Caminhos onde meu olhar pousa,
minha mente habita...
Caminhos de imagens,
palavras,
sentimentos...
Caminhos por onde transita
minha alma andarilha.
[Terça-feira, Setembro 30, 2003]
Poesia é aquilo que me faz comungar com a eternidade.
Algumas outras coisas são bonitas e gostosas
mas são coisas do tempo.
Andarilha descalça
Mar sou; baixo marulho ao alto rujo,
mas minha cor vem do meu alto céu,
e só me encontro quando de mim fujo.
Fernando Pessoa
por Andarilha descalça * 9:53 AM
Para nunca mais dizer adeus
(Nathan de Castro)
Quando relembro os nossos dias de canções e abraços
me vejo nos espaços dos poemas que perdi
e minhas caminhadas seguem rumos dos teus passos
como a buscar nos sonhos o sorriso que não vi...
-nem sei se foi sorriso ou se uma lágrima brotou...
só sei desta tristeza que a saudade me deixou!
E pra esquecer o brilho que guardei do teu olhar,
um dia disse: -adeus!... e o tempo veio me dizer
das rugas que não sei... e dos cabelos de luar...
depois de tantos anos sem o nosso entardecer!
-nem sei se foram anos ou se o tempo adormeceu...
só sei desta saudade do beijo que se perdeu!
Brancos cabelos soltos ao luar
e nossos passos lentos se encontraram
no vento que estas rugas ensinaram
deixando-nos sonetos de sonhar
e o sonho é uma lágrima que brota
dos olhos que aprendi a esquecer
na solidão do beijo à minha porta
batendo esta saudade de viver!
Luar-te-ei nos versos de lembranças,
nas danças encantadas das estrelas
e pra estrelar canteiros de esperanças,
espalharei sementes nas estradas,
como a plantar palavras de vivê-las!...
-e nunca mais o adeus nas caminhadas!
por Andarilha descalça * 8:33 AM
[Sexta-feira, Setembro 26, 2003]
Era primavera?
Não sei..
Na mesma esquina que a saudade entrou
a poesia saiu.
Andarilha descalça
26/09/2003
por Andarilha descalça * 2:02 PM
Amo sem restrições esse poema..
amo..amo..amo..
Andarilha descalça
From Anatomy of a Cliché
De Anatomia de um Clichê
3
3
Listen,
Ouça,
if I came to you, out of the wind
se eu viesse até você, saído do vento,
with only my blown dream clothing me,
vestindo somente meu sonho esvaído,
would you give me shelter?
você me daria abrigo?
For I have nothing
Ando sem eira nem beira
or nothing the world wants.
não tenho nada que o mundo queira.
I love you: that is all my fortune.
Amo você: minha fortuna é só essa.
...
...
...
But I know we cannot sail without nets:
Mas, sei, não podemos navegar sem redes:
I know you cannot be exposed
sei que você não pode se expor,
however soft the wind
por mais suave que seja o vento
or however small the rain.
ou por mais leve que seja a chuva.
O poema é de Michael Hartnett (1941-1999),
poeta irlandês, autor de 12 livros de poesia em inglês,
língua na qual deixou de escrever por dez anos
(depois de "A Farewell to English", 1975),
para produzir somente no idioma irlandês.
A tradução é de Marcelo Tápia (1954), poeta e editor,
que publicou, entre outros, os livros de poemas
"Primi Tipo" (ed. Massao Ohno) e "Pedra Volátil" (ed. Olavobrás).
por Andarilha descalça * 1:46 PM
"Recordarás aquella quebrada caprichosa
a donde los aromas palpitantes treparon,
de cuando en cuando un pájaro vestido
con agua y lentitud: traje de invierno.
Recordarás los dones de la tierra:
irascible fragancia, barro de oro,
hierbas del matorral, locas raíces,
sortílegas espinas como espadas.
Recordarás el ramo que trajiste,
ramo de sombra y agua con silencio,
ramo como una piedra con espuma.
