Caminhos onde meu olhar pousa,
minha mente habita...
Caminhos de imagens,
palavras,
sentimentos...
Caminhos por onde transita
minha alma andarilha.
[Sexta-feira, Maio 23, 2003]
Eu canto
Não canto porque o instante existe.
Canto porque existo
e sou o instante
sou mulher
sou sonhos
sou procuras
sou .
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 12:48 PM
Lau Siqueira
Felina
teu corpo
é linguagem pura
frágil refúgio
da minha loucura
metade prazer
metade tortura
por Andarilha descalça * 12:43 PM
[Quinta-feira, Maio 22, 2003]
AMOR BASTANTE
quando eu vi você
tive uma idéia brilhante
foi como seu eu olhasse
de dentro de um diamante
e meu olho ganhasse
mil face num só instante
basta um instante
e você tem amor bastante
(Paulo Leminski)
joaoemaria[1].mid
por Andarilha descalça * 10:37 PM
Lembra o tempo
que você sentia
e sentir
era a forma mais sábia
de saber
e você nem sabia"
(Alice Ruiz)

por Andarilha descalça * 10:32 PM
Lua
Lua que fazes tão longe a vagar?
Lua de fases
crescente
indecente
envolvente
Lua nova
beijo da noite
bailarina das nuvens.
Lua
não míngua
não míngua
desliza tua língua
de fogo
de rima.
Lua tão cheia
abusada
lavada
em noites de lobas
escuto teus uivos
Lua aluada...
Andarilha descalça
2003

por Andarilha descalça * 12:30 PM
INSTANTE
Vou tentar captar um instante, JÁ
que de tão fugitivo não é mais,
porque tornou-se um novo instante.
Cada coisa tem um instante
em que ela É
e eu quero apossar-me do É da coisa..
É disto que tenho medo,
medo ainda de me entregar
porque o próximo instante
é desconhecido.
Clarice Lispector

por Andarilha descalça * 12:21 PM
[Quarta-feira, Maio 21, 2003]
Cotidiano
¿ Favor não pisar na grama.¿
¿ Gentileza não abrir as embalagens.¿
¿ Cuidado tinta fresca.¿
Para que tanta placa de advertência, se há muito tempo as pessoas deixaram de sonhar?
Andarilha descalça
por Andarilha descalça * 10:27 PM
O verdadeiro mestre é o mestre interior e os caminhos
para esse mestre interior são múltiplos.
Eles sempre existiram,
desde a noite da humanidade;
Não faltam caminhos, mas viajantes.
Basarab Nicolescu
do livro : O Caminho do sábio
de Jean Biès

por Andarilha descalça * 12:31 PM
O que me faz viver:
O que se encontra entre as imagens,
entre as palavras,
entre os pensamentos.
No vazio do pensamento,
no vazio do sentimento,
no vazio do corpo
eleva-se a plenitude da vida.
Théorèmes Poétiques, 100.
por Andarilha descalça * 12:28 PM
[Terça-feira, Maio 20, 2003]
Aflição de ser eu e não ser outra.
Aflição de não ser, amor, aquela
Que muitas filhas te deu, casou donzela
E à noite se prepara e se adivinha
Objeto de amor, atenta e bela.
Aflição de não ser a grande ilha
Que te retém e não te desespera.
(A noite como fera se avizinha)
Aflição de ser água em meio à terra
E ter a face conturbada e móvel.
E a um só tempo múltipla e imóvel
Não saber se se ausenta ou se te espera.
Aflição de te amar, se te comove.
E sendo água, amor, querer ser terra.
Hilda Hilst

por Andarilha descalça * 8:57 PM
Com certeza
Haverá sempre
pombos correio
murmúrios silenciosos
ternura na velocidade dos dedos.
Haverá sempre
borboletas e rosas vermelhas
a desabrocharem
em nossas noites
de encanto
adubando sempre
o afeto que não se encerra.
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 12:38 PM
Num minuto o silencio me invade
e tudo é nada
e o nada pesa.
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 12:33 PM
[Segunda-feira, Maio 19, 2003]
Renova-te.
Renasce em ti mesmo.
Multiplica os teus braços
para semeares tudo.
Destrói os olhos que tiverem visto.
Cria outros, para as visões novas.
Destrói os braços que tiverem semeado,
para se esquecerem de colher.
Sê sempre o mesmo.
Sempre outro.
Mas sempre alto
Sempre longe.
E dentro de tudo.
Cecília Meireles

