Caminhos onde meu olhar pousa, minha mente habita... Caminhos de imagens, palavras, sentimentos... Caminhos por onde transita minha alma andarilha.

1492 A Conquista do Paraiso
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[Domingo, Janeiro 30, 2005]


Se ao menos
Rainer Maria Rilke

Se ao menos uma vez tudo se aquietasse
Se se calassem o talvez e o mais ou menos
E o riso à minha volta...
Se o barulho que fazem meus sentidos
Não perturbasse mais minha vigília...
Então, num pensamento multifário
Poderia eu pensar-te até aos teus limites
E possuir-te (só o tempo de um sorriso)
E oferecer-te a vida inteira,
Como um agradecimento.




por Andarilha descalça * 6:12 PM

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[Sábado, Janeiro 29, 2005]


Soneto a Quatro Mãos
Paulo Mendes Campos/ Vinicius de Moraes

Tudo de amor que existe em mim foi dado.
Tudo que fala em mim de amor foi dito.
Do nada em mim o amor fez o infinito
Que por muito tornou-me escravizado.

Tão pródigo de amor fiquei coitado
Tão fácil para amar fiquei proscrito.
Cada voto que fiz ergueu-se em grito
Contra o meu próprio dar demasiado.

Tenho dado de amor mais que coubesse
Nesse meu pobre coração humano
Desse eterno amor meu antes não desse.

Pois se por tanto dar me fiz engano
Melhor fora que desse e recebesse
Para viver da vida o amor sem dano.




por Andarilha descalça * 8:53 PM

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[Sexta-feira, Janeiro 28, 2005]


Ao perder a ti, tu e eu perdemos
Eu porque tu eras o que eu mais amava

E tu, porque eu era o que te amava mais

Contudo, de nós dois, tu perdeste mais do que eu

Porque eu poderia amar outra como amava a ti

Mas a ti não te amarão como te amava eu"

(Ernesto Gardenal )
Poeta nicaraguense




por Andarilha descalça * 4:20 PM

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[Quinta-feira, Janeiro 27, 2005]


...estrela perdida...
Maria Inês Simões

Se fosse possível esquecer o esquema
E não conhecer do solar seu sistema
Sua forma, desconhecer o singelo poema
Que de sua boca neste gosto me algema

No astro sentido seu querer turbulento
Em palavras e prosas criar o sustento
Não ao léu, estático ou sem movimento
Assim, lunático e eterno ao relento

Meu sentimento, não cria a senha
Que meu coração almeja e desdenha
Imagens de um ser na tela desenha
Imaginação sem presença mantenha

Estrela alada, parte sem rumo e suprema
Buscando estação, universo em um lema
Não paro, não fico, só sigo e ausento
Não amo, não quero, só sou desalento
Não vou, não pretendo, só quero e venha

Quem me quiser assim,
me siga e por um momento
...me tenha...




por Andarilha descalça * 12:53 AM

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[Quarta-feira, Janeiro 26, 2005]



Canto

Canto os teus olhos profundos
horizonte de outros mundos
sóis de outras galáxias
sem receios,sem falácias

canto os teus cabelos soltos
os teus seios revoltos
a tua boca de mar
revolta de soluçar

canto o teu ventre
o teu sexo dormente
as tuas ancas-rios
chegadas a mares de brios

canto o teu desejo
aquilo que mais almejo
no teu eu desconhecido
o teu silêncio arrependido

canto a tua voz
no teu barco-noz
e grito em ti
aquilo que não vi

canto a esperança
que mora em ti


Adriano Pinho
spa




por Andarilha descalça * 9:13 AM

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[Domingo, Janeiro 23, 2005]

A todos

"...A todas as vozes que desaprenderam preces,
ou mesmo que jamais aprenderam.

A todas as solidões individuais ou
partilhadas, gritadas, colhidas ou
caladas, nos corações e nas almas.

A todas as buscas que levaram a encontros,
perdas ou abandonos.

A todos os silêncios de gestos e
palavras que encobriram
impossibilidades, refúgios,
medos ou ausências...
E, principalmente, aqueles que
disseram mais do que palavras.

A todos os braços e abraços
que acolheram, aqueceram e ampararam,
nos momentos em que a
perda já parecia certa e o abandono das
forças de luta aparentemente a única
possibilidade de resposta...

Aos sorrisos esboçados ou
assumidos que coloriram os rostos e
enfeitaram o mundo.