Y aquella vez fue como nunca y siempre:
vamos allí donde no espera nada
y hallamos todo lo que está esperando."
Pablo Neruda
por Andarilha descalça * 1:37 PM
Retomada
Multiplicar-me
perceber-me...
Tentar reinventar...
Buscar... Criar...
Criar no barro
ainda molhado
a forma
e deixar a sutileza do pensamento escorrer.
Aventurar-se
mas com cautela
sem deixar
o gesto abandonado
o gesto que nos induz
a travar essa sutil batalha
entre o re-encontro
e o re-começo.
Andarilha descalça
26/09/2003
por Andarilha descalça * 1:22 PM
[Quinta-feira, Setembro 25, 2003]
Sou mulher
Andarilha descalça
Sou mulher
sou criança
trago em mim
segredos, aromas e esperança.
Sou mulher
sou fêmea
trago em mim
rios, mimos e cios.
Espalho gozo e sabor
pelo seu corpo sedento.
Puxo seus pelos
beijo sua boca
mordo sua língua.
Sou mulher
sou amante.
Trago em mim
a embriaguez
da loucura e
dos excessos.
No meu corpo,
desejos incansáveis.
A labareda do querer
carrego na minha mão.
Em meu olhar
sede ¿ doçura - paixão.
por Andarilha descalça * 3:36 PM
[Quarta-feira, Setembro 24, 2003]
Veleidade
Andarilha descalça
Quero sair de mim
e
quanto mais eu tento
eu entro entro entro.
O meu limite sou eu
então
invento invento invento.
Nada consigo.
Relaxo e
aguardo um novo momento.
por Andarilha descalça * 8:43 AM
[Terça-feira, Setembro 23, 2003]
Um de meus inseparáveis companheiros:
Nietzsche
Assim falou Zaratustra
Friedrich Nietzsche
-Um livro para todos e ninguém-
PRIMEIRA PARTE
(1883)
Prefácio
Zaratustra, porém, olhava para o povo e se admirava.
Depois falou assim:
O homem é uma corda, atada entre o animal e o além-do-homem
¿ uma corda sobre um abismo.
Perigosa travessia, perigoso a-caminho, perigoso olhar-para-trás,
perigoso arrepiar-se e parar.
O que é grande no homem, é que ele é uma ponte e não um fim:
o que pode ser amado no homem, é que ele é um passar e um sucumbir.
Amo Aqueles que não sabem viver a não ser como os
que sucumbem, pois são os que atravessam.
Amo os do grande desprezo, porque são os do grande respeito,
e dardos da aspiração pela outra margem.
Amo Aqueles que não procuram atrás das estrelas uma razão
para sucumbir e serem sacrificados: mas que se sacrificam à terra,
para que a terra um dia se torne do além-do-homem.
Amo Aquele que vive para conhecer e que quer conhecer para
que um dia o além-do-homem viva. E assim quer ele sucumbir.
Amo Aquele que trabalha e inventa para construir a casa para
o além-do-homem e prepara para ele terra, animal e planta:
pois assim quer ele sucumbir.
Amo Aquele que ama sua virtude:
pois virtude é vontade de sucumbir e um dardo da aspiração.
Amo Aquele que não reserva sua virtude:
pois virtude é vontade de sucumbir e um dardo da aspiração.
Amo Aquele que não reserva uma gota de espírito para si,
mas quer ser inteiro o espírito de sua virtude:
assim ele passa como espírito por sobre a ponte.
Amo Aquele que faz de sua virtude seu pendor e sua fatalidade:
assim, é por sua virtude que ele quer viver ainda e não viver mais.
Amo Aquele que não quer ter muitas virtudes.
Uma virtude é mais virtude do que duas,
porque tem mais nó a que suspender-se a fatalidade.
Amo Aquele cuja alma se esbanja, que não quer gratidão e que
não devolve: pois ele sempre dá e não quer poupar-se.