por Andarilha descalça * 10:07 PM
Repito por pura alegria de viver:
A salvação é pelo risco,
sem o qual a vida não vale a pena.
Clarice Lispector

por Andarilha descalça * 9:51 PM
A invisível cicatriz
nascer
é ser novinho em folha
e já deixar cicatriz
viver
é cobrir os outros
de cicatrizes
e ser coberto
mas nem tudo
são cicatrizes
algumas incisões
definitivamente
não se fecham
por isso
aliás
morremos
(Ruy Proença)

por Andarilha descalça * 9:45 PM
Exortação I
Caminha na lua cheia
anda
busca no mistério
um sentido.
Caminha pelo teu deserto.
Esquece.
Abandona teus desejos.
Desfaça-se do mundo
caminha pelo teu mar profundo.
Mas não temas.
Acolhe em ti a
solidão
pois teus desertos te libertam
de toda opressão.
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 9:08 PM
Deixa nascer a lua
e não me importarei que a aurora te leve.
Deixa adormecer a noite
antes que te decidas partir.
Não lamentarei os destinos todos do amanhã
se estiveres comigo.
Ouviste o silêncio?
Ele conta lindas histórias.
Espera.
O sol não demora
e conta coisas quando chega.
Espera eu dizer outra vez
que te gosto
e derrama esse mel dos olhos pros montes dormidos
enquanto a noite já é madura.
Até o alvorecer
(Luiz de Aquino)

por Andarilha descalça * 12:43 PM
[Domingo, Maio 18, 2003]
TE PROÍBO DE ME ESQUECER
Se acaso um dia pensares em nós,
e nesse pensar sentir alguma saudade,
e nessa saudade, sentir minha falta,
e se esse vazio que a minha falta faz,
lhe provocar lágrimas:
Venha...
venha correndo para mim,
venha sem medo,
venha qualquer dia.
Se um dia folheando o seu passado,
me encontrar lá meio esquecido,
e nesse esquecimento lembrar algo de bom:
Venha, volte ao meu lado,
mesmo que ache tarde demais,
ainda que seja muito passado,
ainda que seja num futuro bem distante...
Venha,
me procure,
me ache,
me surpreenda com sua chegada!
Quando em seus olhos já não estiver
mais o brilho dos meus.
Quando a sua canção
já não for mais com o meu nome.
Quando em seus poemas,
já não falar mais do amor por mim.
Quando em suas roupas,
já não sentir mais o meu cheiro.
Quando achar que está
quase tudo se acabando:
Venha mesmo assim...
Venha me buscar pra você.
Venha resgatar o que hoje ainda existe.
Venha acabar de sonhar os nossos sonhos.
Venha acabar de viver o nosso amor.
Venha viver as nossas emoções.
Venha completar em mim algo que perdi:
Um pedaço de você!
( Autor desconhecido)

por Andarilha descalça * 6:22 PM
"Às vezes é preciso recolher-se.
O coração não quer obedecer,
mas alguma vez aquieta;
a ansiedade tem pés ligeiros,
mas alguma vez resolve sentar-se
à beira dessas águas.
Ficamos sem falar, sem pensar,
sem agir. É um começo de sabedoria,
e dói.
Dói controlar o pensamento,
dói abafar o sentimento,
além de ser doloroso
parece pobre, triste e sem sentido.
Amar era tão infinitamente melhor;
curtir quem hoje se ausenta era tão
imensamente mais rico. Não queremos
escutar essa lição da vida,
amadurecer parece algo sombrio,
definitivo e assustador.
Mas às vezes aquietar-se e
esperar que o amor do outro
nos descubra nesta praia isolada
é só o que nos resta.
Entramos no casulo fabricado
com tanta dificuldade, e ficamos
quase sem sonhar.
Quem nos vê nos julga alheados, quem
já não nos escuta pensa que emudecemos
para sempre, e a gente mesmo às vezes
desconfia de que nunca mais será capaz
de nada claro, alegre, feliz.
Mas quem nos amou, se talvez nos
amar ainda há de saber que se
nossa essência é ambigüidade e
mutação, este silencio é tanto uma
máscara quanto foram, quem sabe,
um dia os seus acenos."
(trecho de 'Secreta Mirada', de Lya Luft)