A todas as crianças crescidas e pequenas que
viveram momentos de descoberta e não
morreram para o aprender.

A todo o Amor que nasceu e morreu,
mas que teve seu espaço de cor, força e
brilho nas faces corações e corpos.

A todas as músicas e versos que os
artistas, ou não, exprimiram com suas
emoções e nos ajudaram a compreender
e comunicar melhor as nossas....

A toda voz ou carícia que não se
negou, que ouviu o apelo e
respondeu com sua existência, sua
expressão sua proximidade.

A todas as orações desesperadas,
suplicantes ou agradecidas.

A todos os "becos sem saídas" que
deram em novos caminhos e em
outras possibilidades.

A todos os desesperos que tiveram
a grandeza de pedir ajuda e dar a
enorme descoberta de serem
conhecidos na partilha e no calor de
um olhar, talvez perplexo, mas
acolhedor.

A toda a vida que se omitiu ou
ousou, que se transformou ou
paralisou no tempo do medo.

A todo o medo que a coragem
permitiu viver, e que a força não
deixou que imobilizasse o gesto, e
levou aos passos mais adiante e aos
caminhos mais além de antes do
ontem.

A todos aqueles que, disponíveis
para o novo, o invasivo, o ensaio,
percorreram com seus olhos linhas
como estas, somando as nossas as
suas vivências, indagações e descobertas
e fazendo com isto que amontoados de
palavras se vestissem de significados,
dedico esta mensagem como uma
liberdade de aproximação e um enorme
desejo de que a busca de cada um não
cesse nunca, seja ela qual for, por mais
que mudem as respostas ou que por vezes,
nos desanime a ausência delas...

Um brinde aos encontros, que neste
espaço de vida, puderam acontecer..."

(Lucilia Cerr)



por Andarilha descalça * 12:44 AM

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[Quarta-feira, Janeiro 19, 2005]


Mutatis Mutandis
Bartyra Soares


Tomo a forma do mar.
Se é preciso que em minhas águas
navegue o vento e em mim
o sol refaça caminhos
de impulsos e chamas verdes
não me furto ao compromisso que hoje
me impõe esta manhã.


Minhas águas de sal e segredo
ferem-se na aspereza dos corais
e por não ser lâmina e por não
ser espinho não tenho
como revidar. Deixo que minha dor
em mim desabe. Recolho meu grito
de incertezas e convicções.


E quando a última gaivota
da tarde no poente pousar
a sombra do seu cansaço
só então serei quem fui.
Assim sobre penhascos
e dunas não mais depositarei
lembranças e sargaços.




por Andarilha descalça * 4:17 PM

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[Segunda-feira, Janeiro 17, 2005]


Um Desejo
Gonçalves Ribeiro


O homem cansado,
sentado à mesa,
sozinho em seu mundo,
faz distraidamente um barquinho de papel.

E o barquinho vai crescendo, crescendo
até transformar-se num soberbo navio.
O homem embarca apressado
e o navio parte vagarosamente,
deixando o tédio sobre a mesa.

E o homem tem agora
uma expressão aventureira.
Suas mãos transformaram-se em mares
Para a viagem impossível
do barquinho de papel.





por Andarilha descalça * 12:24 AM

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[Domingo, Janeiro 16, 2005]


Dualidade
J.G. de Araújo Jorge

Sei que é Amor, meu amor...porque o desejo
o meu próprio desejo tão violento,
dir-se-ia ter pudor, ter sentimento,
quando estás junto a mim, quando te vejo.
É um clarim a vibrar como um harpejo,
misto de impulso e de deslumbramento.
Sei que é Amor, meu amor...porque o desejo
é desejo e ternura a um só momento.

Beijo-te a boca, as mãos, e hei de beijar-te
nessa dupla emoção, (violento e terno)
em que a minha alma inteira se reparte,

- e a perceber em meu estranho ardor,
que há uma luta entre o efêmero e o eterno,
entre um demônio e um anjo em todo Amor!




por Andarilha descalça * 12:31 AM

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[Quinta-feira, Janeiro 13, 2005]


Poema Começado no Fim
Adélia Prado

Um corpo quer outro corpo.
Uma alma quer outra alma e seu corpo.
Este excesso de realidade me confunde.
Jonathan falando:
parece que estou num filme.
Se eu lhe dissesse você é estúpido
ele diria sou mesmo.
Se ele dissesse vamos comigo ao inferno passear
eu iria.
As casas baixas, as pessoas pobres,
e o sol da tarde,
imaginai o que era o sol da tarde
sobre a nossa fragilidade.
Vinha com Jonathan
pela rua mais torta da cidade.
O Caminho do Céu.




por Andarilha descalça * 8:22 AM

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[Quarta-feira, Janeiro 12, 2005]



Dou-me o direito
J. Romero Antonialli

Dou-me o direito
De ser alegre,
De ser triste,
Mas sendo sempre feliz.

