Caminhos onde meu olhar pousa,
minha mente habita...
Caminhos de imagens,
palavras,
sentimentos...
Caminhos por onde transita
minha alma andarilha.
[Sexta-feira, Janeiro 30, 2004]
Rodrigo Santoro
A estrela da semana.

por Andarilha descalça * 11:34 AM
Versos de orgulho
Florbela Espanca
O mundo quer-me mal porque ninguém
Tem asas como eu tenho! Porque Deus
Me fez nascer Princesa entre plebeus
Numa torre de orgulho e de desdém.
Porque o meu Reino fica para além...
Porque trago no olhar os vastos céus
E os oiros e clarões são todos meus!
Porque eu sou Eu e porque Eu sou Alguém!
O mundo? O que é o mundo, ó meu Amor?
- O jardim dos meus versos todo em flor...
A seara dos teus beijos, pão bendito...
Meus êxtases, meus sonhos, meus cansaços...
- São os teus braços dentro dos meus braços,
Via Láctea fechando o Infinito.
por Andarilha descalça * 10:07 AM
Benditas mães de meus amantes
Mônica Banderas
Marcar com ferro em brasa
as nádegas
das vacas parideiras,
leiteiras,
que amamentam homens
para serem amantes
e jorrarem leite
criando mais homens
para deitar comigo
todos os dias
um para cada dia...
por Andarilha descalça * 9:56 AM
[Quinta-feira, Janeiro 29, 2004]

por Andarilha descalça * 3:24 PM
Tenta Esquecer-me
Mário Quintana
Tenta esquecer-me... Ser lembrado é como evocar
Um fantasma... Deixa-me ser o que sou,
O que sempre fui, um rio que vai fluindo...
Em vão, em minhas margens cantarão as horas,
Me recamarei de estrelas como um manto real,
Me bordarei de nuvens e de asas,
Às vezes virão a mim as crianças banhar-se...
Um espelho não guarda as coisas refletidas!
E o meu destino é seguir... é seguir para o Mar,
As imagens perdendo no caminho...
Deixa-me fluir, passar, cantar...
Toda a tristeza dos rios
é não poder parar!
por Andarilha descalça * 10:30 AM
[Quarta-feira, Janeiro 28, 2004]
A rosa mais triste
(Luiz de Aquino)
O cotidiano mostrou-se pleno
na voz-infância vendendo flores.
Nos olhos, tristeza de quem vende como quem pede.
Na voz, solidão insistente
querendo existir.
Pedia vendendo, como quem liquida
um final de noite.
O cotidiano mostrou-se pleno
também nos meus bolsos
vazios de sempre.
A voz meninice chegou outra vez
e pediu dinheiro
pra ir embora.
Agradecendo, deixou uma rosa
Tristeza pura,
resto de sábado.
por Andarilha descalça * 10:02 AM
[Terça-feira, Janeiro 27, 2004]
Desejos
Andarilha descalça
Aquela mulher que caminha
contrita e tão reservada
pode ser que no silêncio
lave sua alma cansada.
Aquela mulher que aparenta
não ter desejos profundos
pode ser que em seus passos
carregue o peso do mundo.
Aquela mulher que intercala
o ciclo da vida real
pode ser que num futuro
consiga entender o banal.
Aquela mulher que procura
um pretexto pra não chorar
pode ser que num abraço
esbarre no gosto do amar.
E é bem provável que o tempo
enclausurado no olhar
faça brotar num segundo
toda força do sonhar.
por Andarilha descalça * 10:39 AM
[Segunda-feira, Janeiro 26, 2004]