Amo Aquele que se envergonha quando o dado cai em seu favor,
e que então pergunta: ¿ sou um jogador desleal?¿ ¿ pois
quer ir ao fundo.
Amo Aquele que lança à frente de seus atos palavras de ouro
e sempre cumpre ainda mais do que promete: pois ele quer sucumbir.
Amo Aquele que justifica os futuros e redime os passados: pois ele
quer ir ao fundo pelos presentes.
Amo Aquele que açoita seu Deus, porque ama seu Deus:
pois tem de ir ao fundo pela ira de seu Deus.
Amo Aquele cuja alma é profunda também no ferimento,
e que por um pequeno incidente pode ir ao fundo:
Assim ele passa de bom grado por sobre a ponte.
Amo aquele cuja alma é repleta, de modo que ele esquece de si próprio,
e todas as coisas estão nele: assim todas as coisas se tornam seu sucumbir.
Amo Aquele que é de espírito livre e
coração livre: assim sua cabeça é apenas a víscera de seu coração,
mas seu coração o leva ao sucumbir.
Amo todos Aqueles que são como gotas pesadas caindo uma a uma
da nuvem escura que pende sobre os homens: eles anunciam
que o relâmpago vem, e vão ao fundo como anunciadores.
Vede, eu sou um anunciador do relâmpago, e uma gota pesada
da nuvem; mas esse relâmpago se chama o além-do-homem. -
por Andarilha descalça * 9:23 AM
Flores... música... primavera...
sonhos... sorrisos....pensamentos bons...
passos calmos...
Andarilha descalça
londonlondon[1].mid
por Andarilha descalça * 9:09 AM
[Segunda-feira, Setembro 22, 2003]
Percurso inexplicável
Andarilha descalça
Navega-me nas águas do momento
caminha-me pela trilha do desejo
devora-me na dor, na volúpia e esquecimento
e deixa-me afogar em ti
o gozo de meu corpo tão sedento.
Refaça-me nas cores do tempo
contorna-me com malícias e poesia
dedilha-me silêncio, orquídea e leveza
e deixa-me sorver em ti
a gota preciosa da pureza.
Recolha-me graça, ternura e fulgor
no abraço molhado de saudade
e deixa-me descobrir em ti
o percurso inexplicável do amor.
por Andarilha descalça * 12:49 PM
A rosa do tempo
Andarilha descalça
Está no suor de meu corpo
no imo, no tino
em meus poemas inacabados
em minhas noites insones.
Está em mim inteira
na trama
da fome de carne
na trama
da fome de verso
na trama
da fome de ti.
Está aflorada em mim
com sulcos e mucos
o que não é flor
é o feminino da flor.
É a rosa do tempo
que eu quero ofertar a ti.
por Andarilha descalça * 10:22 AM
[Sexta-feira, Setembro 19, 2003]
Uma pessoa linda,...o mar..uma cumplicidade
Vejam que beleza.
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 4:28 PM
Uma música que eu amo:
NON, JE NE REGRETTE RIEN
Non, Rien De Rien, Non, Je Ne Regrette Rien
Ni Le Bien Qu'on M'a Fait, Ni Le Mal
Tout Ca M'est Bien Egal
Non, Rien De Rien, Non, Je Ne Regrette Rien
C'est Paye, Balaye, Oublie, Je Me Fous Du Passe
Avec Mes Souvenirs J'ai Allume Le Feu
Mes Shagrins, Mes Plaisirs,
Je N'ai Plus Besoin D'eux
Balaye Les Amours Avec Leurs Tremolos
Balaye Pour Toujours
Je Reparas A Zero
Non, Rien De Rien, Non, Je Ne Regrette Rien
Ni Le Bien Qu'on M'a Fait, Ni Le Mal
Tout Ca M'est Bien Egal
Non, Rien De Rien, Non, Je Ne Regrette Rien
Car Ma Vie, Car Me Joies
Aujourd'hui Ca Commence Avec Toi
por Andarilha descalça * 3:32 PM
CREIO EM MIM
Eu, que comi a casca
por não merecer a polpa.
