Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

1492 A Conquista do Paraiso
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[Segunda-feira, Fevereiro 28, 2005]



O CRIADOR SABE O QUE FAZ
Margaret Pelicano


Creio no amor,
que ele é capaz de muito;

creio no homem,
que ele seja capaz de mudar para melhor sempre;

creio no amigo,
tomara que ele seja capaz de suportar minhas michelas;

creio nos bons filhos
que eles acompanhem seus pais até o término dos dias;

creio nos dias idos e vividos
como aprendizagem constante nessa vida;

creio no vai-e-vém da natureza
aceitando, ou dando o troco que o homem merece quando a agride;

creio que Deus seja uma energia!
que pena não saber explicá-la.

Creio que a bondade seja a salvação dos homens
e afirmo:
seja bom sempre mas se não quiser sê-lo, seja assim mesmo!
Só a bondade evita os males humanos!

Tenho dúvidas:
sobre vida após a morte,
sobre o caráter humano,
sobre nosso grau de intelectualidade,
sobre religiosidade,
sobre a necessidade de estarmos aqui,
sobre a bondade,
sobre muitos casos de amor...
sobre a lealdade!

Porém,
o Criador sabe o que faz!
Sabe que o animal é mais amigo que o homem!
Sabe que precisamos evoluir!
Que somos uma poerinha cósmica diante do Universo
que enquanto não formos humildes de fato,
seu ato Criador está falho!
Portanto colaboremos com o Pai,
e caminhemos, trôpegos ou firmes,
fortes ou fracos, mas vamos!
Contornando os problemas...mas vamos!
Sempre em frente...
porque atrás...vem mais gente!





por Andarilha descalça * 12:09 AM

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[Domingo, Fevereiro 27, 2005]


POETA CASTRADO NÃO
Ary dos Santos*
Portugal

Serei tudo o que disserem
por inveja ou negação:
cabeçudo dromedário
fogueira de exibição
teorema corolário
poema de mão em mão
lãzudo publicitário
malabarista cabrão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!


Os que entendem como eu
as linhas com que me escrevo
reconhecem o que é meu
em tudo quanto lhes devo:
ternura como já disse
sempre que faço um poema;
saudade que se partisse
me alagaria de pena;
e também uma alegria
uma coragem serena
em renegar a poesia
quando ela nos envenena.

Os que entendem como eu
a força que tem um verso
reconhecem o que é seu
quando lhes mostro o reverso:

Da fome já não se fala
- é tão vulgar que nos cansa -
mas que dizer de uma bala
num esqueleto de criança?

Do frio não reza a história
- a morte é branda e letal -
mas que dizer da memória
de uma bomba de napalm?

E o resto que pode ser
o poema dia a dia?
- Um bisturi a crescer
nas coxas de uma judia;
um filho que vai nascer
parido por asfixia?!
- Ah não me venham dizer
que é fonética a poesia!
Serei tudo o que disserem
por temor ou negação:
Demagogo mau profeta
falso médico ladrão
prostituta proxeneta
espoleta televisão.
Serei tudo o que disserem:
Poeta castrado não!

* Ary dos Santos é o patrono do Grupo Ecos da Poesia




por Andarilha descalça * 12:10 AM

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[Sábado, Fevereiro 26, 2005]


O diamante
Renata Pallottini

Para que o diamante
no oco do ouro
no longo do dedo ?

Ultrapassa o diamante
a beleza do copo
de estanho ?

Traz alegria ao homem
(ou à mulher amante)
mais que somente o amor
sem ornamentos ?

Come-se
o diamante ?
(- Sim, do que ele compra,
perdizes, ameixas,
queijos gordos, rãs...)

Porem ele próprio
escava no homem
minas de sangue...

O diamante amarga
o que era a criança

enquanto ilumina
a miséria humana.




por Andarilha descalça * 11:23 PM

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[Quinta-feira, Fevereiro 24, 2005]


Arte-final
(Affonso Romano de Sant'Anna )


Não basta um grande amor
para fazer poemas.
E o amor dos artistas, não se enganem,
não é mais belo
que o amor da gente.

O grande amante é aquele que silente
se aplica a escrever com o corpo
o que seu corpo deseja e sente.

Uma coisa é a letra,
e outra o ato,

¿ quem toma uma por outra
confunde e mente.




por Andarilha descalça * 11:12 PM

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[Terça-feira, Fevereiro 22, 2005]


Asa no espaço
Fernanda de Castro

Asa no espaço, vai, pensamento!
Na noite azul, minha alma flutua!
Quero voar nos braços do vento,
Quero vogar nos braços da Lua!


Vai, minha alma, branco veleiro,
vai sem destino, a bússola tonta...
Por oceanos de nevoeiro
corre o impossível, de ponta a ponta.