por Andarilha descalça * 8:05 AM
[Sexta-feira, Janeiro 23, 2004]
Poema Concreto
Thiago de Mello
O que tu tens e queres saber (porque te dói)
não tem nome. Só tem (mas vazio) o lugar
que abriu em tua vida a sua própria falta.
A dor que te dói pelo avesso,
perdida nos teus escuros,
é como alguém que come
não o pão, mas a fome.
Sofres de não saber
o que tens e falta
num lugar que nem sabes,
mas que é tua vida,
quem sabe é teu amor.
O que tu tens, não tens.
por Andarilha descalça * 3:27 PM
[Quinta-feira, Janeiro 22, 2004]
Nua
Isabel Machado
Porque me despes completamente
sem que eu nem perceba...
E quando nua
por incrível que pareça
sou mais pura...
Porque vou ao teu encontro
despojada de critérios...
liberto os mistérios
sem perder o encanto
do prazer...
Porque
quando nua
sou única
e exclusivamente
tua...
por Andarilha descalça * 5:58 PM
[Quarta-feira, Janeiro 21, 2004]
E que venha a noite...
Carlos Enrique Ungo
Presenteia-me o riso de teus olhos
a tênue luz de teu sorriso
o milagre de teu nome
em minha boca.
Presenteia-me a umidade de teus beijos
o tíbio manto de teu abraço
o mar embravecido de teu corpo
junto ao meu.
Presenteia-me o amanhecer de tuas paixões
o espelho frágil de tuas chuvas
tua inocência feita mulher
com minhas carícias.
Presenteia-me teu amor
amor
e que venha a noite...
por Andarilha descalça * 4:27 PM
Tu que nunca serás
Alfonsina Storni
Sábado foi e caprichoso o beijo dado,
Capricho de varão, audaz e fino
Mas foi doce o capricho masculino
A este meu coração, lobinho alado.
Não é que creia, não creio, se inclinado
sobre minhas mãos te senti divino
E me embriaguei, compreendo que este vinho
Não é para mim, mas jogo e roda o dado...
Eu sou a mulher que vive alerta,
Tu o tremendo varão que se desperta
E é uma torrente que se desvanece no rio
E mais se encrespa enquanto corre e poda.
Ah, resisto, mas me tens toda,
Tu, que nunca serás de todo meu.
por Andarilha descalça * 4:13 PM
[Segunda-feira, Janeiro 19, 2004]

por Andarilha descalça * 7:59 AM
[Sexta-feira, Janeiro 16, 2004]
Ecos de esperança
Andarilha descalça
Ficará na memória
aquele olhar que
esteve em todas as
partes
cobrindo as vicissitudes
das tardes.
Também
não será esquecido
o sentimento
que sobrevoou a
noite
procurando o início
da virtude
e o final do pecado.
A plenitude não alcançada
ficará embrulhada
na passagem das horas.
E contínua
será
a lembrança
dos silêncios que tanto falaram.
E não haverá
palavras amargas
irônicas
ou partidas
que nos lembrem
do não atingido.
Mas,
verterá dos céus
uma bênção
em nossa homenagem
a cada manhã surgida
pousando
com ecos de esperança
em nossa mesa
e participando do banquete
de nossa redenção.
por Andarilha descalça * 8:00 AM
[Quinta-feira, Janeiro 15, 2004]
Morrer de amor
Maria Teresa Horta
Morrer de amor
ao pé da tua boca
Desfalecer
à pele
do sorriso
Sufocar
de prazer
com o teu corpo
Trocar tudo por ti
se for preciso
por Andarilha descalça * 10:15 AM
Decepção
Cida Villela
Suave, serenamente,
Eu hoje acordei poesia.
Passei o meu dia versando você,
Olhava em seus olhos,
Distantes dos meus,
E a cada olhar,
Por demais atento,
Brotavam, em pensamento,
Versos que seriam seus.
Então desejei amar você.
Juntar palavras a te definir.
Mas antes que eu conseguisse
Definir-te em versos,
Com um simples gesto,
Mero falar,
Conseguiste de súbito
Meus versos quebrar
por Andarilha descalça * 10:01 AM
[Quarta-feira, Janeiro 14, 2004]

por Andarilha descalça * 6:07 PM
Sai do círculo do tempo
(Jalal ud-Din Rumi)
Sai do círculo do tempo
E entra no círculo do amor.
Entra na rua das tavernas
E senta entre os beberrões.
Se queres a visão secreta,
Fecha teus olhos.
Se desejas um abraço,
Abre teu peito.
Se anseias por uma face com vida,
Rompe esse rosto de pedra.
Por que hás de pagar o dote da vida
A essa velha bruxa. A terra?
Mil gerações já gozaram
Do que agora tens.
Prova a doçura em tua boca
Que antes foi flor, abelha e mel.
Vamos, aceita esta pechincha:
Dá uma única vida
E leva uma centena.
por Andarilha descalça * 11:14 AM
[Terça-feira, Janeiro 13, 2004]
LEMBRANÇAS
GG
Lembrei-me de ti
Do teu sorriso
que fazia-me sorrir inocente
Lembrei-me de tuas brincadeiras
Onde parecias uma criança
Levando-me a brincar junto
Lembrei-me cada gesto teu
Todo teu jeito de se dizer
Da minha alegria em entender-te
Lembrei-me de tudo que gostas
Que amavas fazer
O que aprendi a gostar também
Lembrei-me até te tuas lágrimas
As quais escapam-me agora
Pela saudade que deixou
E ao lembrar-me de tudo
Esqueci da promessa que fizemos
De que nunca seríamos apenas uma lembrança.
por Andarilha descalça * 12:47 PM
[Segunda-feira, Janeiro 12, 2004]