Eu, que criei a culpa
e me escondi atrás de sua máscara.
Que me esbofeteei me disse
os mais obscenos insultos.
Eu, que neguei dar-me indultos,
condenando-me a estar triste.
Eu, que suicidei minha aspiração,
para lograr ser querido.
Que eniminizei comigo mesmo,
truncando todos meus vôos.
Eu, que me esculpi no rosto,
abusando de mim mesmo.
Eu, que cedi ao cinismo,
machucando a quem me amara.
Eu, exigente e desapiedado
com nada como comigo.
Eu, meu mais cruel inimigo,
meu juiz e meu sentenciador...
Me levantei esta manhã,
cansado de não me querer,
De me apagar, me obscurecer,
de que minha luz não brilhará.
Vi no espelho meus olhos,
olhando-me em meu olhar,
Tantas vezes empanado
por olhar-me com nojo.
E me dei ternura e vi,
nesse rosto cansado,
que me observava estranhamente,
o beleza que eu fui...
Me vi ante os que têm sofrido,
amparando o desamparo.
Me vi austero, mas honrado,
me vi nobre, me vi erguido.
Me vi alentando ao formoso,
me vi curando feridas.
Me vi sempre agradecido,
sincero, ingênuo e gozoso.
Me vi vencendo o abismo,
sem mancha, nem cicatriz.
E quis me fazer feliz,
honrando que sou eu mesmo...
Que sou franco, solidário,
que sou leal e confiável,
que quando embainhei meu sabre,
apostei no humanitário...
Sem malsã auto-compaixão,
fui piedoso ante a minha pena.
Levantei minha condenação,
como o que amando se ama.
Apreciei o valor de tudo,
pesei o erro e o acerto,
sempre elegi estar desperto,
sem submergir-me no lodo.
E olhando meu olhar,
me pedi perdão, e quis
valorizar tudo quanto disse
sem reprovar-me de nada...
...Deixar-me ser, sem podar-me...
jardineiro de mim mesmo,
porque não é egocentrismo
abrir minha essência e mostrar-me...
Vir a ser e isso decido,
estar disposto a abrir-me à vida...
E basta de tanta ferida,
sendo eu o mutilador e o mutilado.
Por tudo o que vivi,
a partir deste momento,
já conto comigo, e sinto
que finalmente! EU CREIO EM MIM!
( traduzido do espanhol por H.G.Mattos )
por Andarilha descalça * 3:25 PM
[Quinta-feira, Setembro 18, 2003]
Vejam que beleza chegou na minha caixa postal
hoje pela manhã
mandado por uma pessoa linda.
O SERMÃO DA MONTANHA
Bem-aventurados
aqueles que vivem na paz.
Bem-aventurados
aqueles que amam sem saber porquê.
Felizes os homens
cujo coração é bem mais forte
que o próprio pensamento.
Afortunados os seres
que se entregam de alma inteira
aos outros
e fazem destes
a razão de estarem vivos.
por Andarilha descalça * 4:06 PM
[Quarta-feira, Setembro 17, 2003]
EtSiTuNxistaisPas[1].mid
por Andarilha descalça * 3:33 PM
Bertold Brecht
Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o comprimem
por Andarilha descalça * 10:26 AM
Ensinamento
( ADÉLIA PRADO)
Minha mãe achava estudo
a coisa mais fina do mundo.
Não é.
A coisa mais fina do mundo é o sentimento.
Aquele dia de noite, o pai fazendo serão,
ela falou comigo:
"Coitado, até essa hora no serviço pesado".
Arrumou pão e café , deixou tacho no fogo com água quente.
Não me falou em amor.