Quebra a gaiola, pássaro louco!
Não mais fronteiras, foge de mim,
que a terra é curta, que o mar é pouco,
que tudo é perto, princípio e fim.


Castelos fluídos, jardins de espuma,
ilhas de gelo, névoas, cristais,
palácios de ondas, terras de bruma,
... Asa, mais alto, mais alto, mais!




por Andarilha descalça * 11:22 AM

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[Domingo, Fevereiro 20, 2005]


A ALMA TALVEZ SEJA FUNDA COMO OS RIOS
Langston Hughes
Eu conheço os rios.


Eu conheço os rios tão antigos como o mundo e mais velhos que o fluxo de sangue nas veias humanas.

Minha alma é tão profunda como os rios.

Eu me banhei no Eufrates, na aurora da civilizção.

Eu fiz minha cabana na margem do Congo, e suas águas me cantaram uma canção de ninar.

Eu vi o Nilo e construí as pirâmides.

Eu escutei o canto do Mississipi quando Lincoln viajou até New Orlenas e vi suas águas tornarem-se douradas ao entardecer.

Minha alma se tornou tão profunda como os rios.



por Andarilha descalça * 12:41 AM

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[Sexta-feira, Fevereiro 18, 2005]


TU FU

Tu escreves como o pássaro canta. Teu gorjeio?
Versos. Se não cantasses, as manhãs seriam menos
Vermelhas e os crepúsculos menos azuis.
Quando a embriaguez te inspira, os Imortais incli-
nam-se das nuvens para te escutarem, o tempo sus-
pende seu vôo, o bem-amado esquece a bem-amada.
Tu és o Sol e nós, os outros poetas, somos apenas
Estrelas.
Acolhe, ó meu amigo, o balbucio do meu respeito!


(poema escrito em, homenagem ao poeta chinês Li Pó, pelo amigo Tu Fu. E a tradução é de Cecília Meireles, no livro (Poemas Chineses), da Ed. Nova Fronteira.)




por Andarilha descalça * 12:42 AM

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[Segunda-feira, Fevereiro 14, 2005]


Astrologia
Mário Qiuntana

Minha estrela não é a de Belém:
A que, parada, aguarda o peregrino.
Sem importar-se com qualquer destino
A minha estrela vai seguindo além...

¿ Meu Deus, o que é que esse menino tem? ¿
Já suspeitavam desde eu pequenino.
O que eu tenho? É uma estrela em desatino...
E nos desentendemos muito bem!

E quando tudo parecia a esmo
E nesses descaminhos me perdia
Encontrei muitas vezes a mim mesmo...

Eu temo é uma traição do instinto
Que me liberte, por acaso, um dia
Deste velho e encantado Labirinto.




por Andarilha descalça * 8:46 AM

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[Domingo, Fevereiro 13, 2005]


MUSA CONSOLATRIX
Machado de Assis

Que a mão do tempo e o hálito dos homens
Murchem a flor das ilusões da vida,
Musa consoladora,
É no teu seio amigo e sossegado
Que o poeta respira o suave sono.

Não há, não há contigo,
Nem dor aguda, nem sombrios ermos;
Da tua voz os namorados cantos
Enchem, povoam tudo
Da íntima paz de vida e de conforto.

Ante esta voz que as dores adormece,
E muda o agudo espinho em flor cheirosa,
Que vales tu, desilusão dos homens?
Tu que podes, ó tempo?
A alma triste do poeta sobrenada
À enchente das angústias,
E, afrontando o rugido da tormenta,
Passa cantando, alcíone divina.

Musa consoladora,
Quando da minha fronte da mancebo
A última ilusão cair, bem como
Folha amarela e seca
Que ao chão atira a viração do outono,
Ah! no teu seio amigo
Acolhe-me, ¿ e haverá minha alma aflita,
Em vez de algumas ilusões que teve,
A paz, o último bem, último e puro!

(Crisálidas, 1864.)




por Andarilha descalça * 12:40 AM

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[Sábado, Fevereiro 12, 2005]


Vôo
(Cecília Meireles )

Alheias e nossas as palavras voam.
Bando de borboletas multicores, as palavras voam
Bando azul de andorinhas, bando de gaivotas brancas,
as palavras voam.
Voam as palavras como águias imensas.
Como escuros morcegos como negros abutres, as palavras voam.
Oh! alto e baixo em círculos e retas acima de nós, em redor de nós as
palavras voam.
E às vezes pousam.




por Andarilha descalça * 12:11 AM

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[Sexta-feira, Fevereiro 04, 2005]