Dou-me o direito
De ser responsável,
De ser irresponsável,
Mas com toda a responsabilidade.

Dou-me o direito
De ser ousado,
De ser tímido,
Mas com toda a intrepidez.

Dou-me o direito
De ser quente,
De ser frio,
Mas com todo o ardor.

Dou-me o direito
De decidir,
De vacilar,
Mas com toda a determinação.

Dou-me o direito
De ser sério,
De ser palhaço,
Mas com toda a austeridade.

Dou-me o direito
De me encontrar,
De me perder,
Para jamais me extraviar.

Dou-me o direito
De ser duro,
De ser flácido,
Mas sem perder a rigidez.

Dou-me o direito
De falar,
De calar,
Mas sem perder a eloqüência.

Dou-me o direito
De levantar,
De cair,
Mas sem deixar de caminhar.

Dou-me o direito
De aprender,
De ensinar,
Mas sendo sempre aprendiz.

Dou-me o direito
De ser sensato,
De ser louco,
Mas com toda a lucidez.

Dou-me o direito
De esperar,
De desesperar,
Mas com toda a esperança.

Dou-me o direito
Do encanto,
Do desencanto,
Mas sem perder o encantamento.

Dou-me o direito
De não ser eu,
De nunca ser eu,
Para sempre ser eu.

Dou-me o direito
De ser eu,
De sempre ser eu,
Para ser eternamente eu.

Dou-me o direito,
Dou-me a esperança,
Dou-me a promessa,
Dou-me a certeza,
Dou-me a convicção,
De ser um pálido eco,
Um palidíssimo eco,
Um vividíssimo ecoar,
Do santo Verbo...




por Andarilha descalça * 4:05 PM

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[Terça-feira, Janeiro 11, 2005]



Duas águas:

a) sagrada; b) profana
Pedro Garcia





a)

presença (água na morada de deus) & afeto (água namorada de deus)



b)

água dançarina

dançágua dançarina água

dançarinágua vestida

de azul cloro consumida: piscina



solta nos pés do surfista

sustenta a dança mais bela

enquanto na torneira contida

pinga

de instante a instante

o tom passante: nós



dançarina formosa

nua e tortuosa

te bebemos e te vertemos

no sonho de passar contigo

o sonho desmedido .






por Andarilha descalça * 8:47 AM

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[Sexta-feira, Janeiro 07, 2005]


Método Infalível
( Flora Figueiredo)

Aproxime-se mais...
Tente sentir do que
um abraço é capaz...

Quando bem apertado,
Ele ampara tristezas ,
Sustenta lágrimas,
combate incertezas!

Põe a nostalgia de lado.
É até capaz de amenizar o medo.

Se for cheio de ternura,
Ele guarda segredos
E jura cumplicidade.

Um abraço amigo de
verdade divide alegrias
E se apraz em comemorações.

Abraços são pequenas orações
De fé, de força e de energia.

Olhe para o lado
Há sempre alguém
querendo ser abraçado
E não tem coragem de dizer.

Enlace-o
O pior que pode acontecer
É ganhar de volta
um sorriso de carinho.

Ou, quem sabe,
uma palavra sincera.
Você vai descobrir que
ninguém está sozinho...

E que a vida pode ser um
eterno céu de Primavera.



por Andarilha descalça * 8:46 AM

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[Quinta-feira, Janeiro 06, 2005]


EVOCAÇÃO FEMININA
Virgínia Schall

Minha voz
rasga véus
cortinas
de dentro
de sempre
desfaz penumbras
e acorda
Bárbaras, Cecílias, Stellas
Henriquetas, Heliodoras

E suas vozes
em minhas palavras
alteiam
celebram encontros
de amores tantos
salpicam sândalos
no ar.

