não dorme. Sonha, acordado,
que vai pelo mar enorme,
pelo mar ilimitado.

Se acaso me objetardes
que veleiro não é gente
e, assim, não sonha nem sente,
em orgulhos nem alardes
eu direi: por que haveria
de falar-vos do homem triste
mas de olhar grave e profundo
que, à amargura acorrentado
sonha, no entanto, que vive
toda a beleza do mundo?

Melhor é dizer: Veleiro...
veleiro ao cais amarrado,
sob as límpidas estrelas.
Vela branca é uma alma trêmula,
sobretudo se cai sombra
do alto abismo constelado.
Veleiro, sim, que não dorme
mas na silente penumbra
sonha, ao balouço, acordado
que vai pelo mar enorme,
pelo mar ilimitado.




por Andarilha descalça * 3:31 PM

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[Sexta-feira, Março 11, 2005]

À Bengala
José Paulo Paes

Contigo me faço
Pastor do rebanho
De meus próprios passos.




por Andarilha descalça * 7:32 PM

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[Terça-feira, Março 08, 2005]


M U L H E R
Joaquim Sustelo



Mulher, que és berço da Humanidade

Trazendo no teu ventre cada ser

Que pela tua força há-de nascer

Num momento de rara felicidade



Mulher, que tens os filhos e os crias

A eles dando o grande amor que tens

Que são na tua vida enormes bens

Com quem repartes mimos e alegrias



Mulher, que a fome escondes para dar

Muitas vezes a quem tu amas tanto

Que o fazes na ternura, no encanto



Mulher, que já esgotada na canseira

Dum dia que foi duro¿ e que no lar

Hás-de inda prosseguir a trabalhar

Às vezes sem dormir a noite inteira



Mulher, que tão depressa homem te ama

Como logo a seguir te martiriza

Mas que te trata bem quando precisa

Que amor faças com ele em vossa cama



Que sofres quando o filho que pariste

E que puseste com amor na Terra

Vês partir para longe, para a guerra

Que nem sabes sequer porque é que existe



Que um dia alguém te põe alto num trono

Feliz por exibir tua beleza

E depois sem ter ponta de tristeza

Te deixa pela rua ao abandono



Que sofres tanta vez a amargura

De saber o que é a solidão

Que deste tanta vez teu coração

E agora estando só ninguém procura



Mulher, quero deixar-te o meu apreço

Render-me às qualidades que proclamo

Não sei se tudo já de ti conheço

Mas sei que te respeito e que te amo.




por Andarilha descalça * 10:14 PM

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[Segunda-feira, Março 07, 2005]

- Minha homenagem às mulheres -

Força estranha

Somos sentimentos
e angústias
somos buscas
e vaidades
somos crianças
somos verdades.
Nossas são todas as manhãs
todas as tardes
todas as noites.
Somos mulheres
cativantes
itinerantes
somos inteiras
somos metades
somos amantes
somos amadas
somos mulheres
apenas e tão somente
Mulheres
prisioneiras da luta
pela nossa liberdade.

Andarilha descalça (Cláudia)

08/03/2002




por Andarilha descalça * 11:56 PM

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[Domingo, Março 06, 2005]


Mediadora da Palavra
António Ramos Rosa

Um rumor
irrompe das nocturnas
margens. Sombras deslumbrantes.
Um fulgor que desnuda e que despoja.
Campo de água ágil. Dança

Imóvel. Uma cegueira arde
Incendiando o tempo. Pátria
áspera de delicado alento.
Soberano marulhar do inexplorável.

Unânime é a pedra. Selvagem
a palavra despedaça a língua.
Um silêncio central domina e orienta
A substancia primária. A palavra inicia.

Rapidez da água entre resíduos
obscuros. Talvez o diadema.
Talvez a obscura dança aérea.
O leve poder do fogo, as suas marcas

ácidas. Pulsação
dos poros. Ardor do silêncio
no nocturno centro. Fulgor do desejo.
Uma deusa de água espraia-se nas palavras.




por Andarilha descalça * 9:55 PM

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[Sábado, Março 05, 2005]