Essa palavra de luxo.
por Andarilha descalça * 10:04 AM
Mário Cesariny
Ao longo da muralha que habitamos
Há palavras de vida há palavras de morte
Há palavras imensas,que esperam por nós
E outras frágeis,que deixaram de esperar
Há palavras acesas como barcos
E há palavras homens,palavras que guardam
O seu segredo e a sua posição
Entre nós e as palavras,surdamente,
As mãos e as paredes de Elsenor
E há palavras e nocturnas palavras gemidos
Palavras que nos sobem ilegíveis À boca
Palavras diamantes palavras nunca escritas
Palavras impossíveis de escrever
Por não termos connosco cordas de violinos
Nem todo o sangue do mundo nem todo o amplexo do ar
E os braços dos amantes escrevem muito alto
Muito além da azul onde oxidados morrem
Palavras maternais só sombra só soluço
Só espasmos só amor só solidão desfeita
Entre nós e as palavras, os emparedados
E entre nós e as palavras, o nosso dever falar.
por Andarilha descalça * 10:00 AM
[Terça-feira, Setembro 16, 2003]
por Andarilha descalça * 2:15 PM
por Andarilha descalça * 11:35 AM
eterna_esfera.pps
(plácido_domingos)perhaps_love.mid
por Andarilha descalça * 10:21 AM
Ouça- me:
O céu continua azul
o rio continua seu curso
os pássaros seguem o vôo..
Sabe por que?
Por que hoje é outro dia..
E outras são as coisas..
E outros são os sonhos
E outra é a maneira que olhas o mundo..
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 9:22 AM
[Segunda-feira, Setembro 15, 2003]
Garcia Lorca
Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.
O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.
Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de mordiscos e açucenas.
Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.
por Andarilha descalça * 11:48 AM
Sophia de Mello Breyner Andresen
Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz precipitado.
por Andarilha descalça * 11:32 AM
ANDARILHA
ENEISA M. F.
Hoje eu tenho o coração amargurado.
Choro... perdi um grande amor.
A tristeza invade minha alma,
a dor é tão grande, a vida nada vale...
A dor que sentimos, ao perder um amor,
é grande, é como se perdêssemos a vida...
Caminho ausente a tudo,
nada vejo, nada sinto.
Esse amor era minha vida, meu tudo.
Caminho, vagando...
Digo palavras sem nexo.
A dor me cega, enloquece.
Como viver sem ele?
Impossível! A vida acabou.
Eu só queria meu amor de volta.
Chamo... clamo e ele não me ouve.
Onde estará? Que braços o envolvem
que não são os meus? Procuro o seu abraço
e encontro o vazio. Se ele não voltar
serei uma mulher perdida, caminhando
sem rumo, uma andarilha no mundo.
Quem sabe um dia encontrarei um alguém
que viva como eu, que me estenderá a mão
para caminharmos lado-a-lado...
Não será um companheiro de dor,
será meu par, minha estrela-guia
para encontrar o caminho da felicidade.
por Andarilha descalça * 9:07 AM
[Domingo, Setembro 14, 2003]
Anoitece
e eu absolutamente desprotegida
descanso
sob o reflexo de teu olhar.
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 2:21 PM
[Sábado, Setembro 13, 2003]
A ANUNCIAÇÃO DO POEMA
(para o Timoneiro)
a princípio, há de se plantar a árvore.
sulcar a terra, adubar, regar, vê-la crescer, mimar.
do córtex, saber sua textura.
auscultar a fotossíntese pelos dedos.
mirar a rama. beber do orvalho.
a princípio, há de se perceber as ondas.
colher as cores nas espumas, na areia, na salsugem.
deixar que o vento pinte de aquarela as velas pandas
com as asas da gaivota.
a princípio, há de se juntar a árvore ao mar.
o trigo ao sal.
fazer o pão.
da simplicidade do pão não se afastar.
fartar-se do simples, por única matéria do refino.
refinar o que é simples é saber fazer o pão.
a poesia, pão dos eleitos, antes elege o seu feitor.
e, feita a massa, busca-se a fornalha do poema.
e o poema, só então, se anuncia.