por Andarilha descalça * 9:25 AM
[Sexta-feira, Janeiro 09, 2004]
Poema 12
Pablo Neruda
Para meu coração teu peito basta,
para que sejas livre, minhas asas.
De minha boca chegará até o céu
o que era adormecido na tua alma.
Mora em ti a ilusão de cada dia
e chegas como o aljôfar às corolas.
Escavas o horizonte com tua ausência,
eternamente em fuga como as ondas.
Eu disse que cantavas entre vento
como os pinheiros cantam, e os mastros
Tu és como eles alta e taciturna.
Tens a pronta tristeza de uma viagem.
Acolhedora como um caminho antigo,
povoam-te ecos e vozes nostálgicas.
Despertei e por vezes emigram e fogem
pássaros que dormiam em tua alma.
por Andarilha descalça * 2:05 PM

por Andarilha descalça * 9:03 AM
Sábado
Luiz Rodrigues
Há homens que são o sol
Há mulheres que riem com olhos de criança grande
Há homens que dizem as coisas simples como se fosse chuva
Há mulheres que são felizes no meio da cidade
e há quem morra ao sábado
tão devagar...
Há quem corra pelo meio de ramos na floresta
E felizes somos nós que vemos o sol nos olhos sorridentes.
por Andarilha descalça * 8:53 AM
[Quinta-feira, Janeiro 08, 2004]
Beleza
Menotti Del Picchia
A beleza das coisas te devasta
como o sol que fascina mas te cega.
Delas contundo a luminosa entrega
nunca se dá, melhor, nunca te basta.
E a imensa paz que para além te arrasta
quanto mais se te esquiva ou te renega...
Paz tão do alto e paz dessa macega
que nos campos esplende à luz mais casta.
A beleza te fere e todavia
afaga, uma emoção (sempre a primeira e nunca
repetida) que conduz
o teu deslumbramento para um dia
à noite misturado, na clareira
em que te sentes noite em plena luz.
por Andarilha descalça * 9:40 AM
Ninguém me habita
Thiago de Mello
Ninguém me habita. A não ser
o milagre da matéria
que me faz capaz de amor,
e o mistério da memória
que urde o tempo em meus neurônios,
para que eu, vivendo agora,
possa me rever no outrora.
Ninguém me habita. Sozinho
resvalo pelos declives
onde me esperam, me chamam
(meu ser me diz se as atendo)
feiúras que me fascinam,
belezas que me endoidecem.
por Andarilha descalça * 9:23 AM
[Quarta-feira, Janeiro 07, 2004]

por Andarilha descalça * 9:49 AM
[Terça-feira, Janeiro 06, 2004]
A estrela polar
Vinicius de Moraes
Eu vi a estrela polar
Chorando em cima do mar
Eu vi a estrela polar
Nas costas de Portugal!
Desde então não seja Vênus
A mais pura das estrelas
A estrela polar não brilha
Se humilha no firmamento
Parece uma criancinha
Enjeitada pelo frio
Estrelinha franciscana
Teresinha, mariana
Perdida no Pólo Norte
De toda a tristeza humana.
por Andarilha descalça * 2:05 PM
Mas o que vou dizer da Poesia?
O que vou dizer destas nuvens,
deste céu? Olhar, olhar, olhá-las, olhá-lo,
e nada mais.
Compreenderás que um poeta não pode
dizer nada da poesia.
Isso fica para os críticos e professores.
Mas nem tu, nem eu,
nem poeta algum sabemos o que é a poesia.
Federico Garcia Lorca
por Andarilha descalça * 11:01 AM
[Segunda-feira, Janeiro 05, 2004]
por Andarilha descalça * 10:03 AM
O Tempo
Carlos Drummond de Andrade
Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial !
Industrializou a esperança,
fazendo-a funcionar no limite daa exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano
se cansar
e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação
e tudo começa outra vez,
com outro número
e outra vontade de acreditar
que daqui para diante vai ser diferente.
FELIZ ANO NOVO
por Andarilha descalça * 10:00 AM