por Andarilha descalça * 6:05 PM
Dá-me as mãos por brincadeira
Fernando Pessoa
(28-10-1930)
Dá-me as mãos por brincadeira
Na dança que não dançamos,
Porque isso é uma maneira
De dizer o que pensamos.
Dá-me as mãos e sorri alto,
A vigiar o que rio,
Bem sabes que assim já falto
A pensar coisas a fio.
Não quero largar as mãos
Assim dadas por brinquedo.
Deixa-as ficar: há irmãos
Que brincam assim a medo.
Não largues, ou faz demora
A arrastar, a demorar,
As mãos pelas minhas fora,
E já deixando de olhar.
Que segredos num contacto!
Que coisas diz quem não fala!
Que boa vista a do tacto
Quando a vista desiguala!
Deixa os dedos, deixa os dedos,
Deixa-os ainda dizer
Aqueles dos teus segredos
Que não podes prometer!
Deixa-me os dedos e a vida!
Os outros dançam no chão,
E eu tenho a alma esquecida
Dentro do teu coração.
Todo o teu corpo está dado
Nas tuas mãos que retenho.
Mais vale ter enganado
Do que ter porque não tenho.

por Andarilha descalça * 12:06 AM
[Sábado, Maio 17, 2003]
Existirá sempre
Existirá sempre um toque a nos despertar
enquanto houver silencio...
Existirá sempre gritos , sussurros
enquanto houver ternuras...
Existirá sempre uma chama a nos gritar
enquanto houver sonhos...
Existirá a promessa do cantar
enquanto houver o vento
Existirá o sentir do universo
Sempre,
temos de estar atentos
para não nos perdermos..
Existirá sempre uns olhos
a espreitar outros olhos..
Existirá sempre primavera
para passearmos nossos passos..
Existirá sempre um par de mãos
para nos devolver a poesia esquecida
nos lencóis das tardes quentes...
Existirá sempre um sorriso a nos envolver
antes de se pronunciar a palavra saudade.
E existirá sempre
uns braços a nos amparar
quando as aves cessarem os vôos
e retornarem cansadas ao ninho.

por Andarilha descalça * 8:58 PM
Que as pedras do caminho
não limitem a nossa capacidade de criar.
Criar é uma forma de se sentir viva.
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 8:50 PM
[Sexta-feira, Maio 16, 2003]
Essência
Não importa o vento brando
que vive
indagando
vagando.
Vagabundo sem comando.
Não importa o desejo inevitável
que arde
na tarde.
Viajante incontrolável.
Não importa o grito sedento
que escorre do lamento
no peito do esquecimento.
Não importa se choro ou sorrio
se é mudo o curso do rio.
Não importa o verso partido.
Não importa
O verbo
O reverso
As formas
As cores.
Hei de guardar
vulcões
e
multidões
que insistem
em me devorar.
Andarilha descalça

por Andarilha descalça * 12:24 PM
[Quinta-feira, Maio 15, 2003]
Psalm II
Bjornstjerne Bjornson
Bendita a primavera da vida breve,
cujo sopro tudo atravessa!
A forma desaparece
enquanto o ser para a vida desperta.
Gerações se sucedem
no esforço de evoluir;
espécie produz espécie,
em tempos que não têm fim;
mundos inteiros se erguem e declinam!
Mergulha nos encantos da vida, ó flor,
na ourela da primavera;
louvando a bondade do Eterno,
aproveita a tua curta existência.
Acrescenta a ela, criativa,
também o teu óbulo;
breve e hesitante,
sopra, o quanto aguentares,
a tua parcela de vida ao dia eterno.
por Andarilha descalça * 10:06 PM