Antoniel Campos
por Andarilha descalça * 10:03 PM
[Sexta-feira, Setembro 12, 2003]
por Andarilha descalça * 4:23 PM
Caminho devagar feito verso procurando rima...
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 4:19 PM
JeTaime[1].mid
por Andarilha descalça * 12:13 PM
[Quinta-feira, Setembro 11, 2003]

por Andarilha descalça * 4:09 PM
Minha poesia
Andarilha descalça
Saiu de mim como quem necessita de algo
e atravessou luzes
brilhos e cores.
Saiu pela madrugada
riscando o céu
manchando as cores da noite
com sua canção noturna.
Encantou almas
calou o verbo insano
cantou o verbo insensato...
Versou alegrias
sentiu o vento vadio...
Velou cada sonho acordado
relembrou as cantigas infantis
e palavras amigas .
Parou e observou
cada curva do pensamento
contou estrelas e
retornou a mim
feito cascata ..
Ela, a minha poesia
minha companheira eterna.
por Andarilha descalça * 2:15 PM
[Quarta-feira, Setembro 10, 2003]
Sinfonia40_Mozart[1].mid
por Andarilha descalça * 9:53 AM
Embrião
Andarilha descalça
Traduzir em versos
em vestes
o sentido
do momento
que nos transporta
para a alegria
do pensamento
que nos atravessa
procurando a poesia
é no mínimo
bendito
feito um parto
silencioso
que esperamos,
mesmo sabendo
dolorido.
por Andarilha descalça * 9:01 AM
Há em mim as quatro estações...
Preciso aprender a domá-las
ou entendê-las.
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 8:52 AM
[Terça-feira, Setembro 09, 2003]
alem_da_eternidade[1].mid
por Andarilha descalça * 3:14 PM
por Andarilha descalça * 2:38 PM
Recordando
Andarilha descalça
Recordo o tempo que seria
pequeno para tanta vida.
Recordo o que foi
o que viria.
Recordo o amanhã
que já houve
e o ontem
que caminha.
por Andarilha descalça * 2:31 PM
[Segunda-feira, Setembro 08, 2003]
Gracias a la vida
Violeta Parra
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en el alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes al hombre que yo amo.
Gracias a la vida que me a ha dado tanto
Me ha dado el oído que en todo su ancho
Graba noche y día grillos y canarios
Martillos, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio.
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me dio el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro al bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así y distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto.
Gracias a la vida que me ha dado tanto.
por Andarilha descalça * 10:27 AM
Claro Enigma
Carlos Drumond de Andrade
Que lembrança darei ao país que me deu
tudo que lembro e sei, tudo quanto senti?
Na noite do sem-fim, breve o tempo esqueceu
minha incerta medalha, e a meu nome se ri.
E mereço esperar mais do que os outros, eu?
Tu não me enganas, mundo, e não te engano a ti.
Esses monstros atuais, não os cativa Orfeu,
a vagar, taciturno, entre o talvez e o se.
Não deixarei de mim nenhum canto radioso,
uma voz matinal palpitando na bruma
e que arranque de alguém seu mais discreto espinho.
De tudo quanto foi meu passo caprichoso
na vida restará, pois o resto se esfuma,
uma pedra que havia em meio do caminho.
por Andarilha descalça * 10:18 AM
Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.
Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.
Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.
E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre -
Esse rio sem fim.
Fernando Pessoa
por Andarilha descalça * 10:13 AM
[Sábado, Setembro 06, 2003]
Cumplicidade
Andarilha descalça
E o sol apareceu
iluminando o dia.
E houve tempo de alegria,
de brincadeiras e claridade.
Corridas pela grama
subidas pela montanha.
E o sol foi cúmplice de muita felicidade.
E veio a lua
empurrando o sol delicadamente.
E houve um tempo sorridente,
moldados na esperança
lapidado em cada sonho
num eterno evoluir.
Espinhos inexistentes
de uma flor sempre a sorrir.
Ali não houve tormento
mas um completo existir.
E a lua foi cúmplice de um grande sentimento.