O Poema
Herberto Helder

Um poema cresce inseguramente
na confusão da carne.
Sobe ainda sem palavras, só ferocidade e gosto,
talvez como sangue
ou sombra de sangue pelos canais do ser.
Fora existe o mundo. Fora, a esplendida violência
ou os bagos de uva de onde nascem
as raízes minúsculas do sol.
Fora, os corpos genuínos e inalteráveis
do nosso amor,
rios, a grande paz exterior das coisas,
folhas dormindo o silencio
a hora teatral da posse.
E o pema cresce tomando tudo em seu regaço.
E já nenhum poder destrói o poema.
insustentável, único,
invade as casas deitadas nas noites
e as luzes e as trevas em volta da mesa
e a força sustida das cisas
e a redonda e livre harmonia do mundo.
Em baixo o instrumento perplexo ignora
a espinha do mistério
- E o poema faz-se contra a carne e o tempo.




por Andarilha descalça * 12:16 AM

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[Quinta-feira, Fevereiro 03, 2005]

Canção para um Desencontro
Lya Luft

Deixa-me errar alguma vez,
porque também sou isso: incerta e dura,
e ansiosa de não te perder agora que entrevejo
um horizonte.
Deixa-me errar e me compreende
porque se faço mal é por querer-te
desta maneira tola, e tonta, eternamente
recomeçando a cada dia como num descobrimento
dos teus territórios de carne e sonho, dos teus
desvãos de música ou vôo, teus sótãos e porões
e dessa escadaria de tua alma.

Deixa-me errar mas não me soltes
para que eu não me perca
deste tênue fio de alegria
dos sustos do amor que se repetem
enquanto houver entre nós essa magia.




por Andarilha descalça * 12:09 AM

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[Quarta-feira, Fevereiro 02, 2005]

Não posso adiar o amor
António Ramos Rosa

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob as montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este braço
que é uma arma de dois gumes amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o meu amor
nem o meu grito de libertação .




por Andarilha descalça * 12:03 AM

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[Terça-feira, Fevereiro 01, 2005]


O Tempo :
Essa ilusão
Que faz de nós seres insatisfeitos
Porque limitados.

A Realidade :
Essa ilusão
Que nos mente de imagens
Porque só nos transmite limites.

O sonho :
Essa realidade
Que pura e desprovida de véus
Nos despe de todos os limites do Tempo
Porque somos seres ilimitados
Viajantes em todos os tempos e dimensões
Encarnados em multiplas personalidades
Na grande aprendizagem do Ser
Onde o Sentimento é o motor
Que nos desloca em cada porto
Nos fazendo dançar em cada olhar
Vibrando as côres que recolhemos
E espalhamos à nossa volta.


A cada decepção, reflectimos o desencanto que escurece a nossa alma, que, isenta de brilho vai sombrando na tristeza, é prisão !
A cada isolamento, se fecha o sorriso e se apaga a canção que gostaríamos poder cantar em cada momento, em cada ser encontrado (¿), mas o nosso planeta que cada dia nos promete liberdades, encerra-nos nos abismos das prisões dos outros, na nossa própria prisão. O Medo paraliza os nossos movimentos, e , porque presos, sem poder compartilhar o brilho da nossa capacidade de amar, tornamo-nos tristes ou amargos porque o mundo nos nega a nossa ternura.
Faz parte da nossa aprendizagem
Nadar neste mar de amargura
Lutar contra todas estas ondas que nos oprimem
E contra o cansaço da luta, até chegar a Terra¿
Por vezes, dói mais o cansaço que a luta
E então, muitos se afogam sem sequer ter chegado ao sonho da Terra (¿),

o Sonho é a Luta, é a Força que nos ajuda a nadar cada dia sobre todas as tempestades, porque sabemos (¿ !) que um dia repousaremos e seremos livres, mas o Sonho é feito de Amor (neste pobre mundo, é o amor que é feito de sonho¿), tal como Nós Somos Amor, logo, o Sonho é real porque nós existimos ! É Presente, porque passado e futuro são apenas dois factores da
ilusão que julgamos a realidade, essa mesma, que por ser limitada, envelhece e morre, tão triste como nasceu.
Nós somos o Presente
Com todas as vibrações das viagens efectuadas, que nos ajudam a analizar quais os caminhos a seguir, essas vibrações, são os sinais do que chamamos o passado,
Não te deixes traír pelas malhas do Tempo, repito-te que o Tempo é ilusão, só o Sentimento é real !
Tudo o que nesta vida temos é um empréstimo, mesmo o corpo, um dia teremos de o entregar¿
Nossa alma é livre, eternamente jovem e bela e não morre, por ísso:

Grita Presente
Quando o ausente te fere

Grita Presente
Quando o passado te dói

Grita Presente
Quando o futuro te mente

Grita Presente
Com tua Voz de Gente ! ! !

Manuela Pittet
(in."Cartas da minha Alma")
Né-Atlântis




por Andarilha descalça * 12:44 AM

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