Sagas passadas
chagas em sangue
vertem
e vibram
amantes perenes
somos todas
onipresentes


Minhas mãos
tão femininas
mãos de mulher
madura, menina
sonham
acariciam ternas
lúcidas lembranças
pedaços de dias
franjas de ausências
melancolias

Em suas palmas
conchas
de lágrimas oceânicas
verdejam prantos
horas molhadas
de sofrimento,
surdas, caladas.

O silêncio da solidão
é memória
reverbera
fantasias, ilusões,
onde desaguar
como abraçar
tamanha paixão?

Mãos entrelaçadas
tecem séculos
em teia
de fios farpados
prisão de anjos
eternizados
Somos etéreas
flores fugazes
pirilampos da vida
pela vida
alinhavadas

Assim evoco
Bárbara, Cecília, Stella
Henriqueta, Heliodora
cantemos juntas
à nossa felicidade
brindemos uníssonas
à nossa liberdade!




por Andarilha descalça * 4:18 PM

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[Quarta-feira, Janeiro 05, 2005]


Medo
Virgínia Victorino

Ouve o grande silencio destas horas!
Há quanto tempo não dizemos nada ...
Tens no sorriso uma expressão magoada,
tens lágrimas nos olhos, e não choras!

As tuas mãos nas minhas mãos demoras
numa eloqüência muda, apaixonada ...
Se o meu sombrio olhar de amargurada
procura o teu, sucumbes e descoras ...


O momento mais triste de uma vida
é o momento fatal da despedida,
- Vê como o medo cresce em mim, latente ...

Que assustadora, enorme sombra escura!
Eis afinal, amor, toda a tortura:
- vejo-te ainda, e já te sinto ausente!




por Andarilha descalça * 12:04 AM

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[Terça-feira, Janeiro 04, 2005]


Soneto de Amor
Affonso Ávila

O coração não pulsa a clave dura
Cantando a rosa de si mesma urdida,
Seu tempo esculpe a aurora sem medida
Sobre as orlas da carne que amadura.

Nenhuma fonte aqui nos inaugura
Com a floração de água surpreendida,
Revolvemos os campos onde a vida
Pendoa-se e aos seus dias transfigura.


Confluência de vento e flauta rústica,
Em nosso lábio colhem outra acústica
Os pássaros moldados pela tarde.


Entanto, despojando-se de tudo
O amor ainda se apura e, embora mudo,
Faz do silêncio a fórmula de alarde.




por Andarilha descalça * 11:40 AM

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[Segunda-feira, Janeiro 03, 2005]



PREVISÃO DO TEMPO
SERGIO FAJARDO

A previsão para o dia de hoje é de tempo bom

No decorrer do período Instabilidades poderão ocorrer

Caso você não vier me ver nem entrar em contato

Rajadas de vento podem interromper a calmaria

Esses têm origem na ansiedade causada por sua ausência

Um frente fria, de indiferença insensibilidade

pode levar à formação de nuvens rapidamente

Cúmulos-nimbo carregados de nervosismo

Provocam fortes tempestades

Em algumas áreas do pensamento

O dia pode terminar numa tarde ensolarada

Se você aparecer pra ficar comigo

O belo por do sol indica que teremos um dia feliz amanhã.





por Andarilha descalça * 8:36 AM

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[Domingo, Janeiro 02, 2005]


AMAR
Antero de Quental

Amar! mas de um amor que tenha vida...
Não sejam sempre tímidos harpejos,
Não sejam só delírios e desejos
De uma doida cabeça encanecida.

Amor que viva e brilhe! luz fundida
Que penetra o meu ser - não só de beijos
Dados no ar - delírios e desejos
Mas amor... dos amores que têm vida.




por Andarilha descalça * 7:48 PM

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[Sábado, Janeiro 01, 2005]


SONETO DE DESMANTELO AZUL
Carlos Pena Filho

Então, pintei de azul os meus sapatos
por não poder de azul pintar as ruas,
depois, vesti meus gestos insensatos
e colori, as minhas mãos e as tuas.

Para extinguir em nós o azul ausente
e aprisionar no azul as coisas gratas,
enfim, nós derramamos simplesmente
azul sobre os vestidos e as gravatas.

E afogados em nós, nem nos lembramos
que no excesso que havia em nosso espaço
pudesse haver de azul também cansaço.

E perdidos de azul nos contemplamos
e vimos que entre nós nascia um sul
vertiginosamente azul. Azul.




por Andarilha descalça * 11:26 PM

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