por Andarilha descalça * 10:03 PM
FAZE DE MIM O SENTINELA DE TEUS LONGES
Faze de mim o sentinela de teus longes,
faze de mim o ouvidor do rochedo;
da'-me que os olhos meus eu arregale
por sobre a solitude de teus mares;
deixa-me ser o leito de teus rios,
infenso ao grito de qualquer das margens,
bem longe, para alem do som das noites!
Danca-me por tuas vazias terras
pelas quais os mais largos ventos passam
e onde claustros, como muros enormes,
encerram tantas vidas nao vividas.
La' ficarei eu entre os peregrinos,
das vozes e das atitudes deles
isolado nao mais por mentira nenhuma
e atras de idosos cegos
seguindo a senda que nenhum conhece.
Rainer Maria Rilke
por Andarilha descalça * 9:46 PM
Valsinha
(Vinicius de Moraes/ Chico Buarque
Um dia ele chegou tão diferente
do seu jeito de sempre chegar,
olhou-a dum jeito muito mais quente
do que sempre costumava olhar.
E não maldisse a vida tanto
quanto era seu jeito de sempre falar
e nem deixou-a só num canto,
pra seu grande espanto
convidou-a pra rodar.
Então ela se fez bonita
como há muito tempo não queria ousar,
com seu vestido decotado,
cheirando a guardado de tanto esperar.
Depois os dois deram-se os braços
como há muito tempo não se usava dar
e cheios de ternura e graça
foram para praça
e começaram a se abraçar.
E ali dançaram tanta dança
que a vizinhança toda despertou
e foi tanta felicidade
que toda a cidade se iluminou.
E foram tantos beijos loucos,
tantos gritos roucos
como não se ouvia mais,
que o mundo compreendeu
e o dia amanheceu
em paz.
por Andarilha descalça * 9:38 PM
Muito bom de ler..
Andarilha descalça
"Há entre nós uma demasiada emoção;
tal é o motivo do que tem havido!
Toma um bocado de argila,
molha-a, amolda-a,
e faz uma imagem minha
e uma imagem tua.
Toma-as então,
rompe-as e adiciona-lhes
um pouco de água.
Transforma-as de novo
em uma imagem minha
e uma imagem tua.
E então,
haverá na minha argila
alguma coisa da tua.
E na tua argila
alguma coisa da minha."
- Linyutang -

por Andarilha descalça * 12:33 PM
[Quarta-feira, Maio 14, 2003]
Meu esforço humilde, de sequer dizer quem sou, de registrar como uma máquina de nervos as impressões mínimas da minha vida subjetiva e aguda, tudo isso se me esvaziou como um balde em que esbarrassem, e se molhou pela terra como a água de tudo.
E pergunto, ao que me resta de consciente nesta série confusa de intervalos entre coisas que não existem, de que me serviu encher tantas páginas de frases em que acreditei como minhas, de emoções que senti como pensadas, de bandeiras e pendões de exércitos que são, afinal, papéis colados com cuspo pela filha do mendigo debaixo dos beirais.
Pergunto ao que me resta de mim a que vêm estas páginas inúteis consagradas ao lixo e ao desvio, perdidas antes de ser entre os papéis rasgados do destino...
Fernando Pessoa

por Andarilha descalça * 11:17 PM
VELHA INFÂNCIA
Tribalistas
Você é assim,
Um sonho pra mim
E quando eu não te vejo
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância
Seus olhos meu clarão
Me guiam dentro da escuridão
Seus pés me abrem o caminho
Eu sigo e nunca me sinto só
Você é assim,
Um sonho pra mim
Quero te encher de beijos
Eu penso em você
Desde o amanhecer
Até quando eu me deito
Eu gosto de você
E gosto de ficar com você
Meu riso é tão feliz contigo
O meu melhor amigo é o meu amor
E a gente canta
E a gente dança
E a gente não se cansa
De ser criança
Da gente brincar
Da nossa velha infância

por Andarilha descalça * 11:14 PM
Alquimia
Seja seu poema
o gesto que nos faltava.
Tire dele
os passos
os medos
os abraços.
Tire da palavra
o silêncio cansado
e lave
em pequenas gotas
com movimento
aguçado.
E feito criança
jogue o sol e o fogo
misture tudo.
Enlace a lua
e brinque na rua.
Avança...Avança...
Dance como luz nas trevas...
Rodopia...Rodopia...
As palavras serão
garras
armadilhas e
magia.
E seu poema será
nossa perfeita
alquimia.
Andarilha descalça
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