Mas depois chegou um tempo
de grande recolhimento.
O vento levou certezas
certezas tão plenas de mim.
E a direção eu não vi.
E no ar ficou a nota
de uma última canção.
E meu olhar foi cúmplice de uma grande solidão.
por Andarilha descalça * 11:01 PM
[Sexta-feira, Setembro 05, 2003]
Qualquer vida humana é boa demais para ser desperdiçada.
Mary Haskell
por Andarilha descalça * 4:42 PM
DO MUITO QUE NÃO SEI
ISTO É UM POUCO QUE SEI:
" Afinal de contas
dar o devido desconto
encarar as coisas como elas são
ça vient, (isso) vem
é preciso um pouco de tudo para fazer o mundo
ter o espírito aberto
ser compreensível
(re) pôr tudo no mesmo nível
não deixar nada de mão
relativizar
ça va , tudo bem
no comment"
Do livro, Um sábio não tem idéia
por Andarilha descalça * 4:32 PM
Vou-me Embora pra Pasárgada
(Manuel Bandeira)
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconsequente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que eu nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
- Lá sou amigo do rei -
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
por Andarilha descalça * 4:14 PM
SiElAmorSeVa[1].mid
por Andarilha descalça * 11:02 AM
A dança e eu
É noite
é tarde
estou em meu quarto
estou nua
e danço..
danço..
danço...
suavemente...
e a música entra em mim..
e eu danço
danço..
danço
alucinadamente.
Meus olhos não vêem nada
mas sentem....
estão úmidos
como úmida é a noite que me abraça.
Andarilha descalça
04/09/2003
11:45 hs.
por Andarilha descalça * 10:53 AM
[Quinta-feira, Setembro 04, 2003]
Retrato em branco e preto
Tom Jobim - Chico Buarque
Já conheço os passos dessa estrada
Sei que não vai dar em nada
Seus segredos sei de cór
Já conheço as pedras do caminho
E sei também que ali sozinho
Eu vou ficar, tanto pior
O que é que eu posso contra o encanto
Desse amor que eu nego tanto
Evito tanto
E que no entanto
Volta sempre a enfeitiçar
Com seus mesmos tristes velhos fatos
Que num álbum de retrato
Eu teimo em colecionar
Lá vou eu de novo como um tolo
Procurar o desconsolo
Que cansei de conhecer
Novos dias tristes, noites claras
Versos, cartas, minha cara
Ainda volto a lhe escrever
Pra lhe dizer que isso é pecado
Eu trago o peito tão marcado
De lembranças do passado
E você sabe a razão
Vou colecionar mais um soneto
Outro retrato em branco e preto
A maltratar meu coração
por Andarilha descalça * 4:09 PM
Pássaro
(Cecilia Meireles)
Aquilo que ontem cantava
já não canta.
Morreu de uma flor na boca:
não do espinho na garganta.
Ele amava a água sem sede,
e, em verdade,
tendo asas, fitava o tempo,
livre de necessidade.
Não foi desejo ou imprudência:
não foi nada.
E o dia toca em silêncio
a desventura causada.
Se acaso isso é desventura:
ir-se a vida
sobre uma rosa tão bela,
por uma tênue ferida.

por Andarilha descalça * 2:02 PM

por Andarilha descalça * 9:40 AM
Quantos mais espessos os muros que construímos
para nos protegermos da vida,
maior a chance de eles também nos impeçam de viver.
Michael Lynberg (Escritor Americano)
do livro: Faça de cada Dia uma obra prima .
Afirmar opiniões sem violência ou saber dizer não sem raiva
definem um novo tipo de audácia mais próximo
da afirmação pessoal do que da bravura.
Michel Lacroix (Filósofo francês)
Do livro A coragem reinventada .
Há algumas estradas que não devem ser percorridas
e inimigos que não devem ser atacados.
Há cidades que não devem ser capturadas,
Territórios que não devem ser contestados e
Ordens do soberano que não precisam ser obedecidas.