Apenas Mulher
Cleide Canton

Perdemos, todas nós,
na luta desordenada pelos nossos espaços.
Perdemo-nos
nas ânsias reprimidas
que explodiram muito mal definidas,
na dilatação dos nossos limitados conceitos,
na imposição dos nossos direitos,
na guerra pela isonomia
e para fazer valer a nossa democracia.
Perdemos
da nossa prole o controle e o respeito,
dos nossos pares o amor incondicional
e, de todos, os preceitos e a moral.
Ah! Conseguimos, sim,
a exaltação da beleza
através da exposição na nossa sexualidade,
o espaço na mídia para aplaudir nossa prosperidade,
nosso sucesso profissional,
nossa intimidade escancarada,
nossa oculta realeza desmistificada...
Mas perdemos o doce olhar da ingenuidade,
característica maior da nossa feminilidade.
Perdemos a satisfação de sermos cortejadas,
a espera empolgante até sermos beijadas,
as elegias ao olhar encantador,
a excitação que provocava o nosso mais leve rubor.
Mas ganhamos muito:
de descoberta a descobridora,
de desbravada a desbravadora,
de fera domada a domadora,
de rainha do lar a diretora,
de dependente a colaboradora,
de senhora a doutora.
Mulher!
Maravilha de todas as épocas!
Nessa doce ilusão de vitória
encontro-me ainda lutando
para ser apenas mulher...
Eu quero ser apenas uma mulher.




por Andarilha descalça * 12:01 AM

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[Sexta-feira, Março 04, 2005]

Tributo a Carlos Drummond de Andrade

Se te chamam de Drummond
Chamo-te simplesmente de meu poeta.
Carregas consigo a herança Itabirana
Minas no espírito, ferro nas almas.
Mesmos sendo gauche de nascença
Vejo em ti o claro enigma da perfeição.
No poeta de múltiplas faces
Encontro a face autêntica de um lutador
Lutando exaustivamente com as palavras.
A poesia é a morada do poeta.
A poesia penetra surdamente no reino das palavras.
Tem mil faces secretas sob a face neutra.
Se passarmos nossa vida a limpo
Compreenderemos que somos como José
Numa marcha constante,
Queremos abrir a porta,
Mas sabemos que ela não existe.
Teus ombros suportam o mundo
E os meus resistem por causa dos teus.
Aprendi que o mundo é grande
E que o amor cresce na mesma extensão,
Pois, afinal, como pode uma criatura
Senão entre criaturas, amar?
Se medizes que há pedras no meio do caminho,
Digo-vos que os obstáculos dignificam os ser.
Se preparas uma canção amiga
Nasço e renasço quantas vezes puder
Para viver intensamente a essência da mesma.
Mundo, vasto mundo,
Onde nem mesmo nas rimas
Encontramos a exata solução.
Seu coração, poeta, não é maior do que o mundo,
Mas em tuas entranhas pressinto um sentimento profundo:
O sentimento do mundo
Capaz de fazer acordar os homens e adormecer as crianças.

Rosangêla Aguiar




por Andarilha descalça * 12:15 AM

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[Quinta-feira, Março 03, 2005]


Do inquieto oceano na multidão
Walt Whitman

Do inquieto oceano na multidão veio à mim uma gota,
Gentilmente suspirando :
- Eu te amo, há longo tempo...
Fiz uma extensa caminhada apenas para te olhar, tocar-te...
Pois não podia morrer sem te olhar uma vez antes,
Com o meu temor de perder-te depois.
- Agora nos encontramos e nos olhamos, estamos salvos...retorne em paz ao oceano, meu amor,
Também sou parte do oceano, meu amor, não estamos assim tão separados,
Olhe a imensa curvatura, a coesão de tudo tão perfeito!
Quando a mim e a você separa-nos o mar irresistível,
Levando-nos algum tempo afastados, embora não possa afastar-nos sempre:
Não fique impaciente- um breve espaço- e fique certa de que eu saúdo o ar,
A terra e o oceano todos os dias ao pôr-do-sol,
Por sua amada causa, meu amor.



por Andarilha descalça * 12:17 AM

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[Terça-feira, Março 01, 2005]


O rio
Vinícius de Moraes

Uma gota de chuva
A mais, e o ventre grávido
Estremeceu, da terra.
Através de antigos
Sedimentos, rochas
Ignoradas, ouro
Carvão, ferro e mármore
Um fio cristalino
Distante milênios
Partiu fragilmente
Sequioso de espaço
Em busca de luz.

Um rio nasceu.




por Andarilha descalça * 8:42 PM

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