Sun Tzu (General chinês)
do livro A arte da guerra .
Não se descobrem novas terras sem concordar
em perder de vista a praia por um longo tempo.
André Gide (Escritor francês).

por Andarilha descalça * 8:19 AM
[Quarta-feira, Setembro 03, 2003]
Um dia um olhar..
uma voz...
Andarilha descalça
tua_voz.pps
por Andarilha descalça * 4:29 PM
[Terça-feira, Setembro 02, 2003]
Aranjuez[1].mid
A luz e nada
Andarilha descalça
Entre eu e eu
existe eu
tão despreparada.
Entre eu e eu
há luz e nada
alucinada
e tudo o mais
é nada.

por Andarilha descalça * 9:51 PM

por Andarilha descalça * 2:39 PM
Você Não Me Ensinou
A Te Esquecer.
(TEMA DO FILME LISBELA
E O PRISIONEIRO)
Caetano Veloso
Não vejo mais você...
faz tanto tempo.
Que vontade que eu sinto...
de olhar em seus olhos...
ganhar seus abraços,
é verdade...eu não minto.
E nesse desespero em que me vejo
já cheguei a tal ponto...
de me trocar diversas vezes por você,
só pra ver se te encontro.
Você bem que podia perdoar,
e só mais uma vez me aceitar.
Prometo agora vou fazer por onde
nunca mais perdê-la.
Agora...
que faço eu da vida sem você.
Você não me ensinou a te esquecer...
você só me ensinou a te querer
e te querendo eu vou tentando te encontrar.
Vou me perdendo...
buscando em outros braços...
seus abraços.
Perdido no vazio de outros passos
do abismo em que você se retirou,
e me atirou...e me deixou aqui sozinho.
Agora...
que faço eu da vida sem você.
Você não me ensinou a te esquecer...
você só me ensinou a te querer,
e te querendo eu vou tentando
me encontrar.
E nesse desespero em que me vejo,
já cheguei a tal ponto
de me trocar diversas
vezes por você,
só pra ver se te encontro.

por Andarilha descalça * 2:35 PM
[Segunda-feira, Setembro 01, 2003]
Volver a los 17
Violeta Parra
Volver a los diecisiete
Después de vivir un siglo
Es como decifrar signos
Sin ser sabio competente
Volver a ser de repente
Tan frágil como un segundo
Volver a sentir profundo
Como un niño frente a Dios
Eso es lo que siento yo
En este instante fecundo.
Mi paso retrocedido
Cuando el de ustedes avanza
El arco de las alianzas
Ha penetrado en mi nido
Con todo su colorido
Se ha paseado por mis venas
Y hasta la dura cadena
Con que nos ata el destino
Es como un diamante fino
Que alumbra mi alma serena.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra
Ay, sí, sí, sí.
Lo que puede el sentimiento
No lo ha podido el saber
Ni el más claro proceder
Mi el más ancho pensamiento
Todo lo cambia el momento
Cual mago condescendiente
Nos aleja dulcemente
De rencores y vilencias
Sólo el amor con su ciencia
Nos vuelve tan inocentes.
El amor es torbellino
De pureza original
Hasta el feroz animal
susurra su dulce trino
Detiene a los peregrinos
Libera a los prisioneros
El amor con sus esmeros
Al viejo lo vuelve niño
Y al malo sólo el cariño
Lo vuelve puro y sincero.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra
Ay, sí, sí, sí.
De par en par la ventana
Se abrió como por encanto
Entró el amor con su manto
Como una tibia mañana
Al son de su bella diana
Hizo brotar el jazmín
Volando cual serafín
Al cielo le puso aretes.
Y mis años en diecisiete
Los convertió el querubín.
Se va enredando, enredando
Como en el muro la hiedra
Y va brotando, brotando
Como el musguito en la piedra
Como el musguito en la piedra
Ay, sí, sí, sí.

por Andarilha descalça * 11:47 AM